NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
Suspeitas de que dois funcionários do Banco Central, Paulo Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do departamento de supervisão bancária, estejam envolvidos no caso Master, deixaram os colegas de trabalho preocupados e desanimados.
De fontes que preferiram não se identificar, foi revelado que há receio de que essa situação prejudique a imagem dos técnicos do BC. A confiança no órgão pode ser afetada de forma negativa.
Os dois servidores foram alvo de uma operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4). O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, ordenou que ambos usem tornozeleira eletrônica.
Segundo a decisão, Souza e Santana teriam atuado como consultores privados para o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, recebendo propina. Entre os benefícios recebidos, está uma viagem para a Disney, cujo custo foi pago pelo dono do banco.
Entre os funcionários do BC, há surpresa e descrença com a notícia. Alguns relatam ter ficado muito abalados. Apesar disso, os servidores evitaram fazer julgamentos antes do fim das investigações.
A Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB), que representa parte dos servidores, afirmou que considera a situação muito séria.
“Condutas irregulares devem ser investigadas com rigor e, se provadas, punidas seguindo o processo legal”, declarou a ANBCB.
A associação destacou que o BC agiu rapidamente ao acionar seus controles internos e afastar temporariamente os envolvidos.
“Casos como esse reforçam a importância de fortalecer a governança e os mecanismos internos de integridade. Instituições sólidas são aquelas que conseguem identificar e corrigir seus erros com determinação”, acrescentou a nota.
O Banco Central comunicou que está investigando internamente os indicativos de vantagens indevidas por parte dos servidores, sob sigilo pela corregedoria.
“Imediatamente, o BC afastou os servidores de suas funções e do acesso às dependências e sistemas da instituição, instaurou procedimentos para apurar os fatos e comunicou as suspeitas à Polícia Federal”, informou o BC em nota.
A instituição afirmou acreditar que a investigação da PF é um passo fundamental para esclarecer os fatos e destacou que as condutas irregulares serão punidas conforme a lei, respeitando o direito de defesa.
Fontes internas afirmaram que as ações foram tomadas rapidamente após a identificação das suspeitas, que caracterizam condutas isoladas, e que a governança do BC funcionou. A liderança do BC acredita que a instituição será preservada.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o Banco Central tem revisto internamente o processo de fiscalização relacionado ao Banco Master, desde a ampliação do grupo de Vorcaro até a liquidação do banco em novembro de 2025. Souza e Santana deixaram seus cargos no início do ano após já terem sido afastados pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo.

