O Tesouro Nacional realizou a recompra de títulos prefixados no valor total de R$ 7,1 bilhões, buscando controlar a alta dos juros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Foram recompra 5 milhões de NTN-Fs com prazo de cinco anos, 2,4 milhões com prazo de sete anos e 1 milhão com prazo de dez anos.
A vitória de Lula provocou um aumento nas taxas dos títulos públicos e nos contratos de Depósito Interfinanceiro, usados como referência para os juros futuros. Ao recomprar títulos, o Tesouro tenta reduzir a pressão de venda e evitar oscilações grandes nas taxas.
Além disso, o Tesouro cancelou leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação que estavam marcados para os dias seguintes.
Eduardo Marocke, especialista em renda fixa da Faz Capital, explicou que essa volatilidade atingiu o mercado e levou à suspensão temporária das negociações no Tesouro Direto para evitar que investidores adquirissem títulos com preços desatualizados.
Ele comparou essa suspensão a um mecanismo semelhante ao “circuit breaker” da bolsa de valores, que pausa negociações em momentos de queda acentuada.
O processo de recompra funciona oferecendo aos investidores institucionais que querem vender uma alternativa, reduzindo a pressão vendedora e evitando que as taxas de juros disparem ainda mais.
Marocke destacou que essa medida ajuda a manter o funcionamento do mercado de títulos públicos, que serve de referência para outras operações financeiras, como empréstimos e financiamentos.
Quando muitos querem vender e faltam compradores, as taxas sobem além do que os fundamentos justificam. Com a recompra, busca-se minimizar esses efeitos e garantir que os preços reflitam a realidade do mercado.


