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domingo, 05/04/2026

Venda de canetas para emagrecer aumenta, mas falta orientação para descarte

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A venda dos medicamentos conhecidos como canetas para emagrecimento, que são análogos ao GLP-1, cresceu 25,5% entre 2024 e 2025, segundo dados do Sindusfarma. Foram comercializadas mais de 5,8 milhões de unidades em 2025, contra 4,6 milhões no ano anterior, considerando somente os produtos vendidos legalmente.

O descarte desses medicamentos preocupa, pois os resíduos mal descartados podem contaminar o solo e a água, além de causar resistência a antibióticos e afetar o sistema hormonal. Suzete Caminada, pesquisadora da USP que estuda contaminação ambiental por medicamentos, destaca que esses produtos apresentam um desafio extra por conterem plástico, vidro e agulhas, que precisam de descarte específico e seguro.

A especialista ressalta que nem todas as farmácias possuem coletores adequados e que muitas pessoas não sabem onde ou como descartar esses materiais, o que aumenta os riscos para a população e para os catadores de recicláveis.

Em regiões mais afastadas dos grandes centros, a conscientização e os pontos de coleta são mais limitados, dificultando a correta destinação desses resíduos.

Para Suzete Caminada, é essencial implementar mais campanhas educativas e políticas públicas para ampliar a conscientização e aumentar os postos de coleta em todo o país, que hoje se concentram principalmente no Sudeste.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regula o manejo dos resíduos de serviços de saúde, classificando as agulhas das canetas como resíduos perfurocortantes que devem ser descartados em recipientes rígidos e resistentes à perfuração. No entanto, essa norma é voltada para serviços de saúde e não orienta a população que descarta medicamentos em casa.

O decreto federal 10.388, de 2020, regula a logística reversa de medicamentos domiciliares vencidos, mas não inclui os perfurocortantes usados em casa, como as canetas para emagrecer.

Em 2023, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) criou a norma NBR 17059, que orienta sobre o descarte correto dos resíduos perfurocortantes gerados em casa, recomendando o uso de recipientes rígidos, com tampa, identificados com símbolo de risco infectante. Contudo, essa norma técnica ainda não possui força de lei.

O Ministério da Saúde orienta seguir instruções dos fabricantes e diz que estados e municípios podem definir suas próprias iniciativas para o descarte responsável em suas regiões.

Por exemplo, a Secretaria de Saúde de São Paulo recomenda que o descarte seja feito em locais apropriados na cidade, e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) aceitam agulhas descartadas em embalagens resistentes. Na cidade, todos os postos de saúde recebem esse material para coleta segura.

No Paraná, uma resolução estadual obriga fabricantes e distribuidores a oferecerem logística reversa para perfurocortantes domiciliares. A empresa Brasil Health Sustainability (BHS) oferece coletores em algumas UBSs e realiza a coleta e destinação final dos resíduos, que pode ser por autoclave (esterilização e trituração) ou incineração, ambos direcionando o material para aterros sanitários.

A fabricante Novo Nordisk lançou no Brasil o programa Reciclaneta, voltado para a reciclagem das canetas após o uso, mas sem incluir as agulhas, que devem ser removidas e entregues em locais apropriados como UBSs. Fabricantes Eli Lilly e Sanofi recomendam procedimentos semelhantes para descarte das agulhas.

Embora haja iniciativas importantes em andamento, ainda falta uma orientação clara, ampla e acessível para a população sobre o descarte seguro das canetas para emagrecer e seus componentes, principalmente as agulhas, para minimizar os riscos ambientais e à saúde pública.

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