O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deve confirmar o resultado do segundo turno das eleições e rejeitar questionamentos que possam surgir. Logo após a reeleição de Lula (PT) ser confirmada no domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou que não aceita a derrota.
Já são esperadas ações judiciais tanto no TSE quanto no Supremo Tribunal Federal (STF), o que foi tema de discussão entre os membros do TSE pouco depois do pronunciamento de Kassio sobre o fim da eleição.
O ministro não pretende dar atenção às reclamações da chapa derrotada e planeja conversar com o presidente do STF, Edson Fachin, para definir a melhor forma de lidar com essas questões. Uma possibilidade é que o STF não permita que ações infundadas contra as eleições prosperem, mantendo o resultado oficializado pelo TSE.
Fontes do STF apontaram que Kassio foi lento para agir diante das denúncias relativas a problemas no transporte dos eleitores, que atrapalharam a votação em várias cidades brasileiras.
Nos bastidores, o ambiente no TSE está tenso devido ao aumento dos questionamentos e problemas. Membros do tribunal admitem que estão pressionados, mas enfrentam dificuldades para encontrar uma solução, já que a legislação não prevê casos como esse no segundo turno.
Ao anunciar o resultado, Kassio comentou que a extensão do horário para fechar as urnas não prejudicou a contagem dos votos. “Mesmo com todas as condições, tomamos as medidas necessárias e tivemos sucesso. Reafirmo que nenhuma alteração ocorreu por causa da decisão judicial”, declarou.
O ministro destacou que nunca antes a Justiça Eleitoral tinha prorrogado o horário de fechamento das urnas, o que impediu uma resposta mais rápida. Além disso, ressaltou que as críticas que circulam na internet sobre demora para decidir não são direcionadas a nenhuma decisão judicial.
Segundo ele, prorrogar a eleição é algo que precisa ser cuidadosamente planejado. Ele elogiou a equipe técnica do TSE por evitar problemas e mencionou que foi feito um bloqueio para impedir o acesso dos servidores e membros do tribunal aos boletins de urna antecipadamente.
Até o momento, o TSE não divulgou quantas seções eleitorais encerraram a votação às 17h e quantas permaneceram abertas para receber eleitores.
Flávio Bolsonaro afirmou que não aceita o resultado das eleições, que pedirá a anulação dos votos e chamou de “injustiça” a decisão do STF que estendeu o horário de votação por duas horas.
Em Brasília, em um discurso de dois minutos em uma casa ligada à sua campanha, o senador criticou a decisão do STF feita por Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e classificou a medida como uma mudança das regras no meio da votação.
Cristiano Zanin ordenou que a votação fosse estendida até as 19h em todo o país, atendendo a um pedido do PT. Tanto a campanha do PT quanto a de Flávio entraram com pedidos para ampliar o horário de votação em algumas regiões.
Antes mesmo do resultado, a campanha de Flávio Bolsonaro usava termos como intervenção e golpe do Judiciário para descrever a situação.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, criticou a intervenção de ministros do STF após a decisão de estender o horário da votação.


