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Brasil

Saúde precisa de mais verba e transparência na fila do SUS, diz especialista

Isabella Finholdt / NurPhoto via AFP

Em São Paulo, especialistas destacam que é fundamental aumentar os recursos destinados à saúde e tornar claro para o cidadão o andamento das filas de espera no SUS. Walter Cintra Ferreira, médico sanitarista e professor de políticas e gestão de saúde da FGV, reforça que essas ações devem ser prioridade no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A organização do atendimento no SUS já melhorou com programas recentes, porém ainda é necessário ampliar o acesso e aprimorar o serviço. Para isso, é essencial saber exatamente o tamanho das filas nacionais, que atualmente não têm transparência, impedindo que as soluções mais adequadas sejam definidas.

O sistema de transplantes serve como exemplo positivo, por sua clara organização e transparência, que poderia ser aplicada a outros procedimentos médicos. Além disso, é importante que o paciente seja atendido no momento mais indicado para o seu tratamento, garantindo um acompanhamento contínuo.

Outro desafio importante é a coordenação entre municípios, estados e governo federal, considerando as diferenças regionais do país. Os estados devem ter papel central na articulação das redes de saúde, conectando a atenção básica aos serviços especializados.

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É fundamental que, além do aumento dos recursos, haja profissionais capacitados para gerir os serviços de saúde, um ponto crítico para a melhoria da eficiência do sistema.

Investimento em saúde deve ser prioridade

Walter Cintra Ferreira defende que a saúde não deve sofrer cortes no orçamento, mesmo diante da necessidade de ajustes fiscais, já que o sistema público brasileiro é considerado subfinanciado comparado a outros países com sistemas universais.

Apesar do recente aumento no orçamento federal, ainda é necessário buscar novas fontes de receita, como a redução de renúncias fiscais, para ampliar o acesso a consultas, exames e procedimentos especializados, como a expansão do tratamento do câncer. O presidente Lula prometeu abrir centros oncológicos em cidades com mais de 150 mil habitantes.

Também é importante que a distribuição dos recursos, como as emendas parlamentares, seja direcionada de acordo com as necessidades reais da população, evitando gastos desnecessários que prejudicam a saúde pública.

Segundo o especialista, o próximo ministro da Saúde deve ser uma pessoa qualificada e com habilidade política para apoiar as negociações no Congresso e garantir um orçamento adequado para a área.

O governo deve explicar claramente à população os limites financeiros e os critérios para a oferta dos tratamentos disponíveis.

Uso racional de medicamentos e fortalecimento da produção nacional

Walter Cintra Ferreira ressalta que decisões como a oferta de medicamentos para obesidade no SUS precisam ser baseadas em evidências científicas, avaliando o impacto na saúde pública e as necessidades das pessoas mais vulneráveis, tendo em vista o custo elevado dessas medicações.

Além disso, é prioridade aumentar a produção nacional de insumos médicos para enfrentar futuras pandemias. O passado recente mostrou que o Brasil sofreu com falta de materiais essenciais durante crises sanitárias, e não se pode repetir essa situação.

Embora as coberturas vacinais tenham crescido, ainda existem pessoas que desconfiam dos imunizantes ou não compreendem a importância de manter a vacinação mesmo quando certas doenças parecem ausentes.

Walter Cintra Ferreira lembra que, em sua geração, doenças como sarampo, rubéola e catapora desapareciam após a vacinação, mas essa realidade pode ser esquecida pelas novas gerações.

Para combater informações erradas e incentivar a vacinação, o governo federal deve investir mais em comunicação digital para alcançar toda a população.

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