Um movimento de solidariedade tomou conta das ruas de Salvador neste domingo (25). Com a greve dos ônibus, muitos moradores ofereceram caronas para ajudar eleitores a chegar às urnas.
A iniciativa começou de forma espontânea e foi ganhando força durante o dia, principalmente em terminais e pontos de ônibus. Diversas pessoas que tinham veículos pararam para organizar caronas e garantir que os eleitores votassem.
Graças à mobilização, Salvador conseguiu aumentar o número de votantes em 85.476 em comparação ao primeiro turno das eleições. A taxa de eleitores que não foram votar caiu de 20,14% para 15,77%.
A greve dos ônibus começou ainda cedo por conta de atrasos causados pela retirada de propagandas eleitorais dos veículos, uma exigência legal. A prefeitura informou que autorizou a saída dos ônibus mesmo com os adesivos, mas a maior parte dos coletivos demorou a deixar as garagens.
O Partido dos Trabalhadores entrou com ações na Justiça Eleitoral, o que resultou na determinação de prisão do secretário de Mobilidade, Pablo Souza, que foi revogada no dia seguinte.
Grupos nas redes sociais e aplicativos de mensagens foram criados para organizar caronas solidárias. Um site chamado SOS Salvador Caronas Solidárias direcionou eleitores para grupos locais de WhatsApp, ajudando cerca de 5.000 pessoas a votar.
Os voluntários foram orientados a não perguntar ou comentar sobre preferências políticas e a evitar símbolos de campanha em seus veículos.
O advogado Sérgio Augusto Pereira de Souza explicou que oferecer carona nesses casos é legal e respeita o direito constitucional ao voto e à livre locomoção.
Várias pessoas relataram suas experiências, incluindo um técnico de som que durante o dia percorreu bairros buscando eleitores para carona, e um fotógrafo que fez cerca de 20 viagens para locais de votação.
Até políticos se juntaram à ação, como o deputado federal Pastor Sargento Isidório que dirigiu uma van oferecendo caronas no Subúrbio Ferroviário.
Com essa mobilização, o presidente Lula ampliou sua votação em Salvador, indo de 65,36% para 73,23%. Já o senador Flávio Bolsonaro teve um pequeno recuo na proporção de votos, embora o número absoluto tenha crescido.
O prefeito Bruno Reis afirmou que os ônibus voltaram a funcionar normalmente às 10h30, mas não especificou a quantidade de veículos que circulou. O Procon-BA informou que 908 ônibus ficaram sem circular.
A Polícia Federal investiga possíveis crimes relacionados à eleição, como impedir ou dificultar o voto.
No dia seguinte, manifestantes protestaram contra o prefeito Bruno Reis na Praça Municipal, com pichações no Palácio Thomé de Souza, levando à suspensão do expediente da prefeitura.


