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quinta-feira, 26/02/2026

Sindicatos condenam ataque a jornalista na Câmara

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Em Brasília

Organizações ligadas ao jornalismo manifestaram sua indignação nesta quarta-feira (24) contra um ato de agressão sofrido pela jornalista Manuela Borges, do Portal ICL Notícias, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília, ocorrido na tarde de terça-feira (23).

As entidades qualificaram o ocorrido como “inaceitável e absurdo” e ressaltaram que houve “grave violência” e “coação” contra a profissional que exercia seu trabalho dentro do parlamento. O comunicado é assinado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), pelo Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF, pela Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e pela Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ.

Manuela Borges foi cercada e intimidada por cerca de 20 servidores de gabinetes parlamentares depois de questionar deputados do PL sobre a instalação de outdoors com imagens da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) no Distrito Federal. Ela cobria uma entrevista de parlamentares opositores ao governo, que contava com a presença de assessores e pessoas filmando sem credencial. Após sua pergunta, simpatizantes dos políticos aproximaram celulares do seu rosto e houve gritos para intimidá-la.

“Nosso papel é fazer perguntas. Independentemente de quem seja, não podemos aceitar violência por isso”, afirmou Manuela em entrevista.

As organizações destacaram que o cerco agressivo a uma mulher jornalista tem o objetivo de calar questionamentos e enfraquecer a presença feminina nos espaços de poder. “A liberdade de imprensa é um pilar essencial da democracia e não pode ser limitada por coação física e psicológica feita por servidores públicos pagos com recursos da sociedade”, frisou o comunicado.

Segundo os representantes, a violência ultrapassa o ataque individual à profissional, sendo um ataque à categoria dos jornalistas, à profissão e ao jornalismo. Também foi notado que a Polícia Legislativa presente no local não agiu para proteger a integridade da jornalista.

No comunicado, solicitam à presidência da Câmara uma investigação imediata e rigorosa do ocorrido e a responsabilização administrativa e legal dos servidores e parlamentares envolvidos. Requerem ainda medidas de segurança que assegurem o livre exercício da profissão em todas as áreas do Congresso Nacional. Os representantes vão apresentar uma denúncia formal à presidência da Câmara com imagens e vídeos para identificar os agressores, que incluíam pessoas com crachá de servidores de gabinetes parlamentares e militantes políticos.

Ainda assim, Manuela Borges garantiu que não será intimidada e continuará seu trabalho na Câmara dos Deputados, onde atua há mais de 20 anos. Em 2014, ela também foi insultada pelo então deputado federal Jair Bolsonaro após perguntas sobre o golpe de 1964.

O Partido Liberal e a presidência da Câmara ainda não se posicionaram sobre o caso. O espaço está aberto para manifestação.

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