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Temendo boicote ao agronegócio, pecuaristas criam associação “sustentável”

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Criadores de gado da região do Araguaia, em Mato Grosso, se organizam em uma entidade para mostrar a integração entre lavoura, pecuária e floresta

Amazônia: produtores temem boicote ao agronegócio brasileiro (Gustavo Basso/Getty Images)

Em meio ao abalo na imagem do Brasil causado pelos incêndios da Amazônia, um grupo de criadores de gado da região do Araguaia, em Mato Grosso, decidiu criar uma associação nacional para gerar valor à pecuária sustentável. Encabeçada pela empresária Vivien Suruagy, os pecuaristas querem provar que a atividade integrada à lavoura e à floresta é altamente sustentável, não poluidora, e pode dar valor à cadeia da carne.

À frente da Associação Brasileira de Produtores de Carne Carbono Neutro e Baixo Carbono (ABCNN), Vivien, que é engenheira civil e também atua no setor de telecomunicações, reuniu um grupo de pecuaristas para combater o preconceito ao produtor brasileiro, em um momento que as questões ambientais estão nos holofotes. Há um forte temor do setor de sofrer boicotes de países importadores, sobretudo da Europa.

“Nosso objetivo é mostrar que essas diversas mentiras que estão sendo faladas sobre o Brasil são cercadas por interesses econômicos, mas que não correspondem à realidade”, disse a empresária, referindo às acusações dos países europeus de que os agricultores brasileiros são responsáveis pelo desmatamento ilegal da Amazônia.

Vivien reconhece que há práticas ilegais, sobretudo de grileiros e de parte do setor, mas que os pecuaristas que adotam práticas sustentáveis não podem ser penalizados por isso.Criada em setembro, a entidade está, neste momento, preparando seu plano estratégico de atuação, e deve começar a arregimentar pecuaristas que se identificam com as práticas sustentáveis. “Queremos mostrar para o mundo que nós preservamos, não somos poluidores.”

Adesão

Vivien também faz parte do grupo de pecuaristas da Liga do Araguaia, criada em 2015, região do Centro-Oeste que ficou conhecida por muito tempo como “Vale dos esquecidos”. Presidente do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável, Caio Penido, coordenador da Liga do Araguaia, tem participado ativamente de discussões sobre como valorizar a pecuária brasileira.

“A liga surgiu em 2015, às vésperas da Olimpíada. O setor sempre sofreu muitas críticas e o produtor sempre se sentiu injustiçado. Entendemos que a nossa atividade deveria carregar essa biodiversidade em forma de valor, com algum benefício econômico.”

Penido pontua que em países do Hemisfério Norte os criadores compram a área produtiva sem um comprometimento de preservar floresta. “Aqui no Brasil, os produtores brasileiros têm todo um custo de manutenção, com engenheiros ambientais, para manter essa diversidade. E isso tem de ser colocado na conta. Esse deveria ser o nosso diferencial”, disse.

Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que o País preserva 66,3% do território agrícola na forma de matas e florestas nativas – um total de 563 milhões de hectares protegidos. A Embrapa criou um selo, o Carne Carbono Neutro (CCN), uma marca que atesta a carne bovina produzida em sistemas de integração pecuária-floresta e lavoura-pecuária e floresta, e está em fase de desenvolver a metodologia de certificação.

Projeto de lei

No calor das discussões ambientais por conta dos incêndios na Amazônia, o deputado federal Arnaldo Jardim, do Cidadania, conseguiu aprovar na Câmara, há um mês, o projeto de lei número 312, de 2015, proposto pelos deputados Rubens Bueno e Arnaldo Jordy, que tem como objetivo premiar as ações voltadas à preservação do meio ambiente.

“O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) abre caminho para que se reconheçam boas práticas ambientais e sejam assim remuneradas”, disse o deputado ao jornal O Estado de S.Paulo. “O desafio será agora no Senado. Estamos batalhando para que a aprovação ocorra ainda este ano.”

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Instituições de ensino têm até dia 25 para aderirem ao ProUni

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ProUni oferece bolsas de estudos integrais e parciais em instituições particulares, com base no desempenho no Enem e em critérios de renda

No primeiro semestre deste ano foram ofertadas cerca de 244 mil bolsas de estudo
(foto: Agência Brasil)

Instituições de ensino superior privadas têm até a próxima segunda-feira (25) para manifestar interesse em participar do Programa Universidade Para Todos (ProUni) do primeiro semestre de 2020. Todos os procedimentos operacionais serão efetuados exclusivamente por meio do Sistema Informatizado do Prouni (Sisprouni).

O edital que torna público o cronograma e os procedimentos para emissões de termos de adesão e aditivo ao processo seletivo do primeiro semestre de 2020 está disponível na página do programa.

O ProUni oferece bolsas de estudos integrais e parciais (50%) em instituições particulares de ensino superior, com base no desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e em critérios de renda. Cerca de 1,1 mil instituições em todo país oferecem vagas pelo programa e, em contrapartida, são isentas de tributos pelo governo federal.

No primeiro semestre deste ano foram ofertadas cerca de 244 mil bolsas de estudo em 1,2 mil instituições particulares de ensino. No segundo semestre, o total de bolsas foi 169 mil, em 1,1 mil instituições em todo o país.

O prazo para a adesão das instituições começou em 7 de novembro. Para as universidades que ainda não participaram do programa o prazo foi mais curto e terminou no dia 14.

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Chega a 643 número de localidades afetadas por óleo no Nordeste e no ES

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Ao todo, ao menos 116 municípios de todos os nove Estados do Nordeste e do Espírito Santo foram afetados

(foto: Leandro de Santana/Esp. DP)

O número de praias, rios, ilhas e mangues atingidos por óleo chegou a 643, segundo balanço divulgado, no domingo (17/11), pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ao todo, ao menos 116 municípios de todos os nove Estados do Nordeste e do Espírito Santo foram afetados por fragmentos ou manchas de petróleo cru desde 30 de agosto.

O balanço também indica que 18 localidades ainda estão com manchas de óleo, outras 363 têm fragmentos da substância e 262 são consideradas “limpas”. Os pontos com mais de 10% de contaminação estão exclusivamente em Alagoas (3), na Bahia (10), no Rio Grande do Norte (2) e no Sergipe (3). Dentre os locais em que o óleo foi avistado em monitoramento do Ibama nas últimas 48 horas, estão a Praia de Três Coqueiros, na Bahia, e os manguezais da Ilha do Caju, no Maranhão.

 

 

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Desmatamento na Amazônia nos 12 meses até julho foi o maior em 11 anos

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Entre julho de 2018 e agosto de 2019, o sistema Prodes de monitoramento anual registrou 9.762 quilômetros quadrados de desmatamento

Desmatamento/Incêndios na Amazônia (Gustavo Basso/Getty Images)

São Paulo — Entre 1º de agosto de 2018 e 31 de julho deste ano, o desmatamento na floresta amazônica brasileira cresceu 29,5% sobre o período imediatamente anterior.

Os dados são do Prodes, sistema de satélites que faz o monitoramento anual do desmatamento por corte raso na região, e foram divulgados nesta segunda-feira (18) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O saldo de 9.762 quilômetros quadrados de área desmatada é o maior nos últimos 11 anos, superado pelo período 2007-2008, quando foram registrados 12.911 quilômetros quadrados de área desmatada.

Havia uma grande expectativa em torno desse dados devido aos alertas do Deter, outro sistema do Inpe de análise de imagens de satélite que fornece dados preliminares em tempo real a fim de orientar a fiscalização. O Deter havia indicado uma alta de quase 50% no desmatamento no mesmo período, também na comparação com os 12 meses anteriores.

Os alertas do Deter, que por serem diários são considerados menos precisos, mostram uma perda de 6.840 quilômetros quadrados de floresta entre agosto de 2018 e julho de 2019, ante 4.571 quilômetros quadrados em comparação com o mesmo período 2017-2018.

Crise com governo

O monitoramento do desmatamento na Amazônia esteve no centro de uma das principais crises do governo de Jair Bolsonaro, que adota desde a campanha uma retórica antiambiental.

O estopim foi a divulgação de dados que mostraram que a taxa de desmatamento disparou na primeira metade de julho e superou toda a taxa registrada no mesmo mês no ano passado.

Os dados preliminares dos satélites registraram desmatamento de mais de mil quilômetros quadrados de floresta — 68% a mais do que em todo o mês de julho de 2018.

O presidente Jair Bolsonaro disse que os dados do Inpe eram “mentirosos” e que o presidente do instituto, o cientista Ricardo Galvão, estaria “a serviço de alguma ONG”. Galvão disse que ficou escandalizado com as declarações e acabou sendo exonerado.

Em agosto, Galvão afirmou que o embate entre o governo, principalmente com o Ministério do Meio Ambiente, era uma questão ideológica, mas que ele não poderia deixar de se posicionar.

“Já tivemos, no governo militar, cientistas que honraram seus nomes em defesa da ciência e foram perseguidos também. Eu sabia que minha resposta [sobre ficar escandalizado com o governo] culminaria na minha exoneração, mas era necessário colocar um marco bem claro de resistência, porque não é possível que esse cenário obscurantista esteja retornando ao país”, disse.

Logo depois, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a convocar uma entrevista no Palácio do Planalto para apontar falhas no trabalho do Inpe e disse que os números “não refletiam a realidade”, mas acabou por admitir que havia aumento.

Também foi revelado na época que houve um aumento vertiginoso no número de queimadas em agosto, também relacionado ao desmatamento. Foram 30.901 focos no mês, aumento de 196,5% em relação a agosto de 2018.

As informações e imagens sobre a devastação da floresta amazônica correram o mundo e provocaram uma crise internacional sobre a política ambiental adotada pelo governo, colocando em cheque fontes de financiamento para projetos de conservação e a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia.

O governo mudou o tom e tomou medidas como colocar o Exército para combater o problema. Em outubro, a Amazônia registrou o número mais baixo de queimadas para o mês desde o início da série histórica iniciada em 1998.

No acumulado de 2019, no entanto, a quantidade de focos de incêndio na Amazônia ainda é superior a 2018, com 74.605 ocorrências notificadas entre janeiro e outubro, ou 29,4% a mais do que mesmo intervalo do ano anterior.

Cientistas deixam de assinar estudo

Com as represálias do governo em torno das questões ambientais, cientistas de institutos federais do Brasil decidiram não assinar um estudo publicado no periódico Global Challenge Biology, na sexta-feira (15), que analisou as causas e os números da crise das queimadas na Amazônia este ano.

“Alguns colaboradores recusaram a coautoria neste trabalho para manterem-se no anonimato. Lamentamos que isso fosse necessário e gostaríamos de agradecê-los por sua importante contribuição”, diz o estudo na parte dos agradecimentos.

Segundo os autores, que usaram dados do Deter para fazer a estimativa, “pela primeira vez em dez anos o desmatamento pode chegar a dez mil quilômetros quadrados”.

(Com Reuters)

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