A Síria está prestes a se tornar o quarto país a aderir ao Acordo Conjunto de Defesa de Meca, uma aliança militar formada pela Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, conhecida como a “Otan islâmica”. A informação foi divulgada pelo chanceler sírio, Asaad al-Shaibani, neste sábado (31/10).
Durante uma conferência no Bahrein, Asaad al-Shaibani afirmou que estão em andamento discussões para avaliar a entrada da Síria na aliança.
Estabelecida em agosto, a aliança funciona de maneira semelhante à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Seus membros se comprometem a agir em conjunto caso algum dos países aliados seja atacado.
O acordo foi firmado após a retomada dos conflitos entre a Arábia Saudita e os Houthis do Iêmen. Em julho deste ano, a trégua estabelecida em 2022 pela Organização das Nações Unidas (ONU) foi quebrada, com hostilidades reiniciadas após acusações mútuas de ataques ao Aeroporto Internacional de Sanaa.
Os Houthis responderam com ataques contra o território saudita e bloquearam embarcações no Estreito de Bab el-Mandeb. Desde 2015, a Arábia Saudita lidera uma coalizão militar em apoio ao governo do Iêmen contra o grupo Houthi.
Se a Síria concretizar sua entrada nessa aliança, será um importante marco de mudança na sua política externa desde a queda do ex-presidente Bashar al-Assad, ocorrida em dezembro de 2024.
Após o início da guerra civil na Síria em 2011, tanto a Turquia quanto a Arábia Saudita se posicionaram contra o governo de Bashar al-Assad. Há relatos de que a Turquia chegou a financiar grupos que buscavam derrubar o ex-presidente, que atualmente está exilado na Rússia.
No entanto, com a ofensiva liderada pelo atual presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, as duas potências regionais se aproximaram novamente do governo de Damasco.
Esse movimento também foi apoiado pela comunidade internacional, mesmo com o passado de Ahmed al-Sharaa ligado ao jihadismo, com conexões à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico (ISIS). Nos últimos anos, ele adotou uma postura mais pragmática, prometendo inclusão e unificação dentro da Síria.

