Carlos Villela
Folhapress
A defesa do adolescente acusado pela polícia de Santa Catarina de matar o cachorro Orelha apresentou um vídeo que mostra que o animal estava sem ferimentos uma hora e meia depois do horário que a polícia diz que a agressão aconteceu.
O vídeo de segurança do condomínio mostra o cachorro andando às 7h06 do dia 4 de janeiro sem machucados visíveis, enquanto a polícia diz que o abuso ocorreu por volta das 5h30. Orelha morreu no dia seguinte por causa dos ferimentos.
A polícia pediu que o jovem fosse internado porque encontrou contradições em seu depoimento. Porém, o advogado Alexandre Kale diz que a própria polícia tem contradições em suas acusações contra o adolescente, que vivia na Praia Brava, em Florianópolis (SC). Ele afirma que as provas são fracas e que o jovem foi acusado cedo demais.
Um vídeo mostra o jovem saindo do condomínio às 5h25 e voltando às 5h58 com uma amiga, o que colocaria o adolescente no local do crime no horário da agressão ao cachorro. O advogado confirma que o jovem saiu nesse horário, mas diz que o cachorro não foi ferido naquele momento e mostrou o vídeo das 7h06 como prova disso.
A defesa também questiona como o jovem teria tempo suficiente para ir à praia com a amiga, cometer o crime e voltar em 23 minutos, num dia claro e movimentado.
Segundo Alexandre Kale, a amiga disse que o jovem estava apenas conversando e desabafando sobre estar com saudade de uma ex-namorada, não agredindo o cachorro.
Roupas usadas no dia
Outra acusação da polícia é sobre duas roupas que o jovem estaria usando: um boné rosa e um moletom preto. A mãe do adolescente teria tentado esconder o boné e disse que o moletom foi comprado nos Estados Unidos, mas o jovem negou isso.
O advogado explica que a mãe deu o boné para o jovem usar no aeroporto por segurança e que quando ele foi à Polícia Federal, a mãe guardou o boné na bolsa por educação. Sobre o moletom, houve uma confusão entre dois casacos parecidos, e a defesa diz que isso foi usado para justificar algo injustificável.
A defesa critica a investigação
Alexandre Kale comenta que a investigação cedeu à pressão pública e está tentando achar um culpado sem provas claras, dizendo que o caso foi influenciado pelo tribunal da internet.
A confusão começou com o porteiro do condomínio, que teve desentendimentos com adolescentes, incluindo o jovem acusado, em dezembro. O porteiro enviou imagens para um grupo no WhatsApp, sugerindo que eles foram responsáveis pela agressão ao cachorro.
O pai do adolescente procurou o porteiro depois que o filho disse ter sido ameaçado, mas a defesa afirma que não houve agressão ou coação.
Mudanças na investigação levaram à exclusão de um dos suspeitos do processo, que virou testemunha, depois de provar que não estava no local no dia do ocorrido. A defesa dos jovens considera que eles sofreram uma perseguição digital.
A Justiça de Santa Catarina ordenou a remoção de conteúdos que expusessem os jovens nas redes sociais Meta e TikTok, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
