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Sem consentimento expresso, igrejas usam tecnologia para vigiar fiéis

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Instituições religiosas fecham negócios com empresas que atuam com monitoramento e reconhecimento facial

Igrejas vigiadas: reportagem da Agência Pública mostra investimento de instituições religiosas em tecnologias de monitoramento (Reprodução/Agência Pública)

Entre os dias 17 e 20 de outubro de 2019, o Centro de Exposições Anhembi, na zona norte de São Paulo, sediou a 15ª ExpoCristã – maior evento voltado para o público cristão da América Latina. Entre shows de música gospel, simulações virtuais de episódios bíblicos e estandes de editoras evangélicas, duas empresas se destacaram com produtos na área de tecnologia.

Com o slogan “mude a maneira de operar sua igreja”, a Kuzzma, empresa estrangeira de inteligência artificial, lançou seu serviço de reconhecimento facial voltado para igrejas no Brasil. Em um estande luxuoso, revendedores associados apresentaram a tecnologia para pastores interessados. O CEO da empresa, Marcelo Scharan, ainda realizou uma palestra intitulada “Personalização, dados e igreja” no primeiro dia de evento.

Hebert Paes Leme, organizador da ExpoCristã, e Paulo Oliveira, vendedor da Kuzzma, no estande da empresa durante o evento (Reprodução/Agência Pública)

O serviço de reconhecimento facial também estava sendo vendido pela brasileira Igreja Mobile durante o evento. “Hoje em dia quem não deseja ter o controle do seu ambiente? De quem entra e quem sai? Nas igrejas nós constatamos que eles queriam muito saber disso e por isso trouxemos essa tecnologia”, explica Luís Henrique Sabatine, diretor de desenvolvimento da empresa, que oferece ainda o serviço de transmissão ao vivo de cultos e eventos religiosos.

Rita Cardamone e Flávio Carrer no estande da Igreja Mobile na 15ª ExpoCristã (Reprodução/Agência Pública)

Vigilância em nome de Deus

Segundo o site da Kuzzma, o reconhecimento facial funciona a partir de uma câmera panorâmica de alta resolução instalada nas igrejas, identificando informações pessoais e assiduidade dos fiéis nos cultos. A partir disso, são gerados relatórios para cada pessoa, incluindo estatísticas sobre seu comportamento e até avisando em casos de atividade considerada anormal. “Dados como sexo, idade, frequência, horário de chegada, motivos prováveis de atraso e muitos outros são analisados e apresentados em relatórios. Conseguimos definir em nossas métricas até mesmo se alguém precisa de uma visita pastoral”, disse o CEO da empresa em entrevista à ExpoCristã.

Site da Kuzzma mostra relatórios gerados a partir do serviço de reconhecimento facial (Reprodução/Agência Pública),

Representantes da empresa, no entanto, não quiseram dar entrevista para a Agência Pública a fim de esclarecer as dúvidas no serviço. “A Kuzzma optou por não falar publicamente sobre o assunto, por se tratar de um tema delicado”, afirmou por e-mail o vendedor Rafael Melo.

“Pague apenas pelo que você usa”, site da Kuzzma apresenta pacotes de preços para o serviço de reconhecimento facial (Reprodução/Agência Pública)

A empresa começou a oferecer o reconhecimento facial no Brasil em outubro e não divulgou clientes ou parcerias. Segundo o site em inglês, o preço do serviço varia conforme o número de eventos em que será utilizado e o número de câmeras, começando com uma mensalidade de US$ 200 para um evento por semana com uma câmera instalada.

Câmera panorâmica para o reconhecimento facial oferecido pela Kuzzma (Reprodução/Agência Pública)

Página inicial Kuzzma (Reprodução/Agência Pública)

No Brasil, a empresa é representada por Marcelo Scharan Augusto, sócio das empresas Eletrica Stillo Ltda., de material elétrico, e Pier Cloud Consultoria Eireli, de serviços de hospedagem em internet e provedor de dados. Não é possível encontrar a representação estrangeira da Kuzzma, e seu site não está registrado no domínio de nenhum país. O endereço https://54.85.50.60 leva o usuário à página da empresa, sem informações para contato.

De maneira parecida, a concorrente oferece o serviço de reconhecimento facial voltado para eventos cristãos há cerca de um ano. A Igreja Mobile utiliza software da TecVoz, empresa de segurança eletrônica, mas com especificidades voltadas para as necessidades das igrejas.

Uma câmera comum captura as imagens e as envia para um computador capaz de reconhecer rostos e mais informações sobre essas pessoas. “Nós conseguimos definir para o cliente a assiduidade do usuário, contagem de pessoas, humor do usuário, se ele está feliz, se está triste, se está angustiado, com medo. Nós conseguimos definir isso tudo”, explica o diretor de desenvolvimento, Luís Henrique Sabatine.

Site da Igreja Mobile apresenta utilidades do serviço de reconhecimento facial (Reprodução/Agência Pública)

A Igreja Mobile oferece relatórios de quantidade de pessoas presentes, gênero, idade média dos fiéis, assiduidade e análise de sentimento, conforme divulgado no próprio site. Os preços dos pacotes variam e não são divulgados pela empresa.

Segundo Sabatine, cerca de 40% dos clientes da Igreja Mobile – 160 igrejas – utilizam o serviço de reconhecimento facial. O resto utiliza apenas o serviço de transmissão ao vivo dos cultos oferecido pela empresa, que não quis dar nome aos clientes.

A Igreja Mobile pertence a Flávio Carrer Domingues e Rita Cardamone e foi fundada no final de 2018 com o serviço de transmissão ao vivo para igrejas. No início de 2019 começaram a oferecer o reconhecimento facial. Segundo o diretor de desenvolvimento da empresa, “o ponto diferencial é o nicho [cristão], realmente”.

Carrer e Cardamone são evangélicos. Rita é diretora regional da Jethro Internacional, faculdade americana de capelania e inteligência espiritual, no Recreio, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro e sócia de uma empresa de venda de cursos. Já ele é sócio da Carrer e Dom Segurança Eletrônica e Automação.

Igrejas vigilantes

A Igreja Evangélica Projeto Recomeçar, localizada no bairro de Xerém, na zona oeste do Rio de Janeiro, é uma das clientes da Igreja Mobile. O pastor responsável, Cláudio Duarte, fez vídeo promovendo a empresa nas redes sociais. “A Igreja Mobile é um produto que permitirá sua mensagem chegar em lugares que você nunca imaginaria”, diz.

Vídeo promocional da Igreja Mobile no Facebook (Reprodução/Agência Pública)

Segundo Sabatine, foi o próprio pastor que trouxe a demanda pela tecnologia de reconhecimento facial. “Nas conversas e trocas de ideia, ele [pastor Cláudio Duarte] tocou nesse assunto e nós gostamos bastante e implementamos”, conta.

O Projeto Recomeçar utiliza a tecnologia desde o início de 2019, sendo um dos primeiros clientes, e avalia o serviço positivamente. “Nós utilizamos [o reconhecimento facial] para dar uma maior assistência aos membros que não estão vindo aos cultos”, conta Caio Duarte, responsável pela área de TI da igreja.

Em São Paulo, a Igreja da Restauração, na zona norte da cidade, começou recentemente a utilizar a tecnologia para controle de público. “A gente fica sabendo em média quantas pessoas vêm em cada culto semanal. Pra gente é bem importante ter esse retorno”, relata Sabrina Marciano, da comunicação da igreja.

Site da Igreja da Restauração direciona para transmissão ao vivo de cultos oferecida pela Igreja Mobile (Reprodução/Agência Pública)

Outros clientes da Igreja Mobile disseram não utilizar o reconhecimento facial, mas têm interesse em implementar em breve. É o caso da comunidade evangélica Estrela da Manhã, que por enquanto só realiza as transmissões ao vivo.

“O trabalho que eles nos apresentaram é um trabalho que ajuda bastante porque você tem como saber quantos membros estão [no culto], quantas vezes o membro veio pra igreja, quantas vezes o membro não veio. Isso, para a mensagem da igreja, ajuda muito. E também a possibilidade de conseguir fazer a pessoa ofertar, da pessoa dizimar”, conta Lilian Ietto, representante da Estrela da Manhã.

Coleta sem consentimento

Segundo o diretor de desenvolvimento da Igreja Mobile, a tecnologia de reconhecimento facial oferecida precisa ser alimentada com dados de fiéis, como nome e foto, para poder gerar os relatórios individuais para cada um. Nesse momento de registro, os fiéis assinam termo consentindo o uso dos dados pela igreja. “A gente leva os membros, eles registram a face no nosso software lá e assinam o termo dizendo que a igreja irá utilizar da imagem dele para o reconhecimento facial, porque o banco de dados não fica com a Igreja Mobile. Isso fica com o cliente”, esclarece.

No entanto, nem a Igreja da Restauração nem o Projeto Recomeçar firmaram termo de uso de dados com os fiéis. “A gente anunciava nos cultos, mas nada de assinatura”, admite Sabrina Marciano, justificando que a igreja se encontra em reforma e que posteriormente isso será implementado.

A reportagem pediu acesso ao contrato citado, mas a Igreja Mobile preferiu não compartilhar.

Para o técnico de TI do projeto Recomeçar, o consentimento dos fiéis fica expresso no momento em que eles fazem cadastro com foto no software da Igreja Mobile. “Creio que isso já seja um termo de que elas aceitam.”

Especialista em uso de dados pessoais, Joana Varon, diretora da organização Coding Rights (Direitos de Código, em tradução livre), explica que esse tipo de consentimento não é suficiente. Para ela, o fiel que já frequenta a igreja pode se sentir coagido a aceitar os termos caso deseje continuar frequentando os cultos. “As pessoas vão deixar de ir ao culto? Elas têm essa opção se elas já fazem parte da igreja? É preciso estar em uma posição em que seu consentimento ou não não limite o seu acesso”, defende.

Além disso, Joana lembra que informações biométricas, como o reconhecimento facial, são consideradas “sensíveis” pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPDP). Também merecem atenção especial pela legislação brasileira os dados relacionados à convicção religiosa ou filiação a organização de caráter religioso.

A LGPDP, ou Lei nº 13.709/2018, determina que dados pessoais sensíveis só poderão ser utilizados “quando o titular ou seu responsável legal consentir, de forma específica e destacada, para finalidades específicas”, ou em hipóteses extremas como o cumprimento de obrigações legais. Dessa forma, o consentimento não formal, como os citados pelas igrejas, não é suficiente. “A gente tem que saber muito claramente para que fins é a coleta de todos esses dados”, explica Joana.

Inspiração estrangeira

O reconhecimento facial de fiéis não é exclusividade brasileira. Ainda em 2015, uma empresa especializada nessa tecnologia chamada Face-Six, com sede em Israel e em Las Vegas, nos EUA, criou um software especializado para igrejas: o ChurchIX.

A empresa foi fundada por Moshe Greenshpan e a tecnologia já foi instalada em mais de 200 igrejas pelo mundo. No Brasil, o ChurchIX ainda não chegou, mas não por falta de interesse. “Nós temos grande interesse pelo Brasil, mas tivemos obstáculos com o preço do serviço. Agora, oferecemos uma solução com melhor custo-benefício que pode solucionar esse problema”, declarou em nota à Pública.

Em entrevista ao Washington Post, Greenshpan disse que a tecnologia pode ser útil para igrejas controlarem melhor seu público e impacto, além de conseguir retorno financeiro. “Se as igrejas virem que um membro vai frequentemente ao culto, elas vão se sentir mais confortáveis para ligar para ele e pedir doações.”

Segundo a empresa, o ChurchIX é um software bem parecido com o utilizado para fins de segurança, mas possui ferramentas especiais voltadas para monitorar a assiduidade dos fiéis. A tecnologia pode ser aplicada a qualquer câmera, mas funciona melhor com imagens de alta resolução.

Site da ChurchIX apresenta ferramenta de reconhecimento facial para igrejas. “Conheça seus membros” (Reprodução/Agência Pública)

Também não é necessária uma base de dados prévia para que o reconhecimento facial seja feito. O software reconhece faces repetidas e cria usuário mesmo sem saber o nome da pessoa, que pode ser incluído pela igreja depois.

A Face-Six ainda admite que na maioria dos casos o reconhecimento facial seja feito sem o consentimento dos fiéis.

*Este conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Pública – https://apublica.org

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Guerra do streaming: Directv Go chega com esporte ao vivo e 90 canais

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Serviço de streaming chega ao país com possibilidade de acesso a jogos ao vivo, além de séries e filmes sob demanda

NFL: disponibilidade de canais e transmissão de eventos esportivos é diferencial da Diretv Go (Mark Rebilas/Reuters)

O diferencial do Directv Go para competir com nomes como Disney+, Netflix, Amazon Prime Video e Globoplay, que contam com uma grande indústria de produção por trás e apostam nos títulos desenvolvidos internamente e nos licenciamentos, é a oferta de mais de 90 canais, no modelo TV a cabo — com o diferencial que agora não tem cabo nenhum, senão o da internet. O Diretv Go pretende garantir acesso via streaming aos principais canais da rede aberta, como SBT, Band, Record e Globo, além de fornecer a possibilidade de acesso a eventos ao vivo e esportes com Fox Sports, ESPN, SporTV e outros.

Além dos esportivos, outros canais “tradicionais” dos serviços de TV a cabo estarão disponíveis como TNT, Space, Cinemax, Nickelodeon, entre outros com disponibilidade de filmes e séries. O serviço também conta com um catálogo de filmes e séries sob demanda que podem ser vistos via streaming, como The Handmaid’s Tale, os filmes da saga Harry Potter ou Coringa. Sem necessidade de custo de instalação, aquisição de equipamentos ou cabos, o Directv Go chega com o custo de R$ 59,90 e quem assinar durante o primeiro mês leva gratuitamente acesso aos canais HBO durante 5 anos.

Segundo Estanislau Bassols, presidente na Sky no Brasil, a novidade está em oferecer filmes e séries com recência, além de um grande número de atrações ao vivo e de entretenimento esportivo. “Ter isso tudo junto numa única plataforma é a novidade”, disse. Segundo ele, a ideia é oferecer atrações que outros serviços de streaming não têm ao mesmo tempo que facilita o acesso aos canais por assinatura em um modelo de produto digital, em que a aquisição é feita por aplicativo, sem complicações, prazos de permanência ou necessidade de instalação.

A Directv Go também compete com outros serviços de IPTV no Brasil que fornecem transmissão de canais de televisão, como a Pluto TV, ou a Claro Box TV, que necessita de um aparelho à parte para conectar os canais. O serviço está disponível por aplicativos e pode ser visto no Chromecast, Amazon Fire TV, Apple TV, Android TV, Roku e Elsys Smarty. A plataforma também estará disponível em SmartTVs das marcas Samsung, Sony e Sharp e nos navegadores da web Google Chrome, Microsoft Edge e Firefox. Para assinar basta acessar o site.

O cenário será acirrado para a empresa no país. Além de outros serviços de IPTV, há ainda a briga entre as gigantes Disney, Netflix e Amazon, que já têm, respectivamente, 73 milhões, 200 milhões e 150 milhões de assinantes pelo mundo.

Esse é um mercado quente em 2020, e que cresceu na esteira do isolamento causado pelo pandemia de covid-19. A consultoria Strategy Analytics prevê um total de 949 milhões de assinantes de serviços de streaming até o fim do ano, 5% mais do que a estimativa calculada antes da pandemia. Em 2019, eram 805 milhões de assinantes. Com isso o faturamento do mercado, que alcançou 24 bilhões de dólares no ano passado, também tende a acelerar.

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Conheça o Discord, app de comunicação que pode valer 7 bi de dólares

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Serviço de bate-papo que ganhou popularidade durante a quarentena pode dobrar seu financiamento em menos de um ano

Aplicativo Discord (Divulgação/Fonte padrão)

Se você se reuniu virtualmente com amigos nos últimos meses, talvez tenha ouvido falar do Discord. O aplicativo permite realizar chamadas de vídeo, áudio ou conversas via chat, funções que o levaram a ter um crescimento explosivo na quarentena.

Hoje, a empresa está perto de fechar uma nova rodada de financiamento que pode avaliá-la em quase 7 bilhões de dólares — quase o dobro do que tinha alguns meses atrás.

De acordo com reportagem da TechCrunch, o novo financiamento surge meses depois de um investimento de 100 milhões de dólares que levou a empresa a uma avaliação de 3,5 milhões. Atualmente, seus principais investidores são a Index VenturesGreylockBenchmark e Tencent Holdings.

Disponível para celular ou desktop, o Discord teve seu sucesso inicial com a comunidade gamer, que utiliza o serviço para conversar durante jogos. Em outubro, chegou a receber 800.000 downloads por dia quando o jogo multiplayer “Among Us” viralizou nas redes sociais.

Mas, como afirmaram os co-fundadores Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy em uma postagem em julho, o aplicativo alcançou outras esferas sociais: “Acontece que, para muitos de vocês, não se tratava mais apenas de videogames”, dizem.

Citron e Vishnevskiy descrevem o Discord como “um lugar para ter conversas genuínas e passar tempo com as pessoas”, projetado para o usuário ficar no conforto de seus próprios grupos ao dividi-los em servidores, ferramenta que se assemelha as comunidades do Orkut.

Apesar da diversidade em quem utiliza o serviço atualmente, a empresa já teve um escândalo em 2017 por conta de grupos de supremacistas brancos que passaram a usar o Discord para promover discurso de ódio pelo aplicativo.

Para combater o crescimento dessas comunidades, a empresa criou a “Central de Segurança” e passou a aplicar as regras e regulamentos que garantem “uma experiência segura, positiva e inclusiva”.

Em vez de usar anúncios, o Discord concentra seu crescimento em assinaturas, oferecendo um plano opcional chamado Nitro para usuários interessados em personalizar seus perfis.

O Nitro, que cobra 5 dólares por mês (aproximadamente 26 reais), tinha cerca de 1 milhão de assinantes em junho, um número que tende a crescer à medida que o aplicativo recebe mais atenção do público geral. Hoje, o Discord tem 120 milhões de usuários ativos mensais.

O co-fundador da Index Ventures, Danny Rimer, um dos investidores que apoiou o investimento de 100 milhões de dólares no Discord em junho, é um grande defensor da visão da empresa.

“Acredito que o Discord é o futuro das plataformas”, escreveu Rimer em um comunicado. “Em vez de jogar conteúdo em cima de você, como o Facebook, ele fornece uma experiência compartilhada para você e seus amigos”, diz.

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Por que a Xiaomi se chama assim? A origem do nome foi finalmente explicada

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Empresa chinesa quase foi chamada de “Red Star” ou “Black Rice”, mas executivos mudaram de ideia e decidiram adotar o nome atual

Xiaomi: companhia ganhou este nome após uma reunião dos fundadores com investidores (SOPA Images / Colaborador/Getty Images)

Lei Jun, executivo que comanda a Xiaomi, resolveu explicar a origem do nome da fabricante chinesa de aparelhos eletrônicos – e que recentemente ultrapassou a Apple no mercado de smartphones. A história é curiosa e mostra que por pouco a companhia não teve um nome totalmente americanizado.

De acordo com o executivo, em entrevista para o site GizChina, nomes como “Red Pepper”, “Red Star” e “Black Rice” foram colocados em discussão, mas nenhum agradou completamente aos executivos. A ideia era dar um nome tive pronúncia simples para consumidores do mundo inteiro e não apenas na China.

Jun afirma que em determinado momento da reunião se lembrou de uma de suas frases favoritas, que diz “Buda vê um grão de arroz com tanta atenção como quando olha para o monte Meru”, montanha sagrada mitológica na Tanzânia e que faz parte das culturas hindu, jainista e budista.

Em chinês, a palavra arroz é traduzida para o termo “Mi”. Os executivos gostaram e o nome passou a ser considerado. Só que Mi não era o suficiente. Com medo de que o ambiente online fosse muito evasivo, executivos sugeriram que a companhia adotasse o prefixo Xiao (que significa “pequeno”, em chinês). Daí nasce o nome Xiaomi, ou pequeno grão de arroz.

Nomes de empresas são curiosos. A Apple, por exemplo, é chamada desta forma porque Steve Jobs, cofundador da empresa, estava fazendo uma dieta a base de frutas e havia acabado de visitar uma fazenda de maçãs. Ele achou que o nome da fruta era simples, divertido e pouco intimidador.

A sul-coreana Samsung, por sua vez, adotou o nome que, em coreano, pode ser traduzido para “três estrelas”. As estrelas seriam uma forma da companhia enxergar um futuro em que pudesse alcançar o estrelato. O número três é visto na cultura local como poderoso (da mesma forma que o número 7 é considerado como “de sorte” e 13 poderia significar “azar”.

 

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“Estamos sendo usados na disputa entre superpotências”, diz Huawei

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Diretor global da Huawei, Marcelo Motta, acredita que muitos países podem reavaliar seu posicionamento em razão da mudança no governo dos Estados Unidos

5G: Até o terceiro trimestre de 2020, a Huawei registrava receitas de US$ 100 bilhões, alta de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior (Hannibal Hanschke/Reuters)

Principal alvo da pressão americana no 5G e acusada de ser um braço de espionagem do governo chinês, a Huawei diz esperar “racionalidade” do governo brasileiro na decisão que norteará o futuro da tecnologia no País.

“Estamos sendo usados para uma disputa entre duas superpotências mundiais”, diz o diretor global de cibersegurança da empresa chinesa, Marcelo Motta, ao Estadão/Broadcast. Segundo ele, muitos países podem reavaliar seu posicionamento em razão da mudança no governo dos Estados Unidos, com a vitória do democrata Joe Biden, enquanto outros adiaram sua decisão em razão disso.

Nove dias após o subsecretário para Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente do Departamento de Estado dos EUA, Keith Krach, pregar o banimento da Huawei no Brasil, a direção mundial da empresa reagiu. Na terça-feira, a Embaixada da China em Brasília reagiu à acusação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, de que o país praticaria espionagem por meio de sua rede de tecnologia 5G.

Brasileiro, Motta está na Huawei desde 2002 e vive na China há oito anos, quando assumiu a chefia global da área de cibersegurança da empresa. Ele relata que as acusações sobre a empresa não são novas, mas subiram de tom quando a Huawei começou a se expandir. Mundialmente, a empresa faturou US$ 123 bilhões em 2019, aumento de 19% ante 2018. Até o terceiro trimestre de 2020, a Huawei registrava receitas de US$ 100 bilhões, alta de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estima que a Huawei esteja presente em algo entre 35% a 40% das redes atuais. Banir a empresa é uma decisão que depende de decreto presidencial – até agora, não há um posicionamento claro sobre o tema.

Qual a expectativa da Huawei em relação à decisão do governo brasileiro no 5G?

Esperamos que a racionalidade impere e que qualquer decisão não seja tomada com base em rumores. Fazemos todo o esforço para mostrar nossa transparência e expressar isso para além das operadoras, mas também para o governo. Estamos ativamente em contato com governo e Congresso. Colocamos nossos equipamentos à disposição para testes com seu próprio time de técnicos, para que o governo se blinde de comentários externos e tome suas decisões de forma soberana. É nesse sentido que temos atuado e estamos confiantes de que a racionalidade vai prevalecer. Nossa exclusão faria com que muitos processos envolvendo o 5G atrasassem no País. Seria uma pena de isso de fato ocorrer.

O que a Huawei tem feito para rebater as acusações de espionagem por parte de outros países?

Segurança cibernética e proteção de dados são prioridades máximas para a empresa e isso é de longa data. Sabemos que estaremos acabados se tivermos qualquer problema nessa área. Por isso, aprimoramos o processo de governança em segurança cibernética. Laboratórios independentes testam cada solução antes que ela seja lançada no mercado. Somos a única empresa a ter centros globais de segurança cibernética, em Dongguan (China) e Bruxelas (Bélgica). Nesses centros, clientes, operadoras e governos podem ter acesso ao código-fonte de nossas soluções e fazer auditorias usando seu pessoal e ferramentas, para que tirem as próprias conclusões, sem a influência de acusações infundadas e sem provas.

Como a Huawei vê a pressão dos EUA pela adesão do Brasil à Clean Network e pelo banimento da companhia?

A iniciativa Clean Network não cobre única e exclusivamente telecom, mas aplicativos, smartphones e cabos intercontinentais submarinos. O nome Rede Limpa” é bonito, e quem não conhece pode até cair e se deixar seduzir, mas a definição está na página da Clean Network na internet. O objetivo é muito claro: tirar qualquer fornecedor chinês do espaço cibernético. O problema não é específico contra a Huawei. Estamos sendo usados para uma disputa entre duas superpotências.

Quais benefícios o 5G pode trazer para a economia mundial?

Quando o 5G estiver instalado e desenvolvido, os benefícios vão muito além de velocidade alta e tempo de resposta baixo. Em vez de um único fornecedor global de aplicativos, muitos aplicativos serão locais, desenvolvidos primordialmente por empresas locais. No agronegócio e na manufatura inteligente, o processamento de dados de aplicações será local. O 5G trará investimento para as economias com ganhos de eficiência e desenvolvimento. Quando se colocam restrições para o avanço do 5G, simplesmente se trava o desenvolvimento da economia local.

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Apple pode parar produção de iPad e MacBook na China por guerra comercial

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A maçã americana não caiu longe da árvore e quer evitar se tornar vítima da guerra comercial iniciada por Donald Trump

Apple: companhia quer evitar se tornar vítima de guerra comercial (SOPA Images / Colaborador/Getty Images)

A Apple pode estar prestes a deixar de fabricar seus iPads e MacBooks na China como uma resposta à guerra comercial entre o país asiático e os Estados Unidos, que tem sido aquecida nos últimos anos com o governo do republicano Donald Trump. A informação é da agência de notícias Reuters e indica que o próximo destino das fábricas dos dispositivos da Apple pode ser o Vietnã. Se o fato se concretizar, esta será a primeira vez que um iPad será produzido fora do território chinês.

O pedido da mudança de parte da fabricação dos produtos foi feito à gigante Foxconn, maior fabricante de componentes eletrônicos no mundo. Uma fonte especializada no assunto disse à Reuters que a Apple quer “diversificar sua cadeia de suprimentos”.

A Foxconn está construindo linhas de produção para o iPad e o MacBook em sua planta no Vietnã e deve ficar pronta já na primeira metade de 2021, segundo a Reuters, que não identificou quais modelos dos dispositivos não serão mais fabricados na China e qual é a porcentagem exata dos produtos que deixarão de ser fabricados no país. Cerca de 270 milhões de dólares estão sendo investidos pela companhia taiwanesa para a extensão fabril.

Essa não é a primeira mudança da Apple em termos de produção para evitar os efeitos da guerra. No começo deste ano, a produção de unidades dos fones de ouvido AirPod Pro foram transferidas para o Vietnã. Alguns modelos do iPhone também começaram a ser produzidos na Índia durante um curto período de tempo.

A decisão da Apple é um movimento claro para evitar ficar no centro de forças geopolíticas. Apesar de ter conseguido evitar algumas das tarifas impostas à China pelos Estados Unidos, a companhia liderada por Tim Cook parece estar preferindo evitar qualquer tipo de dependência chinesa para se tornar “menos vulnerável” a futuras decisões de ambos os países.

À Reuters, a Foxconn afirmou que “não comenta nenhum aspecto de nosso trabalho para nenhum cliente ou produtos” como “política da companhia” e por “razões de sensibilidade comercial”.

Parece, então, que a maçã americana não caiu longe da árvore — e quer se distanciar ao máximo da China para não acabar se tornando vítima.

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Carro da Tesla é hackeado em dois minutos; veja o vídeo

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Para evitar mais ataques, a empresa do bilionário Elon Musk já atualizou o software do veículo

Tesla: carro foi hackeado em tempo recorde (Michele Tantussi/Reuters)

Pesquisadores do grupo de Segurança de Computadores e Criptografia Industrial (COSIC), da Universidade KU Leuven, na Bélgica, conseguiram hackear o sistema de entrada sem chave do Model X, um dos carros elétricos produzido pela fabricante americana Tesla, em menos de dois minutos. Este é o terceiro hack em três anos organizado por Lennert Wouters, participante do grupo de pesquisa, contra a empresa do bilionário Elon Musk.

A equipe de hackers se aproveitou de uma falha na atualização do firmware da chave eletrônica do Model X, utilizando uma unidade de controle eletrônico (ECU) de um modelo antigo da Tesla, um computador Raspberry Pi e uma nova chave que pode ser adquirida facilmente na internet por cerca de 200 dólares.

Para realizar o ataque, os invasores ficaram em uma distância de até cinco metros do carro elétrico. Dessa forma, o ECU modificado reconheceu o Tesla. Após o reconhecimento, a atualização do firmware foi enviada para o chaveiro da vítima e as informações de desbloqueio do carro foram extraídas, garantindo o acesso ao veículo e uma chance do invasor emparelhar o ECU ao Model X.

“Ao destravar o carro, conseguimos nos conectar à interface de diagnóstico normalmente usada pelos técnicos”, explica Wouters. “Devido a uma vulnerabilidade, podemos emparelhar um chaveiro modificado ao carro, proporcionando acesso permanente ao veículo”, diz.

O grupo de pesquisa relatou o bug à Tesla em agosto, mas só publicaram suas descobertas no fim de novembro, logo após a empresa divulgar uma atualização de software para todos os veículos Model X.

Assista ao vídeo:

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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

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