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Economia

Tarifa brasileira sobe quase 7 pontos com novas taxas dos EUA

Foto: Ricardo Stuckert/PR

MAELI PRADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A tarifa cobrada sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos subiu significativamente, passando de uma diferença de 0,8 ponto percentual para 7,5 pontos em relação aos principais concorrentes do Brasil.

Esse aumento coloca o Brasil em segundo lugar na lista dos países com maior dificuldade para acessar o mercado americano, ficando atrás apenas da China, segundo análise do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

O cálculo foi realizado considerando o volume dos produtos brasileiros exportados para os EUA em 2024 e as taxas aplicadas a cada produto, levando em conta descontos e isenções dos Estados Unidos para determinar a tarifa média efetiva paga pelos bens brasileiros.

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No final do mês passado, entraram em vigor novas tarifas de 25% impostas pelo presidente americano, Donald Trump, que são específicas para produtos brasileiros, baseadas em investigações sobre práticas comerciais consideradas injustas.

Além disso, foram aplicadas taxas entre 10% e 12,5% a vários países, incluindo o Brasil, referentes a acusações de uso de trabalho forçado na produção. Essas taxas substituíram a tarifa global de 10% que os EUA aplicavam ao mundo, e que expirou recentemente.

Antes dessas mudanças, a tarifa média aplicada ao Brasil era de 10,3%, enquanto para os concorrentes era de 9,5%. Com as novas taxas, a tarifa brasileira aumentou para 16,6%, e para outros países caiu para 9,1%.

Sergio Vale explica que a nova tarifa que substituiu a sobretaxa global de 10% tem muitas isenções, beneficiando a maioria dos países, mas deixando o Brasil com uma tarifa exclusiva mais alta, de 25%.

O governo do presidente Lula estima que 47,3% das exportações brasileiras são afetadas pelas tarifas impostas pelos EUA, incluindo sobretaxas aplicadas ao aço e ao alumínio previstas para 2025.

Constanza Negri Biasutti, gerente de política comercial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destaca que o Brasil está em situação difícil e a indústria está preocupada com a perda de competitividade causada por essas tarifas elevadas.

Sergio Vale alerta que o aumento das tarifas pode levar os compradores americanos a preferirem outros fornecedores em detrimento do Brasil, gerando uma queda nas exportações brasileiras para os EUA que pode variar entre US$ 1,7 bilhão e US$ 3,6 bilhões no primeiro ano, com possibilidade de queda ainda maior nos anos seguintes.

Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA foram de US$ 37,6 bilhões, uma redução de 6,7% em relação a 2024.

O economista lembra que, em um caso anterior, quando uma tarifa de 50% foi aplicada no ano passado, houve uma redução de cerca de 13% nas exportações afetadas, e mesmo após a suspensão da tarifa, as vendas continuaram 28% menores do que as dos produtos isentos.

Isso indica que a perda de mercado não é recuperada automaticamente, criando uma situação de incerteza que prejudica ainda mais o comércio, especialmente em setores industriais que dependem de contratos de longo prazo.

Welber Barral, sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados e ex-secretário de comércio exterior, ressalta que as exportações para os EUA já vinham diminuindo desde o ano anterior e que a diversificação para outros mercados tem ajudado a amenizar o impacto para alguns setores.

Segundo Barral, os exportadores mais prejudicados são principalmente os de commodities industriais, como produtos químicos, que têm margens de lucro pequenas e sofrem muito com o aumento da tarifa, e setores com forte concorrência estrangeira, como móveis, calçados, têxteis e vestuário.

Sergio Vale explica que a facilidade de redirecionar a venda para outros mercados varia conforme o tipo de produto. Produtos básicos e padronizados, como pedras, madeira, açúcar e sebo, tendem a perder volume rapidamente, mas são mais fáceis de vender para outros países. Já produtos manufaturados de alto valor, como máquinas, enfrentam riscos no médio prazo devido à duração dos contratos e à dificuldade de encontrar novos clientes.

Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, destaca que pequenas e médias empresas são as mais afetadas pela perda de competitividade porque têm mais dificuldade para direcionar seus produtos a novos mercados comparado às grandes multinacionais.

Segundo ela, o comércio exterior é muito competitivo, e enquanto grandes empresas conseguem atuar em vários mercados, para as pequenas e médias empresas, os custos para diversificação são mais altos, dificultando a adaptação frente às novas tarifas.

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