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segunda-feira, 09/03/2026




Um em cada cinco adolescentes brasileiros sofre abuso sexual online, diz Unicef

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Em Brasília

BRUNO LUCCA
FOLHAPRESS

Um em cada cinco adolescentes no Brasil que usam a internet foi vítima de abuso sexual ou exploração facilitados pela tecnologia.

Esses dados vêm do relatório “Disrupting Harm in Brazil” (Combatendo a violência no Brasil), divulgado pelo Unicef juntamente com a ECPAT International e a Interpol.

O estudo considera violência facilitada pela tecnologia quando são usados recursos digitais, como redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online ou ferramentas de inteligência artificial para atrair, ameaçar, produzir, armazenar ou compartilhar material de abuso sexual.

Esses abusos podem acontecer só na internet, combinar encontros online e presenciais, ou envolver violência física registrada e divulgada digitalmente.

A pesquisa foi feita entre novembro de 2024 e março de 2025, com 1.029 entrevistas com adolescentes de 12 a 17 anos e seus responsáveis, sobre experiências no último ano.

O relatório mostra que 19% dos jovens sofreram alguma forma de violência sexual através da internet, o que significa cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes no país.

Em 66% dos casos, a violência aconteceu por meios online. Redes sociais e aplicativos de mensagem foram usados em 64% das situações, jogos online em 12%. Instagram (59%) e WhatsApp (51%) foram os aplicativos mais citados.

A forma mais comum de violência foi a exposição a conteúdo sexual que o jovem não pediu para ver, relatada por 14% dos entrevistados. Também houve casos de pedido de envio de fotos íntimas, ameaças de divulgação e ofertas de dinheiro ou presentes para conseguir esse material.

Metade dos agressores é pessoa conhecida

O relatório aponta que 49% dos agressores são conhecidos da vítima, como amigos, parceiros ou familiares. Em 26%, o agressor era desconhecido, e em 25% a vítima não conseguiu ou não quis identificar quem foi.

Quando havia um contato anterior, mais da metade (52%) aconteceu pela internet. A escola foi o local da primeira abordagem em 27% dos casos, a própria casa em 11% e locais esportivos em 2%.

Para Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, esses números mostram que o risco está tanto no mundo digital quanto nas relações do dia a dia. Compreender isso ajuda a criar políticas e proteção mais eficientes.

Segundo a pesquisa, 34% das vítimas não contaram para ninguém sobre o abuso. Quando contaram, foi mais comum falarem com amigos, em 22% dos casos.

Os motivos para o silêncio incluem falta de saber onde pedir ajuda (22%), vergonha (21%), medo de não serem acreditados (16%), receio que outros descubram (7%) e culpa (3%). Em 12% dos casos, as vítimas acharam que o abuso não era grave para denunciar.

Além disso, há dificuldades para fazer denúncia formal: 18% não sabem como denunciar, 17% foram ameaçados pelo agressor e 15% não sabem que o que aconteceu é crime.

Crianças e adolescentes que passaram por esse tipo de violência têm mais ansiedade e são mais propensos a se machucar ou ter pensamentos suicidas.

Depoimentos mostraram que muitos sentem medo, culpa, angústia e perda de controle, especialmente quando foram expostos a conteúdos sexuais não pedidos ou tiveram fotos íntimas compartilhadas.




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