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domingo, 29/03/2026

Tarcísio afirma que crime contra a policial Gisele será punido e classifica feminicídio como problema nacional

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ANDRÉ FLEURY MORAES E RAQUEL ATHAIDE
FOLHAPRESS

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou nesta terça-feira (24) que não permitirá que o crime cometido contra a policial Gisele Alves Santana, 32 anos, fique sem punição. Ela teria sido assassinada pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que está preso e nega a acusação, alegando que ela tirou a própria vida.

Esta foi a primeira vez que o governador falou publicamente sobre o caso, ocorrido há mais de um mês. Os dados mostram que, enquanto outros índices criminais diminuíram, os casos de feminicídio continuam altos no estado. Tarcísio ressaltou que pretende trabalhar para reduzir esse tipo de crime.

Ele também destacou que esse problema não é exclusivo de São Paulo, mas sim uma questão nacional, e mencionou investimentos em tecnologia para melhorar o combate ao feminicídio.

Entre as iniciativas estão o uso do aplicativo Mulher Segura e a intenção de criar um departamento na Polícia Civil dedicado exclusivamente a investigar crimes contra as mulheres, além de assegurar que mulheres tenham representação no conselho da corporação.

O tenente-coronel está preso após decisão da Justiça Militar, a pedido da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, que encontrou indícios de seu envolvimento na morte da esposa.

Gisele foi encontrada com um disparo na cabeça na sala onde o casal morava, na região do Brás, centro de São Paulo, na manhã de 18 de fevereiro. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, depois passou a ser tratado como morte suspeita e atualmente é investigado como feminicídio.

O oficial chamou o resgate e a polícia no dia do ocorrido, alegando que Gisele havia se disparado uma arma na cabeça.

Horas após a morte, o boletim de ocorrência já indicava dúvidas sobre essa versão, mencionando a possibilidade de o caso não ser suicídio.

A mudança na classificação aconteceu após análises periciais e relatos de um relacionamento conturbado entre o casal.

O exame realizado pelo Instituto Médico Legal identificou ferimentos no pescoço e no rosto de Gisele, o que contraria a hipótese de suicídio. Ainda, relatos de comportamentos abusivos do oficial foram coletados.

A perícia concluiu que as marcas no pescoço foram causadas por outra pessoa, mas ela não foi sufocada antes do disparo.

Mais de 200 casos de feminicídio em São Paulo em 2025

O estado de São Paulo registrou um aumento de 8,1% nos casos de feminicídio em 2025, totalizando 266 casos, o maior número desde 2018, quando começaram as estatísticas unificadas. Em 2024 foram 246 casos, segundo a Secretaria de Segurança Pública.

Em dezembro, 36 casos foram registrados, 12 a mais do que no mesmo mês do ano anterior.

A capital paulista também apresentou crescimento, com 60 casos em 2025, 22,4% a mais que em 2024, quando houve 49 casos. Em dezembro foram 4 registros, um a mais que em dezembro de 2024.

Desde a tipificação do crime em 2015 pela lei federal 13.104, os dados consolidados começaram a ser divulgados a partir de 2018, e desde 2023 o estado registra mais de 200 casos anuais, em tendência crescente.

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