O Rio Grande do Norte conseguiu uma grande conquista na educação estadual ao diminuir em 40% os casos de abandono escolar, graças a um programa que busca trazer os alunos de volta para a sala de aula.
Uma análise feita em 118 escolas estaduais de 42 cidades do estado mostrou uma queda significativa no número de alunos que deixam a escola.
Esse resultado veio do programa Busca Ativa nas Comunidades Educadoras, criado pelo Instituto Cultiva em parceria com o Governo do Estado e a Secretaria de Educação (SEEC-RN). O programa começou com 67 escolas em 2024 e se expandiu para 118 escolas em 2025 e 2026.
O estudo utilizou dados oficiais do Sistema Integrado de Gestão da Educação (SIGEduc) e seguiu critérios do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), que conferem confiabilidade às informações.
Foco no Ensino Médio e áreas com maiores problemas
A maior melhora foi vista no Ensino Médio, etapa com maior índice de evasão escolar. Entre 2024 e 2025, a taxa de abandono escolar nessas escolas caiu de 12,9% para 4,5%.
O relatório confirmou que o programa direcionou sua ação para as escolas com maiores riscos sociais e educacionais, especialmente aquelas com taxa de abandono superior a 15%. Nas piores 18 escolas, o abandono diminuiu impressionantes 78%, de 19,5% para 4,3%.
Exemplos na Região Metropolitana de Natal mostram a diferença:
- EE Professor José Fernandes Machado: abandono caiu de 20,81% para 5,86%.
- EE Professora Maria Queiroz: redução de 18,76% para 6,33%.
- EE Professor Arnaldo Arsênio de Azevedo: queda de 14,44% para 4,45%.
Combinação de estratégias e apoio federal
Especialistas destacam que o sucesso se deve à combinação da Busca Ativa com políticas de apoio territorial, como o Comunidades Educadoras, e programas federais de transferência de renda, como o Pé de Meia. Projetos similares do Instituto Cultiva em outras cidades brasileiras já mostraram redução de até 90% na evasão em poucos meses.
Para 2026, dados parciais indicam uma tendência continue de queda, indicando estabilidade na permanência dos alunos.
Experiência e compromisso das equipes escolares
Janína Charcon, articuladora do programa na 2ª Direc, relata que o contato com famílias e estudantes tem mudado o olhar das equipes escolares para a real situação dos alunos em risco.
Ela afirma que é gratificante ver o retorno dos estudantes às salas de aula e o aumento da participação deles após as visitas domiciliares feitas pelos articuladores.
Rudá Ricci, presidente do Instituto Cultiva e cientista político, explica que o projeto se destaca por articular ações dentro e fora da escola, envolvendo família e saúde mental, o que tem trazido bons resultados não só no Rio Grande do Norte, mas também em cidades como Belo Horizonte, Teresina, Araraquara e Suzano.
Funcionamento do programa
O Busca Ativa conta com agentes chamados articuladores que visitam famílias, coletam informações e usam um sistema para definir prioridades e encaminhamentos para resolver os problemas que levam ao abandono escolar.
Segundo Rudá, o programa revela servidores públicos dedicados e sensíveis às necessidades das famílias, um fator essencial para o sucesso.
Também destaca que a Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte tem dado apoio importante através de ações adaptadas às demandas locais, o que gera mais escuta e cuidado às famílias, uma marca do programa Comunidades Educadoras.
