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Brasil

Vitória de Lula reforça a defesa da democracia, diz Celso de Mello

Rosinei Coutinho/SCO/STF

Em um momento de divisões e desafios para a democracia no mundo, o Brasil saiu mais forte após as eleições do último domingo, segundo especialistas e várias entidades da sociedade.

Com quase todos os votos apurados, Lula (PT) conquistou 51,78% dos votos válidos no segundo turno, derrotando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teve 48,22%. Em 2022, Lula venceu o pai de Flávio por 50,9% a 49,1%.

O ex-ministro e ex-presidente do STF, Celso de Mello, chamou a reeleição de Lula de um momento histórico. Ele afirmou que algumas vitórias vão além da simples conquista do cargo e carregam o futuro do país, representando uma defesa firme contra ameaças autoritárias.

Para Celso de Mello, mesmo com a derrota das ideias autoritárias nas urnas, é importante manter a atenção e o cuidado diário para proteger a liberdade, a independência das instituições, da imprensa, e promover a educação para uma cidadania consciente, além de combater a mentira e a violência.

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Ele ressaltou que a democracia se fortalece quando as pessoas não têm medo, rejeitam a intolerância e entendem que o poder só é justo quando respeita a liberdade, dignidade humana e a diversidade de opiniões.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reforçou em nota a importância do respeito à vontade dos eleitores expressa nas urnas e espera que o país siga unido para o desenvolvimento social e econômico.

O presidente da seção de São Paulo da OAB, Leonardo Sica, destacou que o segundo turno concluiu uma legítima demonstração da vontade popular, sem registros de problemas significativos durante a votação, mesmo com a extensão do horário eleitoral.

O ministro Cristiano Zanin do STF prorrogou as eleições em todo o Brasil por duas horas, atendendo aos pedidos das campanhas, devido a dificuldades no transporte de eleitores em várias regiões.

Organizações como o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), União Nacional dos Estudantes (UNE), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Pacto pela Democracia, que reúne mais de 200 entidades civis, parabenizaram o processo eleitoral e reforçaram a importância da participação popular e da manutenção da democracia.

O setor bancário, representado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), também saudou a conclusão do processo eleitoral e disse estar disposto a colaborar com o governo eleito para o progresso econômico e social.

No meio religioso, o bispo Abner Ferreira destacou a importância de respeitar a vontade soberana do povo e pediu sabedoria e justiça para o presidente eleito.

Para o professor Christian Lynch, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a vitória de Lula significa uma resistência global contra a ascensão da ultradireita e uma oportunidade para renovar a República no Brasil.

O filósofo Denis Rosenfield alertou para os desafios econômicos e políticos que Lula enfrentará, incluindo uma crise fiscal e um Senado em oposição.

Reações da direita foram de surpresa e descontentamento. O médico Cláudio Lottemberg, indicado por Flávio para ministro da Saúde, reconheceu a vontade da sociedade e pediu respeito ao resultado.

O cineasta e jornalista Josias Teófilo criticou a extensão do horário de votação e previu dificuldades para o governo Lula, incluindo um possível pedido de impeachment feito pela oposição.

A vereadora Janaina Paschoal, do PP, desejou sucesso ao presidente reeleito, mas alertou para a necessidade da direita se organizar e formar lideranças moderadas e respeitosas para o futuro.

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