Ex-deputado distrital e ex-administrador de Taguatinga disputa uma cadeira pelo Republicanos e chega a 2026 com experiência política, presença regional e desafios acumulados ao longo da trajetória
Depois de passar pelo Legislativo e por diferentes funções no Governo do Distrito Federal, Bispo Renato Andrade volta às urnas em 2026 buscando uma cadeira na Câmara Legislativa. Candidato pelo Republicanos, com o número 10100, ele aposta especialmente na experiência administrativa e na relação construída com Taguatinga.
Advogado e liderança religiosa, Renato Andrade já exerceu mandato de deputado distrital, comandou secretarias no GDF e esteve à frente da Administração Regional de Taguatinga entre 2020 e 2026.
Experiência política e histórico eleitoral
Bispo Renato possui uma trajetória eleitoral extensa no Distrito Federal. Depois de eleições em que ficou na suplência, conquistou uma cadeira na CLDF em 2014, com 14.216 votos. Em 2018, recebeu 10.692 votos e, em 2022, voltou a crescer, alcançando 13.976 votos, mas novamente terminou como suplente.
Os números mostram que Renato manteve ao longo dos anos uma base eleitoral relativamente estável, mesmo fora do Legislativo.
Além da Câmara Legislativa, ocupou funções no Executivo, entre elas a Secretaria de Relações Parlamentares do DF e, posteriormente, a Administração Regional de Taguatinga.
Taguatinga é o principal ativo da candidatura
É justamente a passagem pela administração de Taguatinga que ocupa papel central na campanha de 2026.
Durante o período em que comandou a região administrativa, Taguatinga passou por intervenções importantes, como o Túnel Rei Pelé, revitalização da Avenida Hélio Prates, melhorias de iluminação e reforma da Praça do Relógio.
Essa presença administrativa permitiu a Renato manter contato frequente com comerciantes, lideranças comunitárias e moradores de uma das regiões mais tradicionais e populosas do Distrito Federal.
No lançamento de sua pré-candidatura, ele deixou clara essa estratégia ao defender uma representação política ligada diretamente à cidade. O evento também mostrou capacidade de articulação: reuniu lideranças como o ex-governador Ibaneis Rocha, o deputado federal Julio Cesar Ribeiro e dirigentes do Republicanos.
Controvérsias e pontos de desgaste
A trajetória de Bispo Renato, entretanto, também carrega episódios que podem voltar ao debate durante a campanha.
O mais relevante é a Operação Drácon, deflagrada durante seu mandato na Câmara Legislativa. Em 2016, o Ministério Público do Distrito Federal denunciou Renato Andrade e outros então deputados sob acusação de corrupção passiva relacionada à suposta cobrança de vantagens indevidas na destinação de recursos orçamentários.
O caso teve desdobramentos em diferentes esferas. Na esfera criminal, os réus foram absolvidos da acusação de corrupção passiva em 2025. Já a ação relacionada a improbidade administrativa continuava em tramitação em 2026, sem decisão final de mérito até a atualização localizada em abril.
Essa distinção é importante: a existência do processo não equivale a condenação, e a absolvição criminal também precisa ser considerada quando o episódio é citado.
Mais recentemente, Renato enfrentou outro desgaste político. Em março de 2026, o deputado distrital Pastor Daniel de Castro o acusou, durante discurso na CLDF, de perseguição política na Administração de Taguatinga. Daniel relatou episódios nos quais pedidos relacionados a pessoas próximas a seu mandato teriam encontrado resistência na administração.
Renato negou as acusações e afirmou ao Metrópoles que as declarações do deputado eram “inverdades” e que desconhecia as situações narradas.
O episódio evidencia também a existência de disputas por espaço político dentro de Taguatinga, território importante para diferentes candidaturas à Câmara Legislativa.
Quais são as chances de Bispo Renato em 2026?
Bispo Renato entra na eleição com ativos eleitorais claros: já conseguiu se eleger para a CLDF, manteve votação próxima de 14 mil votos em 2022, possui experiência administrativa e construiu forte identificação com Taguatinga.
Por outro lado, as derrotas de 2018 e 2022 mostram que reconhecimento e votação consolidada, por si só, não garantem uma cadeira. A eleição proporcional também dependerá do desempenho da nominata do Republicanos e da concorrência interna do partido.
As controvérsias acumuladas durante sua trajetória poderão ser exploradas por adversários, embora a absolvição na esfera criminal da Operação Drácon seja um elemento importante para contextualizar um dos episódios mais conhecidos de sua passagem pela CLDF.
O cenário, portanto, é de uma candidatura competitiva, mas não confortável.
Se conseguir ampliar a votação registrada em 2022 e transformar os anos à frente da Administração de Taguatinga em apoio eleitoral, Bispo Renato Andrade pode disputar efetivamente uma das 24 cadeiras da Câmara Legislativa.
