Pesquisadoras da Universidade de Macau alertam para os efeitos negativos do consumo excessivo de vídeos curtos em redes sociais no desenvolvimento mental das crianças. O estudo revela que esse hábito pode causar ansiedade social, insegurança e dificuldade de concentração, principalmente entre estudantes de áreas rurais na China.
Wang Wei, especialista em Psicologia Educacional da Universidade de Macau e autora do estudo “Dependência de vídeos curtos, envolvimento escolar e inclusão social entre estudantes rurais chineses”, explicou que quanto mais as crianças assistem esses vídeos, menor é o interesse delas pela escola. “Esse tipo de vídeo pode ser muito prejudicial para as crianças”, alerta a pesquisadora.
De acordo com Wang, apesar das necessidades emocionais das crianças deverem ser atendidas de forma presencial, as plataformas de vídeos curtos suprem essas demandas de forma sutil, por meio de algoritmos personalizados e interações sociais, o que pode levar ao uso excessivo e à dependência. O ritmo rápido e o caráter estimulante desses vídeos os tornam muito atraentes para os estudantes.
Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na Faculdade de Ciências Sociais da mesma universidade e autora do estudo “A relação das componentes afetivas e cognitivas no uso problemático de vídeos curtos”, destacou que a superestimulação causada por esses vídeos prejudica o desenvolvimento saudável da mente. “Os vídeos são fáceis de acessar, estão sempre à mão e são gratuitos”, explica Wu, que ainda ressalta o acesso ilimitado a qualquer hora e lugar.
A pesquisadora apontou que o vício em vídeos curtos pode ter causas funcionais relacionadas ao estresse diário, ambiente e predisposição genética. “Uma das principais razões é a fuga de situações desagradáveis, pressões ou problemas que a pessoa quer evitar”, comentou Wu. Ela também destacou a necessidade de atenção quando o uso desses vídeos começa a prejudicar o dia a dia, como a perda de tempo com a família, falta de sono ou distrações durante as aulas.
Para combater esse problema, Wang reforça a importância de atender às necessidades emocionais das crianças fora do ambiente digital e desenvolver o uso responsável da tecnologia, assim como habilidades de autocontrole, ao invés de simplesmente tirar o celular delas.
No contexto da China, até dezembro de 2024, cerca de 1,1 bilhão de pessoas tinham acesso a vídeos curtos, sendo que 98,4% são usuários ativos, segundo o Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet. Essa indústria movimentou mais de 1,22 trilhão de yuan (aproximadamente 149 bilhões de euros), impulsionada pelos vídeos curtos e transmissões ao vivo.
Com informações da Agência Brasil
