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Vermífugo é testado contra o coronavírus no Brasil

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Pesquisadores estudam nova dose e esquema de uso com medicamento para impedir que quadros moderados de Covid-19 evoluam para a forma grave

Cientistas brasileiros avaliam antiparasitário contra o coronavírus. (Foto: GI/Getty Images)

Antivirais, anti-inflamatórios, anticorpos monoclonais, anticoagulantes… Na busca por um tratamento seguro e eficaz contra a infecção pelo coronavírus, outra classe de remédios está na mira da ciência, os vermífugos ou antiparasitários. No Brasil, o laboratório Farmoquímica (FQM) e hospitais do estado de São Paulo começaram a testar o medicamento nitazoxanida em pessoas com Covid-19. O princípio ativo está em um dos vermífugos mais comercializados do país. Mas, no estudo que engloba 50 pacientes com quadro moderado, os pesquisadores se valem de uma dosagem e de um esquema de uso diferentes.

Assim, de antemão avisamos: não faz sentido comprar vermífugos na farmácia pensando na prevenção ou no controle do coronavírus, ok?

A ideia de usar a nitazoxanida na Covid-19 faz parte de uma estratégia maior chamada reposicionamento de medicamentos. A lógica é a seguinte: pega-se um fármaco já consagrado e aprovado contra outra doença e que teria potencial para debelar a infecção pelo vírus Sars-CoV-2 ou suas complicações e se avalia seu comportamento nesse novo contexto.

Foi o que aconteceu com a cloroquina (com resultados bem controversos por ora), com o antiviral remdesivir (aprovado para uso emergencial nos Estados Unidos)… E, agora, com o antiparasitário.

Mas de onde veio essa história de empregar um vermífugo contra o vírus? Vinicius Blum, gerente executivo de Assuntos Médicos e Pesquisa Clínica da FQM, conta que a nitazonaxida não mata só vermes lá no intestino. “Ela tem ação contra protozoários e contra dois vírus intestinais, o rotavírus e o norovírus, que costumam causar aqueles surtos de diarreia”, explica. 

Experimentos de laboratório mostraram, ainda, que a medicação consegue inibir o vírus Sars-CoV-1, o parente mais próximo do patógeno da Covid-19 capaz de provocar doença em humanos e associado a ataques sobretudo na Ásia nos anos 2000. “Em laboratório, existem indícios de uma atividade importante até contra o ebola e já foram realizados testes com humanos para o vírus influenza, que causa a gripe“, relata Blum.

Daí a sacada de experimentar a substância contra o coronavírus por trás da pandemia.

O médico conta que a nitazoxanida atua em três frentes de combate. “Quando você pega uma infecção viral, o organismo dispara uma reação imunológica e libera uma molécula chamada interferon que age em nossa defesa. Só que alguns vírus conseguem dar uma tapeada na nossa imunidade e, aí, o corpo não produz interferon como deveria. Ou seja, o vírus ganha terreno. Sabemos que o medicamento aumenta a capacidade de o organismo fabricar o interferon”, descreve Blum.

Segundo o gerente médico da FQM, esse primeiro mecanismo de ação seria vantajoso porque reduziria o risco de o vírus se tornar resistente à droga. O segundo efeito da nitazoxanida é mais direto contra o agente infeccioso. “Ela é tóxica para o vírus e interfere em algumas etapas da sua replicação”, aponta Blum. Com isso, haveria menos cópias para se alastrar e tomar as células.

Por fim, especula-se que o fármaco tenha um efeito particularmente proveitoso na Covid-19. “Temos dados de que ele inibe uma resposta exagerada do sistema imune“, diz o médico.

Isso seria significativo porque alguns pacientes com o coronavírus desenvolvem uma reação inflamatória fora de proporção — batizada pelos cientistas de tempestade inflamatória — e capaz de complicar a situação para os pulmões e outros órgãos. É em função dela que as pessoas tendem a parar na UTI ou mesmo morrer.

A prova de conceito

Com essas informações em mãos, pesquisadores testaram em laboratório a nitazoxanida contra o Sars-CoV-2, o inimigo da vez. E ela se saiu bem. É claro que há uma longa distância entre uma experiência com células ou cobaias e o efeito no corpo humano… E é por isso que, cientes de que o remédio tem baixo índice de toxicidade, a indústria e os médicos planejaram fazer um estudo clínico, aquele em gente como a gente.

Foram recrutados 50 pacientes com quadro de Covid-19 moderado. “São pessoas com sintomas como febre e tosse e que procuraram o hospital com falta de ar“, resume o infectologista Sérgio Cimerman, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, e um dos médicos participantes da pesquisa. Ou seja, eles não estavam bem a ponto de ter de procurar atendimento, mas não estavam tão mal a ponto de ir para a UTI.

Cimerman explica que metade dos voluntários recebe o remédio e o restante um placebo (comprimidos sem o princípio ativo). Trata-se de um estudo randomizado e duplo-cego. Traduzindo: pacientes são sorteados para receber remédio ou placebo e nem eles nem os profissionais que os administram sabem quem recebeu o quê. Isso evita enviesamentos que podem comprometer a validade dos resultados. A pesquisa foi aprovada por um comitê de ética e está registrada em órgãos competentes do governo.

Os pacientes receberão a nitazoxanida em dosagem diferente daquela encontrada no mercado com o produto antiparasitário Annita, cujos comprimidos têm 500 miligramas do princípio ativo e são usados por três dias. No estudo, a formulação conta com 600 miligramas de nitazoxanida e os remédios serão utilizados por mais tempo (de sete a 14 dias) em regime de 12 em 12 horas.

“A primeira pergunta que queremos responder é se a medicação reduz a carga viral. Sabemos que, na Covid, uma maior carga viral está relacionada a uma evolução mais grave e tormentosa”, conta Blum. A partir disso serão investigadas as melhoras dos pacientes.

“Vamos avaliar se a quantidade de vírus diminui e se os pacientes deixam de progredir com gravidade para insuficiência respiratória, o que exige UTI e está associado a maior risco de óbito”, diz Cimerman, que também é diretor científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “O estudo é uma prova de conceito. Se o resultado for positivo, a ideia é fazer uma pesquisa com um número maior de pacientes e, se confirmado o efeito, poderemos ponderar se vale ou não associar a droga com outros remédios com potencial”, projeta o especialista.

Ainda no estudo, Blum explica que, se antes do prazo for detectado que alguns pacientes estão melhorando mais do que outros, pode-se quebrar o cegamento (aquele critério que ninguém sabe o que está tomando, nem os médicos) e administrar a medicação de verdade para os voluntários que estavam tomando placebo.

Os resultados preliminares devem sair nas próximas semanas. Lá fora, outros experimentos também estão em curso, inclusive avaliando a associação da nitazoxanida com outros remédios (caso da hidroxicloroquina). Também há estudos com outra classe de antiparasitário, a ivermectina.

Blum acredita que uma das vantagens da nitazoxanida, se ela passar pela prova de conceito, é o custo mais acessível em comparação com drogas como antivirais e anticorpos monoclonais. “Se tudo der certo nas pesquisas, uma nova medicação e uma nova marca devem surgir para esse novo momento”, contextualiza o executivo da FQM.

Isso reforça aquele recado anterior de que não adianta comprar vermífugos disponíveis hoje com o objetivo de se resguardar do coronavírus — o próprio Annita virou medicamento de uso controlado. Temos de esperar as respostas da ciência.

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Saúde

Consumo de suplementos cresce na pandemia. Mas quando usar?

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Pesquisa mostra que a procura por esses produtos aumentou no Brasil com a Covid-19 — muito pela alegação de que melhoram a imunidade

Investir em suplementos sem antes tentar acertar a alimentação é uma furada. Foto: Deborah Maxx/SAÚDE é Vital.

 

A pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) pode ter contribuído para a população brasileira usar mais suplementos alimentares. Ao menos é o que sugere um levantamento encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Para Fins Especiais e Congêneres (Abiad).

Foram realizadas 275 entrevistas no mês de maio nas cidades de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Brasília e Belém. Em todo os lares avaliados, pelo menos um morador recorria aos suplementos. O estudo indica que 48% desses usuários passaram a ingerir mais multivitamínicos e afins. Outros 47% mantiveram a mesma taxa de consumo, enquanto apenas 5% diminuíram.

De acordo com a engenheira de alimentos Tatiana Pires, presidente da Abiad, o crescimento era esperado. “Os respondentes já se preocupavam com a saúde. Na pesquisa que realizamos anteriormente, concluímos que eles mantêm um estilo de vida equilibrado e buscam informações sobre isso”, relata.

No período da pandemia, a maior justificativa para o aumento da busca foi melhorar a imunidade (63%), sendo que 9% dos indivíduos mencionaram especificamente a Covid-19. Os três tipos mais procurados foram multivitamínicos (28%), vitamina C (26%) e vitamina D (8%).

Mas atenção: não há evidência de que suplementos reduzam o risco de infecção pelo novo coronavírus. Em um documento que aborda diferentes tratamentos contra essa infecção, a Sociedade Brasileira de Infectologia afirma: “Não há comprovação de benefício do uso de vitaminas C ou D, nem de suplementos alimentares, como zinco, exceto em pacientes que apresentam hipovitaminose ou carência mineral”.

O recado, aliás, não vale apenas no contexto do Sars-CoV-2. De acordo com uma revisão de 29 estudos liderada pelo Instituto Cochrane, a suplementação de vitamina C não preveniu resfriados, por exemplo. A substância pode reforçar o sistema imune, mas em doses normais, que são atingíveis com uma alimentação minimamente balanceada.

No mais, extrapolar a dose diária preconizada de certos nutrientes por meio da suplementação pode aumentar o risco de problemas de saúde, como mostramos neste especial.

Chama a atenção o dado de que apenas 20% dos participantes do levantamento da Abiad consultaram profissionais da saúde antes de aumentar o consumo de suplementos na pandemia. Tatiana pondera que as pessoas avaliadas já eram acompanhadas por especialistas e que a suplementação não necessariamente precisa de endosso médico.

Antes da Covid-19, segundo dados da entidade, pouco mais da metade dos usuários de suplementos o fazia seguindo orientação de um médico ou nutricionista. A redução nas consultas observada agora é, de acordo com a Abiad, reflexo direto do isolamento social e do maior distanciamento dos profissionais no período. A questão é: como saber se você sofre alguma carência sem exames ou uma avaliação pormenorizada da dieta?

Por fim, o estudo revela que 70% daqueles que aumentaram o consumo desses produtos desejam manter o hábito após a pandemia. Para Tatiana, a ideia faz sentido se pensarmos que a maioria dos brasileiros não atinge a meta de ingerir pelo menos 400 gramas de frutas, verduras e legumes, como sugere a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Os suplementos alimentares são aliados para fornecer nutrientes e complementar uma alimentação saudável. Ao longo dos últimos cinco anos, desde a primeira pesquisa sobre os hábitos de consumo no Brasil, houve um amadurecimento do uso da categoria, maior consciência do consumidor e segurança no uso”, analisa a presidente da Abiad.

Nutrientes em prol da imunidade
Ok, o excesso de uma ou outra vitamina pode não trazer proteção adicional contra o coronavírus. Mas, de fato, há substâncias presentes em alimentos que, na quantidade adequada, beneficiam o sistema imunológico de maneira geral.

O zinco (mineral encontrado em carnes, frutos do mar, peixes, cereais integrais) é um deles. A aclamada vitamina C, presente em frutas cítricas e famosa por seu potencial antioxidante, é outro. A capacidade antioxidante do selênio, abundante na castanha-do-Pará, também o coloca como aliado contra infecções.

Algumas pesquisas dão conta de que a vitamina D, obtida por meio da exposição aos raios solares e do consumo de certos pescados, favoreceria o trabalho das nossas células de defesa.

A melhor forma de obter quantidades adequadas dessas substâncias é através da dieta e de bons hábitos. Se houver carências, o profissional de saúde pode prescrever exames e suplementos para corrigi-las.

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Ameba “comedora de cérebro” gera preocupação nos EUA

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Chamada de Naegleria fowleri, a ameba é encontrada normalmente em água morna e entra no corpo pelo nariz

 

Febre, naúsea, vômito, rigidez na nuca, perda de olfato e paladar e dor de cabeça — esses são os sintomas de muitas doenças, como gripe, resfriado e podem até sinalizar um quadro do novo coronavírus. Os Estados Unidos, epicentro do vírus no mundo, no entanto, estão vendo uma outra doença surgir em meio à pandemia da covid-19. Segundo autoridades de saúde do estado americado da Flórida, um caso raro de uma ameba “comedora de cérebro” foi confirmado recentemente.

Chamada de Naegleria fowleri, a ameba é encontrada normalmente em água morna e entra no corpo pelo nariz e assim viaja até o cérebro do infectado. Geralmente fatal, ainda não se sabe o estado de saúde do infectado.

A recomendação do Departamento de Saúde da Flórida para evitar novos contágios é para que os habitantes do estado evitem o contato nasal com água ao mergulhar em rios, lagoas e até mesmo com água encanada.

A infecção é mais comum no sul do país, mas, apesar disso, ainda é considerada rara. Desde 1962, a Flórida registrou 37 casos. Nos EUA, a doença já afetou 143 pessoas nos últimos 58 anos — dessas, apenas quatro sobreviveram. Em 2019, a ameba fez uma vítima fatal no país. Lily Avant tinha dez anos e contraiu a infecção ao nadar em um rio no Texas. Em 20 dias, a menina estava morta.

A maioria dos doentes morre em até uma semana e estimativas apontam que 97% deles falecem.

Não há casos recentes no Brasil.

O que é a “ameba comedora de cérebro”?

Naegleria fowleri é uma ameba microscópica e unicelular (ou seja, tem apenas uma célula). A infecção, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) americano é responsável pela meningoencefalite amebiana primária (MAP), infecção cerebral “devastadora” e principal causadora da morte dos infectados.

A infecção ocorre, normalmente, quando as pessoas nadam em rios e lagos, mas também pode acontecer quando a pessoa tem contato com outras fontes contaminadas (até piscinas e água de torneira entram na lista). O CDC afirma que a pessoa não pode ser infectada pela ingestão.

A ameba, depois de entrar pelas vias nasais, começa sua viagem se alimentando dos tecidos do olfato — terminando de “comer” ao chegar no cérebro do doente. Daí, ele destrói o sistema de proteção em volta do sistema nervoso e, quando o corpo percebe que algo está errado, envia células imunes para combater a infecção, o que faz com que a área fique inflamada — o que contribui para os sintomas da naúsea, dor de cabeça, vômitos e dor no pescoço. Segundo a revista científica Scientific American, a rigidez na nuca acontece por conta do inchaço na medula espinhal, o que torna o flexionamento dos músculos impossível.

Assim, a N. fowleri vai comendo cada vez mais tecidos até se instaurar a fundo no cérebro, quando os outros sintomas começam, como delírio, alucinações, confusão e até mesmo convulsões. A causa da morte pela ameba, no fim das contas, se dá mais pela pressão extrema no crânio e no inchaço causado pela resposta imune do corpo.

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Enfermeira do Hran supera Covid-19 e enfrenta pandemia diariamente

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Entre vitórias e perdas, Cleidy Crisóstomo conta sua experiência na linha de frente

Cleidy está entre os milhares de heróis da saúde que atuam na rede pública de saúde do DF: Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

A capacidade de superar as dificuldades e se tornar mais forte descreve bem a enfermeira Cleidy Crisóstomo. Poucos dias após se tornar a gerente de Enfermagem do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), ela precisou lidar de frente com o inimaginável: uma pandemia global, causada por um inimigo invisível. Desde então, tem enfrentado uma sucessão de desafios que marcaram sua vida profissional e pessoal, incluindo a vitória contra à Covid-19.

“É engraçado como nesses momentos damos mais valor as coisas simples. Quando eu estava de quarentena, perdi o olfato e não conseguia sequer espirrar direito. Sempre gostei de sentir o cheiro das coisas, e isso me fazia muita falta. Imagina então a saudade que sentia de dar um abraço na minha filha de 10 anos e nos meus pais”, conta a servidora.

Os 15 dias que precisou ficar em isolamento foram mais desafiadores do que Cleidy poderia imaginar. Principalmente porque, justamente nesse período, seu pai sofreu um derrame.

“Tudo isso mexe muito com o emocional. Fiquei muito apreensiva com tudo aquilo. Mas graças a Deus meu pai está bem agora. Minha filha chorou quando finalmente pode me ver”, lembra a enfermeira, emocionada.

Mas, infelizmente, a gerente também sofreu perdas na linha de frente contra o coronavírus. Entre elas, a morte de um colega técnico de Enfermagem que trabalhava no Hran, vítima da Covid-19. Ele foi o primeiro profissional de saúde do hospital a falecer devido ao vírus. “Foi uma perda trágica. Ele era muito humilde, tranquilo e deixou muitas saudades na equipe”, recorda.

Saudade
Outro tipo de saudade sentida por Cleidy é a de estar mais próxima da família. Assim como outros profissionais de saúde envolvidos no atendimento dos pacientes com coronavírus, ela precisou ficar hospedada no hotel Grand Bittar desde 22 de maio.

Apesar da falta que faz o abraço da filha, um sentimento de segurança tem sido constante para a enfermeira. “Mesmo sendo horrível ficar longe da família, no final é uma experiência boa, porque traz certo conforto sair do trabalho sem nos preocupar em expor nossos familiares ao vírus. Com a renovação recente da hospedagem, sinto que nosso trabalho está sendo reconhecido”, comenta.

Enquanto isso, de 15 em 15 dias ela tem passado pelas testagens para detectar a presença do vírus em seu organismo. Só assim consegue ter a certeza de poder visitar tranquilamente sua família e matar a saudade dos pais e da filha. Isso quando a correria do trabalho permite esses pequenos momentos.

“Além do desgaste de estar na linha de frente, os pacientes ficam dependentes e vulneráveis, porque é uma situação que afeta o emocional. É uma doença que evolui muito rápido e todo dia tem uma novidade. Em 20 anos de Hran, nunca tinha visto algo parecido”, avalia.

Enquanto a pandemia não termina, a profissional de saúde continua superando os desafios e pensando no futuro. “Ainda não dá pra prever como serão as coisas, mas torço para que tudo volte ao normal. Até o pronto-socorro lotado como era antes da pandemia tem dado saudades”, brinca a enfermeira.

*Com informações Secretaria de Saúde
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Saúde

Coronavírus foi encontrado no esgoto de Florianópolis em novembro

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Um estudo preliminar feito na UFSC traz o que pode ser a evidência mais antiga do vírus nas Américas

Coronavírus: o vírus pode ter chegado ao Brasil em novembro (Radoslav Zilinsky/Getty Images)

O novo coronavírus foi descrito cientificamente apenas em 31 de dezembro de 2019, mas algumas pistas indicam que ele pode ter surgido antes disso. No Brasil, pesquisadores encontraram o vírus em uma amostra de esgoto de novembro de 2019.  O estudo, ainda preliminar, indica que o vírus já estava em Florianópolis, Santa Catarina, mais de um mês antes de ser identificado e anunciado globalmente.

O estudo indica que o novo coronavírus chegou às Américas dois meses antes do que se sabia. O primeiro caso oficialmente reportado foi em 21 de janeiro de 2020, nos Estados Unidos. No Brasil, acreditava-se que o vírus teria chegado entre o fim de fevereiro e o começo de março deste ano.

A nova pesquisa é chamada SARS-CoV-2 in Human Sewage in Santa Catarina, Brazil, November 2019 e é assinada por 14 pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidade de Burgos, na Espanha, e da startup brasileira de saúde BiomeHub.

O estudo ainda precisa passar pela revisão de pares, uma validação da comunidade científica que atesta a credibilidade dos dados de uma pesquisa. Vale notar que um estudo semelhante com amostra de esgoto na China indica a presença do novo coronavírus em outubro do ano passado.

 

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EUA reserva 90% do estoque do redemsivir e acende alerta no resto do mundo

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Remédio foi o 1º tratamento promissor na luta contra o novo coronavírus, da farmacêutica americana Gilead Sciences

Antiviral drug remdesivir FDA approved for treatment of novel coronavirus covid-19. The design created for photography purpose only

Os Estados Unidos compraram mais de 90% do estoque do remdesivir, primeiro tratamento promissor na luta contra o novo coronavírus, da farmacêutica americana Gilead Sciences — o que pode fazer com que os demais países, inclusive o Brasil, receba menos doses da medicação, pelo menos nos próximos três meses.

A Gilead concordou em vender mais de 500 mil tratamentos para os EUA até setembro, o que é quase toda a capacidade de produção da empresa. Em um comunicado publicado no site oficial do Serviço de Saúde e Humanidades (HHS, na sigla em inglês) americano, o diretor do órgão, Alex Azar, afirmou que “o presidente Donald Trump conseguiu um acordo incrível para assegurar que os americanos tenham acesso à primeira terapia para covid-19”.

Segundo o comunicado, a quantidade de remédios reservados significa “100% da previsão de produção da Gilead para julho, 90% da produção de agosto e 90% da produção de setembro”. O que deixa uma quantidade ínfima da medicação para os demais países gravemente afetados pela doença.

De acordo com o monitoramento em tempo real da universidade Johns Hopkins, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo e 511.909 morreram. Os Estados Unidos são o epicentro da doença, com mais de 2,6 milhões de doentes e mais de 127 mil mortes. Em segundo lugar no ranking está o Brasil, com 1.402.041 de infectados e mais de 59 mil óbitos.

As vacinas também têm preferência

O mesmo tem acontecido em relação às vacinas. Cerca de 136 estão em desenvolvimento atualmente, algumas mais avançadas do que as outras. A Coronavac, feita pela chinesa Sinovac, está entre as fases 1 e 2 de produção. Segundo a agência Bloomberg, mais de 90% das pessoas que receberam doses da vacina produzida pelo laboratório produziram anticorpos contra a covid-19 num intervalo de 14 dias. Outra que está tendo bons resultados é a da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que está na fase 3 de testes.

E os países mais ricos estão investindo pesado para encontrar uma cura para a covid-19. Em maio, o Reino Unido investiu 79 milhões de dólares no programa de Oxford em troca de receber 30 milhões de doses. Já os Estados Unidos asseguraram 300 milhões de doses da mesma vacina ao assinar um acordo de até 1,2 bilhão de dólares com a farmacêutica britânica AstraZeneca.

A Alemanha, a Itália, a França e os Países Baixos também não ficaram para trás e assinaram um acordo com a mesma farmacêutica para receber 400 milhões de doses até o final de 2020. E em 17 de junho, a União Europeia criou uma Estratégia de Vacina Europeia para garantir o acesso à proteção para todos os integrantes do bloco econômico e 2,3 bilhões de dólares podem ter sido investidos nisso.

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Saúde

Anticoagulante pode diminuir tempo de internação por covid-19

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Rivaroxabana, remédio usado no tratamento da trombose, será testado em 600 pacientes em 40 hospitais no Brasil

Covid-19: coágulos e trombos podem complicar situação dos infectados (MR.Cole_Photographer/Getty Images)

Em maio deste ano, um  estudo observacional feito por especialistas do Hospital Mount Sinai, de Nova York (EUA), apontou que o uso de anticoagulantes no tratamento do novo coronavírus poderia melhorar o tempo de sobrevivência de pacientes graves infectados pela doença. A pesquisa foi realizada com 2.773 pacientes internados por covid-19. Destes, 28% (786) tiveram um tratamento com doses completas de anticoagulantes, uma dose maior do que é geralmente administrada em casos de coágulos sanguíneos. Foi observado, então, que o uso dos medicamentos melhorou as chances de sobrevivência dos doentes dentro e fora da UTI.

A formação de coágulos (ou trombos) é um dos principais agravantes da covid-19. Eles impedem que o sangue dos infectados circule e podem surgir em diversas partes do corpo, como os pulmões, nas pernas e no cérebro. Em muitos casos, os pacientes fatais do vírus passam pela formação de coágulos. É ai que os anticoagulantes entram: como uma opção de afinar o sangue e melhorar a circulação, evitando, assim, que um estado pró-trombótico se instaure e o infectado desenvolva um quadro mais grave.

Recentemente a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em uma pesquisa feita em parceria com pesquisadores da Inglaterra e da Itália, testaram o anticoagulante heparina em casos de SARS-CoV-2. Os testes em laboratório se mostraram promissores e o remédio foi capaz de reduzir em 70% a infecção de células pelo novo coronavírus.

Agora se iniciam os testes clínicos de um novo anticoagulante em doses maiores. A rivaroxabana, medicamento oral usado para o tratamento de trombose venosa profunda, pode ser mais uma das opções no mercado para reduzir o tempo de internação dos pacientes por coronavírus.

A ideia do grupo brasileiro Coalizão é testar a eficácia da rivaroxabana em dose plena versus a da heparina (intravenosa) em doses menores e identificar se o primeiro será responsável por diminuir ainda mais a formação de coágulos. “A gente já conhece a eficácia e a segurança dessa droga. Mas agora queremos dar uma resposta muito importante que o mundo precisa hoje: será que se eu usar uma droga mais potente para diminuir a criação de trombos e coágulos isso pode melhorar a sobrevida dos doentes e o tempo de internação do hospital?”, questiona o doutor Renato Lopes, professor da Divisão de Cardiologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e líder da pesquisa no Brasil.

O objetivo é testar a droga em até 600 pacientes em 40 hospitais ao redor do Brasil e chegar a uma conclusão positiva em até quatro meses. Até o momento, 10 voluntários estão participando da testagem com a rivaroxabana. “Estamos muito no começo para garantir algo”, explica Lopes.

Para garantir a eficácia da pesquisa e evitar riscos (como o aumento de sangramento nos pacientes), um comitê internacional analisará todo o processo. Se algo não estiver certo na avaliação deste, o estudo será pausado.

Mas Lopes ressalta que o uso de anticoagulantes não é a cura para o novo coronavírus. “Isso é um tratamento para uma das complicações mais graves que os pacientes da covid-19 têm, que são as tromboses — que matam e deixam sequelas. Esse medicamento pode vir a salvar vidas. A gente não sabe ainda, por isso estamos estudando”, diz.

O grupo Coalização é formado pelas instituições Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). O projeto conta com o apoio da farmacêutica EMS fornecendo os medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina, da fabricante Aché fornecendo dexametasona e da gigante na área medicinal Bayer fornecendo a rivaroxabana.

Nenhum medicamento ou vacina contra a covid-19 foi aprovado até o momento para uso regular, de modo que todos os tratamentos são considerados experimentais.

De acordo com o relatório A Corrida pela Vida, produzido pela Exame Research, unidade de análises de investimentos e pesquisas da Exame, as pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina já contam com o financiamento de pelo menos 20 bilhões de dólares no mundo. Desse valor, 10 bilhões foram liberados por um programa do Congresso dos Estados Unidos. Mais de 200 vacinas estão sendo desenvolvidas atualmente.

Segundo o monitoramento em tempo real da universidade Johns Hopkins, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo e 509.474 morreram, segundo o monitoramento em tempo real da universidade americana Johns Hopkins. Os Estados Unidos são o epicentro da doença, com mais de 2,5 milhões de doentes e mais de 129 mil mortes. Em segundo lugar no ranking está o Brasil, com 1.368.195 de infectados e 58.314 óbitos.

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