Ruanda relembra nesta semana um dos períodos mais tristes de sua história: o genocídio contra o povo tútsi, que resultou na morte de cerca de 800 mil a 1 milhão de pessoas em apenas 100 dias.
Contexto do genocídio
- O conflito tem como origem as tensões étnicas entre os grupos hutu e tútsi.
- Enquanto a maioria da população (85%) é hutu, a minoria tútsi dominou o país durante os períodos de colonização da Alemanha e Bélgica.
- Em 1959, os hutus derrubaram o governo monarquista dominado pelos tútsis, levando muitos tútsis a fugirem para países vizinhos, como Uganda.
- A Frente Patriótica de Ruanda (FPR), formada por tútsis, buscava reverter essa situação e garantir direitos para seu povo.
- Em 1990, a FPR invadiu o país para garantir direitos aos tútsis. Um acordo de paz foi assinado em 1993 entre as partes em conflito.
- Em 1994, o atentado contra o avião do presidente da época, Juvénal Habyarimana, da etnia hutu, desencadeou o genocídio.
O genocídio começou em 7 de abril de 1994, após o ataque ao avião presidencial no Aeroporto Internacional de Kigali. O presidente Habyarimana comandava o país há 20 anos e era acusado de favorecer o grupo étnico hutu. Sua morte foi atribuída à minoria tútsi, o que intensificou os ataques.
Milícias formadas por civis hutus receberam armas e listas com nomes de tútsis e hutus moderados, que passaram a ser assassinados em suas casas e comunidades.
Além dos tútsis, outros grupos étnicos também foram vítimas do massacre. A Frente Patriótica de Ruanda iniciou uma ofensiva que culminou na queda do governo hutu em 2000, com Paul Kagame assumindo a presidência e permanecendo no cargo até hoje.
Reflexos atuais
O genocídio ainda influencia a política e a vida no país e na região. Após assumir o poder, a FPR provocou a fuga de muitos hutus para a República Democrática do Congo (RDC), país que passou por guerras envolvendo grupos ligados ao conflito de Ruanda.
A República Democrática do Congo foi invadida por Ruanda em 1996 e 1998, sob acusações de apoiar milícias hutus. Kigali também foi acusado de financiar grupos tútsis na RDC, o que o governo de Ruanda nega.
Em junho de 2025, os dois países assinaram um acordo de paz, mediado pelos Estados Unidos e Catar, visando encerrar décadas de conflitos na região.
Ao lembrar os 32 anos do genocídio, o embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, destaca a importância de usar a memória para fortalecer a unidade do país e evitar a repetição dos erros do passado. Ele ressaltou ainda a resiliência do povo ruandês em reconstruir a nação após momentos difíceis.
Para homenagear as vítimas, o país promove anualmente a Kwibuka, palavra que significa “lembrar” na língua local, incentivando a reflexão sobre o genocídio.
No Brasil, a embaixada de Ruanda organizou eventos para marcar a data, incluindo uma sessão solene na Câmara Legislativa do Distrito Federal e uma iluminação especial na Catedral Metropolitana de Brasília, como demonstração de solidariedade.

