Contratos de trabalho por hora, como o modelo flexível que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro defendeu durante a campanha como uma alternativa à escala 6×1, já existem em outros países.
No Reino Unido, os chamados contratos zero hora envolvem mais de 1 milhão de trabalhadores, segundo o Office for National Statistics (ONS), e dividem opiniões entre empregadores e entidades sindicais: para alguns, são uma forma prática de ajustar a equipe conforme a demanda; para outros, causam insegurança financeira e incerteza sobre os horários.
A discussão sobre flexibilizar a jornada de trabalho foi um tema presente nas eleições presidenciais deste ano.
O senador que concorre com Lula criticou diversas vezes a ideia de acabar com a escala 6×1 antes de sua aprovação pelo Senado. Em 6 de outubro, por exemplo, Flávio Bolsonaro apoiou uma proposta do senador Rogério Marinho, coordenador de sua campanha, que sugere um regime com horas negociadas entre empregado e empregador.
Ele afirmou: “Tenho uma proposta muito melhor do que a que está sendo discutida. Liberdade para o trabalhador escolher sua carga horária. Quem quer trabalhar mais, trabalha mais; quem prefere menos, pode trabalhar menos.”
Dez dias depois, com o fim da escala 6×1 aprovado, Flávio Bolsonaro disse que mudou de posição após ouvir os trabalhadores em todo o Brasil.
Segundo ele, “Votei conforme o que vi nas ruas. A maioria dos trabalhadores prefere acabar com a escala 6×1”.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026, citada por Flávio e de autoria de Marinho, permite que o empregado escolha entre o regime CLT tradicional e um modelo flexível por horas trabalhadas.
Essa flexibilização permitiria ao trabalhador adaptar sua jornada às suas necessidades pessoais e às demandas do mercado.
Segundo a assessoria de Marinho, a proposta não está mais em discussão, e a campanha do PL confirmou apoio ao fim da escala 6×1.
Trabalhadores britânicos com contrato zero hora
De acordo com o ONS, mais de 1,2 milhão de trabalhadores no Reino Unido utilizam esse regime, cerca de 3,6% do total de pessoas com 16 anos ou mais.
Essa modalidade é comum em trabalhos básicos, como limpeza, ajuda na construção, cozinha e atendimento em bares e restaurantes, geralmente em funções que pagam baixos salários.
Como funciona no Reino Unido
Contratos zero hora são formas de trabalho flexível onde o funcionário é pago apenas pelas horas realmente trabalhadas. Uma lei de 2015 eliminou restrições que impediam esses trabalhadores de ter outros empregos.
O modelo é mais frequente entre jovens de 16 a 24 anos e em setores como hospedagem, alimentação, transporte e serviços sociais.
Vantagens e desvantagens
Um relatório do Parlamento Britânico destaca que esses contratos ajudam os empregadores a ajustar a equipe conforme a demanda. Para os trabalhadores, oferecem flexibilidade e chance de permanecer no mercado.
Por outro lado, os trabalhadores enfrentam instabilidade de renda, dificuldade para planejar despesas e insegurança sobre a continuidade dos empregos.
Uma pesquisa realizada por uma universidade inglesa acompanhou trabalhadores que dependem desses contratos e revelou casos de múltiplos contratos temporários e falta de garantia de vaga fixa.
Um entrevistado relatou preferência por ter uma carga horária flexível, mas com uma remuneração fixa e direitos assegurados.
Recomendações para melhorar a situação incluem aviso prévio maior para horários, pagamento integral em caso de cancelamento, contratos que reflitam as horas habituais e maior fiscalização de abusos.


