HELENA SCHUSTER
PELOTAS, RS (FOLHAPRESS)
A Petrobras encontrou indícios de petróleo na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, em águas muito profundas na costa do Amapá. Embora seja uma descoberta significativa, os efeitos práticos são limitados no curto prazo, segundo especialistas.
Mesmo sem testes finais, a estatal acredita que há grande chance de ser petróleo. Quando a área for melhor delimitada, será possível avaliar o impacto para o mercado e para a Petrobras.
Para especialistas, a notícia é positiva para a companhia, sobretudo para suas reservas. Roberto Ardhengy, presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), destaca que a descoberta confirma a teoria geológica da região, o que é uma informação valiosa, já que a maioria das perfurações costuma não ser comercialmente viável.
Ardhengy também ressalta que a Petrobras demonstra grande conhecimento técnico e capacidade para atuar em águas muito profundas.
Em comunicado, o IBP, que representa grandes empresas do setor, afirmou que o achado mostra que o Brasil tem boas perspectivas para produzir petróleo e gás natural em diferentes regiões, reforçando a segurança energética a médio e longo prazo.
Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, comenta que o mercado aguardava essa descoberta há anos, e que ela diminui o risco na margem equatorial. Ele destaca que a notícia é positiva para a reposição das reservas da Petrobras, especialmente considerando o pico de produção do pré-sal previsto para a década de 2030.
Embora o efeito no curto prazo seja pequeno, a maior certeza sobre a descoberta pode influenciar positivamente os investidores. Gastos para a perfuração podem também impactar o pagamento de dividendos.
David Zylbersztajn, ex-diretor da ANP, reforça a importância da descoberta para aumentar as reservas, dando mais segurança para que a Petrobras continue perfurando na região.
Adriano Pires, economista e indicado anteriormente para presidir a Petrobras, alerta que ainda é cedo para avaliar o impacto, pois não há dados oficiais. Ele também ressalta a importância da agilidade na liberação das licenças ambientais pelo Ibama.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, classifica a notícia como positiva para o longo prazo, mas prematura para alterar projeções de produção, lucro ou valor da empresa. Segundo ele, o próximo passo importante será a divulgação dos dados sobre o tamanho e viabilidade econômica da descoberta.
O poço Morpho, local da descoberta, fica a cerca de 175 km da costa do Amapá, em uma área com profundidade de 2.886 metros. A região é alvo de debates entre governo e grupos ambientalistas.
A descoberta foi feita no bloco FZA-M-59, na margem equatorial brasileira, onde a Petrobras é operadora e tem 100% da participação.
