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sábado, 28/03/2026

Se Ormuz fechar por mais de 40 dias, petróleo pode faltar, alerta especialista

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O preço do petróleo deve continuar instável, variando entre US$ 80 e US$ 100 o barril após o ataque dos Estados Unidos ao Irã e a resposta deste último, afirma Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria. Ele destaca que tudo vai depender de quanto tempo o estreito de Ormuz ficar bloqueado. Caso fique fechado por mais de 40 dias, pode haver escassez de petróleo no mundo.

“O conflito atual afeta diretamente o Estreito de Ormuz, por onde passa 15% da produção mundial de petróleo. Deste total, cerca de 80% é destinado à Ásia, especialmente China, Índia, Japão e Coreia. Com as ameaças do governo iraniano de atacar navios na região, as petrolíferas pararam a navegação por ali”, explica D’Elia.

Ele ressalta que o estreito pode ficar totalmente bloqueado se forem usados dispositivos como minas subaquáticas, que demoram para serem removidas e para a navegação ser restabelecida. Mesmo se não for totalmente fechado, um aumento do risco para navios elevando seguros e custos de transporte pode desestimular o tráfego de embarcações.

“O impacto depende muito de por quanto tempo o acesso ficar interrompido”, completa D’Elia.

Cenários

Se o bloqueio durar até 10 dias, pode haver uma alta temporária dos preços, chegando a US$ 100 por barril. Cerca de 35% do petróleo exportado passa por ali para abastecer a Ásia, que tem estoques entre 100 e 200 dias de consumo. A Índia, entretanto, tem estoques para cerca de 60 dias, o que é mais preocupante.

Se o bloqueio durar até 40 dias, outras regiões como EUA e União Europeia poderão usar seus estoques para aliviar a demanda, o que ajudaria a controlar o aumento dos preços, que podem oscilar mais próximo dos US$ 100.

O cenário mais grave, porém menos provável, é que o estreito fique fechado por mais de 40 dias. Isso geraria escassez estrutural de petróleo no mercado global, pois os estoques estratégicos não seriam suficientes para compensar a falta, e 15% da produção mundial é afetada. “É difícil prever exatamente o que aconteceria”, pondera D’Elia.

O especialista também destaca que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não poderia aumentar a produção para compensar a oferta, pois os principais produtores da região, como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Iraque e Irã, são diretamente afetados pelo bloqueio do estreito. Além disso, outros países produtores menores não conseguem repor grandes volumes rapidamente.

“Uma grande unidade produtora gera entre 150 mil e 200 mil barris por dia, o que é insuficiente para suprir 15 milhões de barris diários”, conclui D’Elia.

Estadão Conteúdo.

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