O ex-presidente Donald Trump compartilhou em sua rede social, Truth Social, uma imagem que apresenta a Groenlândia como uma base aérea militar dos Estados Unidos, destacada por uma grande bandeira americana. A postagem feita no sábado (31/10) não continha legendas, apenas a frase “Welcome to Greenland” (Bem-vindos à Groenlândia).
A Groenlândia, apesar de estar na América do Norte, é um território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, na Europa. Possui seu próprio governo, parlamento, primeiro-ministro e infraestrutura independente para serviços como saúde e educação. O governo dinamarquês mantém responsabilidade sobre defesa militar e política externa, além de fornecer subsídios financeiros ao território.
Donald Trump valoriza a Groenlândia por suas vastas dimensões — a maior ilha do mundo com cerca de 2.166.086 km² — e seus recursos naturais, incluindo reservas de terras raras e metais essenciais. A ilha também possui localização estratégica no Ártico, fundamental para controlar movimentações militares e comerciais da Rússia e China, especialmente com o potencial derretimento do gelo e a abertura de novas rotas marítimas.
Durante seu primeiro mandato, Trump chegou a manifestar interesse em comprar a Groenlândia da Dinamarca, comparando a ideia a um grande negócio imobiliário. A proposta foi prontamente rejeitada pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que declarou que a ilha não estava à venda.
Em seu segundo mandato, conquistar a Groenlândia tornou-se uma prioridade ligada à segurança nacional dos EUA. Trump enviou um representante especial para preparar a integração do território e ameaçou aplicar tarifas elevadas para pressionar a Dinamarca e aliados europeus, afirmando que o controle seria alcançado “por bem ou por mal”, inclusive com possível uso de força militar.
Devido à forte resistência da população local, do parlamento da Groenlândia e da Dinamarca, e para evitar conflitos com a OTAN, Trump assinou o Acordo de Segurança do Ártico em setembro na sede da ONU. No acordo, a soberania dinamarquesa e a autodeterminação do povo groenlandês foram reafirmadas, mas os EUA obtiveram importantes concessões estratégicas:
- Reativação e construção de duas bases militares americanas na Groenlândia;
- Modernização e ampliação da base espacial norte-americana em Pituffik;
- Permissão para aeronaves e embarcações americanas operarem plenamente em toda a Groenlândia;
- Proibição da instalação de bases militares permanentes de países fora da OTAN;
- Restrições para investidores fora da OTAN e União Europeia em setores sensíveis como portos e aeroportos;
- Obrigação da Groenlândia de permanecer na OTAN, mesmo em caso de independência futura;
- Assunção de controle permanente dos EUA sobre as necessidades de defesa estratégica na ilha.
Embora o acordo tenha sido firmado na ONU, ainda depende da aprovação dos parlamentos da Dinamarca e da Groenlândia para que entre plenamente em vigor.

