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domingo, 29/03/2026

Violência no Rio atrasa ônibus e prejudica 190 mil alunos

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Entre janeiro de 2023 e julho de 2025, quase 190 mil estudantes da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro foram prejudicados por interrupções no transporte público causadas pela violência.

O estudo ‘Percursos interrompidos: efeitos da violência armada na mobilidade de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro’, divulgado pelo Unicef, o Instituto Fogo Cruzado e o Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), mostra que houve 2.228 interrupções no transporte usado pelos alunos no período. Metade dessas interrupções ocorreram em dias letivos e no horário escolar, das 6h30 às 18h30.

Essas paralisações foram causadas principalmente por barricadas, que representaram 32,4% dos casos, seguidas por operações policiais (22,7%), manifestações (12,9%), crimes no local (9,6%) e tiroteios (7,2%). Cada ocorrência durou em média sete horas, e um quarto delas passou de 11 horas. Durante o horário escolar, a média de duração subiu para mais de oito horas, afetando o aprendizado e a rotina das crianças.

Flavia Antunes, chefe do escritório do Unicef no Rio de Janeiro, destacou que esses impedimentos prejudicam o direito fundamental à educação e causam medo nos estudantes, afetando sua saúde mental e vontade de frequentar a escola.

Das mais de 4 mil escolas da rede municipal, 95% tiveram pelo menos uma interrupção no transporte em sua área. Problemas são mais frequentes em bairros marcados por desigualdades, como a Penha, na zona norte, que teve 633 eventos e 176 dias sem transporte. Bangu e Jacarepaguá também registraram muitos casos, com longos períodos sem circulação normal de ônibus.

Em dias letivos, Penha e Jacarepaguá acumulam quase 90 dias de paralisação. Por outro lado, 70 bairros do município não registraram interrupções nesse contexto.

O relatório classificou as escolas em níveis de risco de acordo com a frequência e intensidade das interrupções. Cerca de 323 mil estudantes estão matriculados em unidades com risco moderado a muito alto. Das escolas, 120 foram consideradas de risco alto, principalmente nas zonas norte e oeste.

Carolina Grillo, coordenadora do Geni/UFF, defende mudanças na segurança pública, criticando as operações policiais imprevisíveis e argumentando que a falta de patrulhamento constante gera insegurança. Ela ressaltou a importância de proteger áreas ao redor das escolas para garantir acesso à educação e segurança, fundamentais para o desenvolvimento social.

Maria Isabel Couto, diretora do Instituto Fogo Cruzado, afirmou que a violência cria medo nas crianças, dificultando o acesso à escola e gerando barreiras emocionais. Ela alertou os governos municipais e estaduais para a necessidade de enfrentar essa desigualdade que surge na interseção entre transporte, educação e segurança.

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