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Brasília

Sebastião Coelho chega à disputa pelo Senado com crescimento nas pesquisas e baixa rejeição

Sebastião Coelho candidato ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026
Desembargador aposentado Sebastião Coelho disputa uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado em 2026. Foto: Pedro França/Agência Senado

Desembargador aposentado disputa uma das duas vagas do Distrito Federal pelo Novo; crescimento recente e baixa rejeição fortalecem candidatura, enquanto atuação contra o STF também amplia a polarização em torno de seu nome

O desembargador aposentado Sebastião Coelho entra na disputa pelo Senado em 2026 tentando transformar uma trajetória de mais de três décadas no Judiciário e a projeção política conquistada nos últimos anos em votos no Distrito Federal.

Candidato pelo Partido Novo, Coelho disputa uma das duas cadeiras do DF que serão renovadas em outubro. A corrida reúne nomes conhecidos, como Leila do Vôlei, Michelle Bolsonaro, Erika Kokay e Bia Kicis, em um cenário com 13 candidaturas ao Senado.

Seu principal diferencial está justamente na trajetória que antecede a política partidária.

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Mais de 30 anos no Judiciário

Nascido em Santana do Ipanema, em Alagoas, Sebastião Coelho é formado em Direito e ingressou no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) como juiz em 1991.

Ao longo da carreira, passou por varas criminais, Tribunal do Júri, Auditoria Militar e Justiça Eleitoral. Foi ouvidor-geral eleitoral do TRE-DF, presidente da Associação dos Magistrados do Distrito Federal e tornou-se desembargador do TJDFT em 2013. Aposentou-se em setembro de 2022.

Foi justamente na reta final de sua carreira que seu nome ganhou projeção nacional.

Embate com o STF virou principal bandeira política

Sebastião Coelho passou a ser conhecido fora do meio jurídico após romper publicamente com a condução da Justiça Eleitoral e intensificar suas críticas ao ministro Alexandre de Moraes e ao Supremo Tribunal Federal.

Em 2022, deixou a função de vice-presidente e corregedor do TRE-DF. Desde então, tornou a defesa de mudanças no funcionamento das cortes superiores uma das principais bandeiras de sua atuação pública.

Já como candidato ao Senado, defende mudanças como mandato para ministros do STF, indicação de magistrados de carreira para a Suprema Corte e alteração na participação de ministros do Supremo na composição do Tribunal Superior Eleitoral.

O posicionamento aproximou Coelho de uma parcela do eleitorado conservador e de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Também tornou seu nome conhecido nacionalmente entre grupos críticos ao STF.

Depois de deixar a magistratura, passou ainda a atuar como advogado em processos relacionados aos atos de 8 de janeiro. No primeiro julgamento de um réu pelos ataques às sedes dos Três Poderes, Coelho sustentou diante do STF que seu cliente estava sendo submetido a um julgamento político.

Pesquisas mostram avanço e baixa rejeição

É nos números mais recentes que a candidatura apresenta um de seus principais sinais positivos.

Na segunda rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, Sebastião Coelho alcançou 12,4% das intenções de voto consolidadas para o Senado, depois de aparecer com 6% na primeira rodada do levantamento.

A pesquisa foi realizada entre 30 de julho e 1º de agosto com 1.109 eleitores de 31 regiões administrativas do DF, tem margem de erro de 3,3 pontos percentuais e foi registrada sob o número DF-04077/2026.

Outro indicador chama atenção: Sebastião apresentou rejeição de apenas 8,7%, a menor entre os principais candidatos avaliados.

Os números ainda o colocam atrás do grupo que lidera a corrida, mas mostram que sua candidatura ganhou espaço.

Controvérsias e pontos de desgaste

A mesma atuação que impulsionou Sebastião Coelho entre eleitores conservadores também representa sua principal fonte de desgaste.

Em junho de 2024, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, instaurar processo administrativo disciplinar contra o desembargador aposentado. O procedimento foi aberto para apurar sua participação em atos classificados pelo órgão como antidemocráticos e manifestações contra integrantes e decisões do STF.

Em março de 2025, o CNJ prorrogou o prazo de conclusão do processo. A documentação do conselho registra como objeto do PAD a apuração de suposta infração disciplinar relacionada a atos antidemocráticos e manifestações depreciativas contra membros e decisões do Supremo.

Outro episódio de repercussão ocorreu em março de 2025, durante uma sessão do STF. Coelho tentou entrar na sala onde era analisada a denúncia contra Jair Bolsonaro e outros investigados, sem estar credenciado para aquele julgamento. Após protestar do lado de fora e interromper momentaneamente a sessão, teve a detenção determinada por desacato e foi liberado horas depois.

Politicamente, esses episódios têm efeito duplo.

Para seus apoiadores, reforçam a imagem de enfrentamento ao STF que sustenta boa parte de sua candidatura. Para adversários e eleitores menos identificados com o bolsonarismo, podem aumentar a percepção de radicalização.

Quais são as chances de Sebastião Coelho?

Os números atuais permitem classificar Sebastião Coelho como um candidato competitivo e em crescimento, mas ainda fora do grupo que lidera a disputa.

Na pesquisa Correio/Opinião, Leila do Vôlei aparece com 46,9%, Michelle Bolsonaro com 42%, Erika Kokay com 32,3%, Bia Kicis com 22,6% e Sebastião com 12,4%. Como em 2026 cada eleitor pode escolher dois candidatos ao Senado, a soma dos percentuais ultrapassa 100%.

Essa característica da eleição pode favorecer Coelho.

Parte do eleitorado conservador pode escolher Michelle Bolsonaro ou Bia Kicis como primeira opção e procurar outro candidato ideologicamente próximo para o segundo voto. Nesse cenário, Sebastião tenta se apresentar como alternativa dentro do mesmo campo político.

O problema é justamente a forte concorrência pela direita. Michelle e Bia aparecem numericamente à frente, o que exige que Coelho amplie sua candidatura para além do público já mobilizado pelas críticas ao Supremo.

Por outro lado, dobrar sua intenção de voto entre duas rodadas de uma mesma pesquisa e manter a menor rejeição entre os principais nomes são indicadores favoráveis neste estágio da campanha.

Sebastião Coelho chega, portanto, ao início da campanha oficial em uma posição peculiar: ainda precisa reduzir a distância para os líderes, mas apresenta espaço para crescimento. Sua capacidade de transformar o discurso de enfrentamento ao STF em uma candidatura mais ampla será um dos fatores decisivos para saber se conseguirá entrar efetivamente na briga pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado.

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