Nossa rede

Mundo

Todos os garotos e treinador são resgatados de caverna na Tailândia

Publicado

dia

Ambulância leva um dos garotos resgatados da caverna da Tailândia nesta segunda (9)

EFE/EPA/CHIANG RAI PR OFFICE

Os últimos quatro garotos e o treinador de futebol que estavam presos em caverna do norte da Tailândia há mais de duas semanas foram resgatados nesta terça-feira (10), na terceira fase da operação de salvamento.

Nas duas operações anteriores, realizadas no domingo e na segunda-feira, oito dos jovens foram retirados do local com sucesso. Eles seguem internados em hospitais locais, em bom estado de saúde.

A operação envolveu 19 mergulhadores. Um médico e três membros da força de elite da marinha tailandesa que ficaram na caverna para acompanhar os meninos também devem sair ainda nesta terça-feira.

Os garotos de 11 a 16 anos e o treinador deles, de 25, ficaram presos na caverna durante um passeio após o término de um treino de futebol, depois que uma forte chuva inundou o local, no dia 23 de junho. Eles foram localizados dez dias depois, já desnutridos. A operação de resgate foi acelerada no fim de semana por causa da previsão de novas chuvas na região, o que poderia inviabilizar o resgate.

O contingente internacional de mergulhadores resgatistas voltou a entrar na caverna às 10h09 local (0h09, em Brasília) com o objetivo de retornar com as cinco pessoas que seguiam presas no local, disse Narongsak Ossottanakorn, porta-voz da operação.

“Hoje, tiraremos os quatro meninos e o treinador”, disse Narongsak durante a entrevista coletiva matinal.

O oficial indicou que outras quatro pessoas – um médico e 3 membros da Marinha – também deixarão a gruta após permanecer vários dias em tarefas de assistência médica e psicológica ao grupo de meninos.

Os membros de salvamento, junto aos meninos, tiveram de superar um complexo de labirínticas galerias parcialmente inundadas e com desníveis e visibilidade nula para alcançar o exterior da caverna.

Da mesma forma como ocorreu após a primeira operação, as autoridades anunciaram uma pausa entre a segunda missão (segunda-feira) e esta terceira para repor dos tanques de ar comprimido utilizados durante os trabalhos de evacuação e avaliar as partes inundadas da caverna.

As precipitações eram uma das principais preocupações das autoridades porque a água filtrada pelo monte pode voltar a inundar as galerias e anular a drenagem efetuada.

Com informações de Estadão Conteúdo e EFE

Clique para comentar

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Brasília

Após quarentena, OMS inicia investigação em Wuhan

Publicado

dia

Por

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, eles poderão participar de seminários e visitas de campo

OMS: o mercado de Wuhan está fechado há mais de um ano e escondido atrás de tapumes. (Stringer/Getty Images)

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) saíram da quarentena em Wuhan, prontos para iniciar sua investigação sobre as origens do novo coronavírus, uma investigação que, segundo o governo chinês, Washington está tentando politizar.

Após duas semanas trancados em um hotel da cidade, uma dezena de integrantes da equipe embarcou em um ônibus que os levou para outro hotel de uma grande rede internacional.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, eles poderão participar de seminários e visitas de campo.

A investigação, que a China demorou mais de um ano para organizar, é extremamente delicada para o regime comunista, que tenta se eximir de qualquer responsabilidade no aparecimento da pandemia.

Enquanto o país conseguiu conter os contágios em seu território, o vírus se espalhou pelo mundo e já deixou mais de 2,1 milhões de mortos.

O número oficial de mortos na China é de 4.636, a grande maioria deles em Wuhan (quase 3.900), uma cidade que foi mantida em quarentena por 76 dias a partir de 23 de janeiro de 2020.

Os especialistas do governo chinês explicaram inicialmente que a epidemia havia aparecido em um mercado de Wuhan, onde animais vivos eram comercializados. O vírus teria sido transmitido de morcegos para outras espécies animais antes de passar para os humanos.

Hipóteses

O mercado está fechado há mais de um ano e escondido atrás de tapumes.

Mas a mídia chinesa, controlada pelo Partido Comunista no poder, tem descartado essa teoria por outra, não comprovada, segundo a qual o vírus poderia ter sido importado para a China, principalmente por meio de carne congelada.

A OMS descartou a contaminação por alimentos, mas muitos chineses agora parecem convencidos de que a pandemia é de origem americana.

Até um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China sugeriu no ano passado, sem provas, que o vírus poderia ter sido introduzido em Wuhan no final de 2019 por soldados americanos que vieram participar de uma competição esportiva.

Fora da China, várias teorias também circulam, incluindo a de uma transmissão do vírus, acidental ou não, do laboratório de virologia de Wuhan, onde coronavírus são fabricados experimentalmente.
Tanto o laboratório quanto o governo chinês negaram essa hipótese, levantada em particular pelo agora ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Por enquanto, a OMS mantém a equidistância.

“Todas as hipóteses estão sobre a mesa. É claro que é muito cedo para se chegar a uma conclusão sobre a origem deste vírus, seja na China, ou fora dela”, disse diretor de emergências de saúde da OMS, Michael Ryan, na semana passada.

Pressão de Washington

No momento, o programa dos investigadores é desconhecido, e não há garantia de que poderão visitar o laboratório de virologia, ou o mercado.

Muitos especialistas temem que restem poucos traços da origem do vírus a serem descobertos.

A OMS havia sido acusada por Donald Trump de estar sob o comando de Pequim, mas o novo governo americano pediu na quarta-feira uma investigação internacional “clara e completa”.

“É fundamental que cheguemos ao fundo do aparecimento da pandemia na China”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

Washington avaliará “a credibilidade do relatório de investigação assim que for concluído”, acrescentou.
Pequim recebeu mal o aviso, e a diplomacia chinesa rejeitou a “interferência política” que poderia prejudicar “a busca por resultados científicos sérios”.

Além dos aspectos científicos, Pequim foi acusada de responder tardiamente aos primeiros casos de contaminação descobertos em Wuhan em dezembro de 2019, ou até antes.

Médicos que, na época, falavam do surgimento de um vírus semelhante ao da SARS foram acusados pela polícia de espalhar boatos.

A morte de um deles, Li Wenliang, deflagrou uma incomum polêmica contra o regime nas redes sociais em fevereiro do último ano.

Na semana passada, um comitê mandatado pela OMS determinou que “as autoridades chinesas locais e nacionais poderiam ter implementado medidas de saúde pública com mais vigor em janeiro” de 2020.

As famílias das vítimas da covid-19, por sua vez, acusam Pequim de tentar impedi-las de entrar em contato com os representantes da OMS e pedem que não se deixem enganar pela China.

Ver mais

Mundo

PIB dos EUA cresce 4% no quarto trimestre e confirma desaceleração da retomada

Publicado

dia

Por

No ano, o PIB americano recuou 3,5% ante 2019, em meio às quedas bruscas no começo da pandemia. Avanço do coronavírus, vacinação ainda lenta e dúvidas sobre pacote de Biden preocupam para 2021

Pessoas em fila para seguro desemprego no Kentucky, nos EUA: economia deve retomar em 2021, mas ainda de forma mais lenta (Bryan Woolston/Reuters)

O PIB dos Estados Unidos cresceu 4% no quarto trimestre de 2020, segundo divulgado pela Agência de Análises Econômicas (BEA, na sigla em inglês) nesta quinta-feira, 27. No ano, o PIB americano recuou 3,5% ante 2019, oficializando a recessão no país.

O valor, em taxa anualizada, vem em linha com as expectativas do mercado. “O aumento do PIB no quarto trimestre reflete tanto a recuperação econômica continua ante as quedas bruscas anteriores no ano quanto o impacto contínuo da pandemia da covid-19, incluindo novas restrições e medidas implementadas em algumas áreas dos EUA”, escreveu o BEA em nota com a divulgação dos resultados.

O crescimento no quarto trimestre se confirmou aquém da alta no trimestre anterior, quando o PIB americano cresceu 33,4% em uma taxa anualizada, um recorde na história americana. O crescimento foi impulsionado por um pacote de estímulo trilionário do governo no ano passado, que incluíram pagamentos de auxílio a desempregados e empréstimos a empresas.

É certo que o ritmo de recuperação da economia americana desacelerou no final do ano passado, o que aponta para um cenário ainda nebuloso em 2021.

Parte da incerteza vem do próprio avanço da pandemia: os EUA chegaram à triste marca de mais de 400.000 mortos pela covid-19, e chegou a ter mais de 200.000 novos casos diários da doença no começo do mês. Nas últimas duas semanas, o número de novos casos vem caindo, mas ainda preocupa e passa de 100.000 por dia. O avanço da doença, somado à lentidão na vacinação, tem feito os estados americanos imporem novas restrições à mobilidade, o que prejudicou a economia no fim do ano.

Em relatório nesta semana, o FMI melhorou sua projeção para a economia dos EUA, prevendo crescimento de 5,1% em 2021, 2 pontos percentuais acima do que havia previsto em seu relatório de outubro do ano passado, em parte diante da expectativa pelos estímulos fiscais do governo de Joe Biden.

Segundo o órgão, a revisão para cima reflete o forte impulso da economia ao longo do segundo semestre de 2020 e o suporte adicional dado pelo pacote fiscal aprovado em dezembro, quando o presidente Donald Trump assinou um plano de estímulo de 900 bilhões de dólares.

A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, disse que o novo pacote de estímulo econômico proposto há duas semanas pelo presidente Joe Biden, de 1,9 trilhão de dólares, poderia impulsionar a economia americana em 1,25% neste ano e em até 5% ao longo de três anos. O “Plano de Resgate Americano” de Biden prevê, entre outras coisas, financiar um programa nacional de vacinação, criar fundos de emergência para os governos estaduais e locais, fornecer ajuda direta a empresas e famílias (incluindo um cheque de 1.400 dólares para milhões de americanos) e dobrar o salário mínimo (que subiria para 15 dólares a hora).

No entanto, não está claro se o pacote de Biden passará no Congresso, com republicanos já defendendo um escopo menos ambicioso.

A agilidade da vacinação também será crucial para a retomada americana em 2021. Embora os EUA sejam o país com mais doses da vacina da covid-19 aplicadas (com quase 26 milhões de doses desde dezembro), a vacinação tem tido gargalos e sido mais lenta do que o esperado. Nesta semana, Biden ordenou a compra de mais 200 milhões de doses de vacinas. Os EUA têm vacinado até agora com as vacinas de Pfizer/BioNTech e Moderna.

Os EUA tem uma taxa de quase 8 doses da vacina por 100 habitantes — o que significa que, se todos tivessem recebido somente uma dose, o país chegaria à casa dos 8% da população imunizada.

Na prática, como parte das vacinas foi usada na segunda dose, o país tem cerca de 6,5% da população tendo tomado ao menos uma dose da vacina, segundo contagem da Bloomberg. (O país que lidera nesta frente é Israel, com quase 50 doses a cada 100 habitantes e mais de um terço da população já tendo tomado ao menos uma dose.)

 

Ver mais

Mundo

Peru volta a se confinar e veta viagens do Brasil por segunda onda de covid

Publicado

dia

Por

A segunda onda atinge sem trégua várias regiões peruanas desde o início de janeiro, após as festas de fim de ano

Peru: até terça-feira, 26, o Peru acumulava 40.107 mortes por covid-19 após registrar 220 óbitos pela doença nas últimas 24 horas. (ERNESTO BENAVIDES/AFP/Getty Images)

O presidente interino do Peru, Francisco Sagasti, anunciou nesta terça-feira, 26, uma quarentena total para Lima e para um terço do país de 31 de janeiro a 14 de fevereiro. O país também proibiu voos vindos do Brasil e da Europa com o objetivo de conter o aumento de casos provocado pela segunda onda de covid-19.

“Nos últimos dias, testemunhamos o rápido aumento de contágios por covid-19. Todos devemos contribuir para que o sofrimento não se estenda a novas pessoas”, disse Sagasti, ao justificar a medida durante um pronunciamento surpresa à nação. “Aprovamos um conjunto de medidas direcionadas que têm como objetivo controlar a expansão da pandemia”.

A segunda onda atinge sem trégua várias regiões peruanas desde o início de janeiro, após as festas de fim de ano. O número de contágios diários aumentou de mil para mais de cinco mil, e as mortes dispararam de uma média de 40 por dia para mais de 100.

A quarentena será obrigatória e deve reduzir a circulação de 16 4 milhões de habitantes – metade da população do país. O governo também determinou o fechamento de igrejas, cassinos e academias. Apenas estabelecimentos comerciais essenciais como mercados, farmácias e bancos poderão funcionar.

As regiões envolvidas são Lima, Ancash, Pasco, Huánuco, Junín, Huancavelica, Ica, Apurímac e El Callao, onde os casos confirmados dispararam desde o início de janeiro. Nas demais regiões do país são mantidas as restrições do toque de recolher e a proibição de reuniões sociais.

O governo também prolongou até 14 de fevereiro a proibição de voos da Europa e incluiu o Brasil nesta relação devido à nova cepa do coronavírus descoberta no país vizinho.

Até terça-feira, 26, o Peru acumulava 40.107 mortes por covid-19 após registrar 220 óbitos pela doença nas últimas 24 horas. O número não era registrado desde o pior momento da pandemia no país, entre julho e setembro de 2020. O total de infecções chegou a 1,1 milhão, com 4.444 novos casos confirmados.

Vacinas

Sagasti disse que as vacinas são a saída para a crise e prometeu celeridade no recebimento dos imunizantes. Ele disse que o primeiro milhão de uma encomenda de 38 milhões de doses da vacina da Sinopharm chegará “nos próximos dias”. A campanha de inoculação começará em fevereiro.

O Peru também tem acordo para comprar 14 milhões de doses da vacina desenvolvida pela AstraZeneca-Oxford. Seus reguladores ainda estão avaliando os pedidos de uso de emergência do Instituto Gamaleya da Rússia, que produz a Sputnik V, e da Pfizer. (Com agências internacionais).

Ver mais

Mundo

Portugal proíbe voos do Brasil devido a nova variante encontrada em Manaus

Publicado

dia

Por

A regra também vale para voos do país europeu com direção ao território brasileiro

Portugal: na terça-feira, 26, o país europeu registrou 291 novas mortes por coronavírus, um recorde, elevando o total de óbitos para mais de 11 mil (Alexander Spatari/Getty Images).

O governo de Portugal decidiu suspender os voos do Brasil entre 29 de janeiro e 14 de fevereiro devido à nova variante do coronavírus identificada no Amazonas e que já se espalhou para outros Estados. A regra também vale para voos do país europeu com direção ao território brasileiro.

“Até o dia 14 de fevereiro, estão suspensos todos os voos, comerciais ou privados, de todas as companhias aéreas, de e para o Brasil. As regras agora estabelecidas são igualmente aplicáveis aos voos de e para o Reino Unido“, diz um comunicado do governo português.

Na nota, as autoridades ressaltam o aumento dos casos de covid-19 em Portugal, a evolução da situação epidemiológica a nível mundial e a detecção de “novas estirpes” do vírus.

Na terça-feira, 26, o país europeu registrou 291 novas mortes por coronavírus, um recorde, elevando o total de óbitos para mais de 11 mil.

De acordo com o governo português, serão permitidos os voos de natureza humanitária para repatriamento de cidadãos.

A entrada em Portugal de pessoas que têm autorização de residência no país também serão autorizadas, mas com a exigência de teste negativo de covid-19 realizado nas 72 horas anteriores ao embarque.

Ver mais

Mundo

Chile aprova uso emergencial da vacina da AstraZeneca contra covid-19

Publicado

dia

Por

Vacina se tornou o terceiro imunizante autorizado no país, após as vacinas da Pfizer e Sinovac

Vacina da AstraZeneca contra a covid-19: Chile espera receber 6 milhões de doses da vacina (Dado Ruvic/Reuters)

O Chile aprovou nesta quarta-feira, 27, a vacina contra a covid-19 do laboratório britânico AstraZeneca, do qual espera receber 6 milhões de doses, e se tornou o terceiro imunizante autorizado após o da americana Pfizer e o da chinesa Sinovac, informou o Instituto de Saúde Pública (ISP).

Um comitê de especialistas do ISP autorizou o uso da vacina britânica, após concluir que tem 64% de eficácia contra a covid-19. A aplicação do imunizante será feita em duas doses com 28 dias de intervalo, em maiores de 18 anos, para determinar que é “segura e eficaz”, explicou o diretor da instituição, Heriberto García, durante coletiva de imprensa.

“Não podemos estar mais contentes de que tenhamos conseguido uma terceira vacina para o Chile”, depois de ter aprovado a Pfizer/BioNtech em 16 de dezembro e a Sinovac na semana passada, explicou García.

O Chile espera receber 6 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, mas o diretor do ISP disse que não tem “uma data propositiva” para sua chegada.

A autorização da vacina britânica no Chile ocorre em meio a uma polêmica provocada pelo anúncio na sexta-feira passada da AstraZeneca sobre atrasos na entrega das doses encomendadas pela União Europeia, que tinha previsto dar seu aval a esta vacina nesta semana.

O Chile já acordou com a Pfizer a chegada de 10 milhões de doses, das quais já chegaram mais de 150.000. Enquanto isso, a Sinovac também prometeu 10 milhões e nesta quinta-feira são esperados os primeiros 2 milhões de imunizantes do laboratório chinês, confirmou o presidente chileno Sebastián Piñera em sua conta no Twitter.

Piñera assegurou o fornecimento de 30 milhões de vacinas, com o objetivo de imunizar 15 milhões dos 18 milhões de habitantes do país até junho de 2021

Ver mais

Mundo

Em Davos, Merkel manda recado a big techs e EUA diz que é preciso evitar monopólios

Publicado

dia

Por

Em discurso no Fórum Econômico Mundial, Merkel disse que os governos têm de se preocupar com processos de “concentração” e que o coronavírus expôs as fragilidades dos sistemas econômicos

Merkel: “Em tempos de globalização, quando se persegue uma política nacional, há que se pensar na interconexão global” (Hannibal Hanschke/Reuters)

Após fala do presidente chinês Xi Jinping abrindo o Fórum Econômico Mundial e pedindo maior “cooperação” entre os países, a chanceler alemã Angela Merkel também defendeu a necessidade de medidas globais no segundo dia do evento, na manhã desta terça-feira, 26.

Na fala, Merkel disse que a pandemia “mostrou de forma muito clara o quanto estamos interconectados” e que está é a “era do multilateralismo”. Mas não sem regras: a chanceler pediu competição no mundo tecnológico e, citando o discurso de Xi no dia anterior, afirmou que não acredita que o caminho a seguir seja uma divisão do mundo entre China e EUA.

Merkel afirma que a pandemia testou “a resiliência de nossos sistemas e sociedades” e que “nossa vulnerabilidade ficou óbvia”. A alemã usou como exemplo o fato de a pandemia possivelmente ter começado em animais e se espalhado para humanos — mostrando como o ser humano também é parte da natureza, independentemente dos avanços tecnológicos.

Perguntada sobre o discurso de Xi Jinping, Merkel disse que concorda com o chinês sobre a importância do multilateralismo mas disse que não há concordância “imediata” quando o debate se volta aos “sistemas sociais diferentes” entre os países — em crítica à falta de democracia na China. “A China se comprometeu ao quadro das Nações Unidas, e a dignidade do indivíduo tem um papel nesse quadro, então… temos de discutir essa questão, não importa de qual sistema social viemos”, disse, defendendo também que as relações comerciais exigem transparência.

Apesar das críticas ao modelo político chinês, Merkel também comentou indiretamente a guerra comercial entre China e EUA, deixando claro que a Europa não deve, neste momento, ter um lado claro no confronto. “Eu gostaria muito de evitar a construção de blocos, não acho que faria justiça a muitas sociedades se disséssemos: aqui estão os EUA, e lá está a China, e estamos nos agrupando com um ou outro. Não é meu entendimento de como as coisas devem ser.”

No fim do ano passado, União Europeia e China assinaram um histórico acordo de investimentos que mostra uma posição de maior independência europeia, segundo especialistas, após anos de distanciamento com os EUA no governo Donald Trump. Uma reaproximação com a Europa deve estar entre as principais medidas do novo governo de Joe Biden.

Freio nos monopólios e capitalismo de stakeholder

Em diversos momentos da fala, Merkel também citou uma preocupação com “processos de concentração” nas empresas, que, segundo ela “têm de ser parados caso se tornem muito poderosos”.

Citando o governo novo governo Biden, a chanceler disse que tem esperança de que, “especialmente com a nova administração americana”, a OCDE (grupo de economias desenvolvidas) possa continuar um trabalho de discussão sobre taxação, em especial a empresas digitais.

“Estamos em uma posição melhor para olhar a importância global de leis de competição de modo a prevenir monopólios. Porque nós de fato temos essas tendências, em todo o mundo. E temos que endereçar isso”, disse, sem citar companhias específicas, mas em claro recado às grandes empresas de tecnologia americanas, como Google, Facebook, Amazon e Apple.

A falta de concorrência no setor vem sendo questionada especialmente na Europa nos últimos anos, mas também dentro dos EUA. Merkel afirma que, se esse desafio não for enfrentado — ou se o for “de forma insuficiente” –, o mundo terá monopólios e muitos problemas.

Questionada sobre o papel do Estado e o capitalismo de stakeholder, que defende a geração de valor a todas as partes interessadas no negócio — um dos principais temas deste ano em Davos –, Merkel disse que é preciso encontrar “um balanço certo” entre as ações dos Estados e das empresas, de modo a não minar o empreendedorismo e a criatividade.

Disse, no entanto, que o Estado seguirá sendo crucial na busca por soluções — e frisou que essas medidas devem levar em conta o contexto do mundo, não só de seu próprio país. “Em tempos de globalização, quando se persegue uma política nacional, há que se pensar na interconexão global”, disse. Dentre os exemplos de medidas que cabem aos governos em todo o mundo, ela voltou a citar ações contra a concentração empresarial.

Merkel também comparou o capitalismo de stakeholder à chamada social market economy (economia de mercado social), o modelo que predominou na Europa pós-Segunda Guerra e que busca combinar um mercado capitalista livre com políticas sociais que estabeleçam competição justa e um estado de bem-estar social, com acesso a saúde, educação e outros direitos básicos. “Acredito que o capitalismo de stakeholder e a economia de mercado social são idênticas”, disse.

Sobre os temas ambientais, disse que é preciso que os países tenham “a mente aberta” para as novas tecnologias e que o mundo deve mudar suas políticas energéticas, avançando para frentes como carros elétricos e energias renováveis. Defendeu também que os governos devem colocar preços nas emissões de poluentes. “E isso tem de ser obrigatório, pois não acredito que nenhuma empresa individualmente faria isso por si mesma, ou o faria de forma rápida o suficiente — ao menos, não a totalidade das empresas”, disse.

Países em desenvolvimento

Merkel disse que a Alemanha defende que União Europeia, em seu plano de recuperação, não diminua o investimento na cooperação com países mais pobres, mas que “faça mais”.

“Estamos em um perigo presente claro que depois da pandemia nos termos mais voltados para dentro: industrializemos países, concentremos em nossas próprias políticas, e não nos importemos com os países em desenvolvimento. É algo que temos que evitar a todo custo”, disse.

Ver mais

Hoje é

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Publicidade

Disponível nosso App

Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade

Viu isso?