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terça-feira, 14/04/2026

Mulheres na ciência: bióloga premiada fala sobre desafios

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ANA BOTTALLO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Gabriela Dias Noske, de 28 anos, é bióloga estrutural e pesquisadora no Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) do Centro Nacional para Pesquisa com Energia e Materiais (CNPEM) em Campinas, SP. Durante seu doutorado, ela enfrentou opiniões contrárias de colegas homens que duvidavam do seu método, mas mesmo assim persistiu.

Desde a graduação em ciências físicas e biomoleculares na USP São Carlos, Gabriela teve que lidar com um ambiente predominantemente masculino. Em sua turma, havia apenas uma ou duas mulheres entre cerca de 20 alunos, e alguns professores acreditavam que mulheres tinham mais dificuldade em entender o conteúdo.

Desde pequena, Gabriela sempre foi atraída pelo mundo da ciência, começando a explorar experiências químicas em casa, mesmo desapontando seus pais com as bagunças feitas.

Ela se destacou na área de biologia estrutural, fazendo um doutorado direto que terminou em 2023 e que recebeu o Grande Prêmio Capes de Tese de 2024, uma distinção concedida a poucos estudantes anualmente.

Enquanto seu curso priorizava a física teórica, ela procurou uma área que unisse física e biologia. Durante a pandemia, seu trabalho ajudou a identificar enzimas que podem bloquear o coronavírus, contribuindo para o desenvolvimento de medicamentos.

Hoje, Gabriela utiliza técnicas como cristalografia de raios X e criomicroscopia eletrônica no LNBR para estudar um fungo chamado Trichoderma reesei. Ela investiga como as proteínas desse fungo podem ser otimizadas para melhorar a produção de bioetanol, uma fonte renovável de energia.

Ela inicia seu dia no laboratório com uma rotina simples, tomando café, vestindo seu jaleco e luvas, e trabalhando com proteínas para criar enzimas mais eficientes na quebra de celulose.

Para analisar essas proteínas, Gabriela utiliza o acelerador de partículas Sirius, o maior do Brasil, onde realiza a técnica de difração de raios X. Isso permite a ela obter a estrutura precisa das proteínas para entender seu funcionamento.

Gabriela destaca que, apesar do ambiente acolhedor no CNPEM, ainda há desigualdade na liderança científica, com a maioria dos cargos principais ocupados por homens. Ela acredita que as mulheres cientistas precisam se esforçar mais para provar sua capacidade.

Entre suas inspirações estão Marie Curie, a física que descobriu elementos radioativos, e Rosalind Franklin, a química que ajudou a encontrar a estrutura do DNA.

Quando for líder de seu próprio laboratório, Gabriela planeja incentivar a presença feminina, escolhendo candidatas mulheres com igual qualificação para reforçar a mensagem de que elas são capazes e podem alcançar posições importantes na ciência.

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