LUIS EDUARDO DE SOUSA
FOLHAPRESS
Agora, quem tem dificuldade com jogos de apostas online, conhecidos como bets, pode receber ajuda gratuita pela internet.
O Ministério da Saúde criou um programa para apoiar essas pessoas, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, anunciado em dezembro passado. Essa iniciativa é parte de várias ações do governo para diminuir os impactos negativos das apostas digitais desde 2019.
A previsão é de atender cerca de 600 pessoas por mês. O acesso ao serviço é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, disponível para celulares Android e iOS, ou pelo site.
Para usar, é preciso entrar com a conta gov.br. Na tela inicial, clique em “Miniapps” e escolha a opção “Problemas com jogos de apostas?”.
O usuário fará um teste automático com perguntas para identificar sinais de risco. Se o risco for médio ou alto, a pessoa é encaminhada automaticamente. Se for baixo, o aplicativo indica que busque ajuda em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Essa ação vem por causa do aumento dos atendimentos a pessoas com problemas de jogos. Em 2025, o SUS fez 6.157 atendimentos presenciais ligados a apostas, quase o dobro dos 3.490 atendimentos em 2024.
O Ministério da Saúde acredita que esse número ainda é baixo porque muitas pessoas escondem suas dificuldades com apostas. “Estamos oferecendo o atendimento online porque, muitas vezes, quem tem esse problema não procura ajuda pessoalmente. É difícil admitir, e existe vergonha e muito preconceito”, disse o ministro Alexandre Padilha ao lançar o programa. Ele foi o primeiro a testar o serviço em uma simulação.
O investimento no programa é de R$ 2,5 milhões via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), que permite benefícios fiscais em troca de investimentos na saúde pública.
As consultas pelo teleatendimento duram 45 minutos. O atendimento é feito por psicólogos, terapeutas ocupacionais e psiquiatras, se necessário.

