A partir do dia 23 de fevereiro de 2026, os 92 municípios do Rio de Janeiro começarão a receber uma nova vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) irá distribuir 33.364 doses do imunizante, sendo 12.500 destinadas à capital.
De acordo com o Ministério da Saúde, a primeira fase da vacinação prioriza os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Estão inclusos médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais, farmacêuticos, agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, além de trabalhadores administrativos e de apoio que atuam diretamente nas unidades básicas.
A vacina é aplicada em dose única e protege contra os quatro tipos de dengue. No estado do Rio, os tipos 1 e 2 são os mais comuns, mas há preocupação com a possível reintrodução do tipo 3, que não circula desde 2007, mas está presente em estados vizinhos, o que pode aumentar a vulnerabilidade da população. A vacinação será feita em etapas, começando pelos profissionais de saúde e depois outros grupos, conforme a disponibilidade de doses. A recomendação é para pessoas entre 15 e 59 anos, complementando a vacina Qdenga, que cobre a faixa de 10 a 14 anos.
Até 20 de fevereiro de 2026, o estado registrou 1.198 casos prováveis de dengue e 56 internações, sem registros de morte. Também foram registrados 41 casos prováveis de chikungunya, com cinco internações, enquanto não houve casos confirmados de zika. Os 92 municípios estão em situação normal, monitorados por um indicador que analisa atendimentos em UPAs, pedidos de leitos e taxa de positividade, com informações em tempo real na plataforma MonitoraRJ.
Apesar dos números baixos, a SES-RJ alerta para o período após o Carnaval, quando as chuvas e o calor do verão favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissores da dengue, chikungunya e zika. A movimentação de turistas também aumenta o risco de novos tipos do vírus aparecerem. A população deve dedicar pelo menos dez minutos por semana para eliminar focos do mosquito, verificando a vedação de caixas d’água, limpando calhas, colocando areia em pratos de plantas e descartando água parada em recipientes.
Desde 2023, o Ministério da Saúde disponibiliza a vacina Qdenga, com mais de 758 mil doses aplicadas no estado. Entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, mais de 360 mil receberam a primeira dose e 244 mil completaram o esquema vacinal. A SES-RJ tem investido na qualificação da rede com videoaulas e treinamentos, além de uma ferramenta digital inovadora para o manejo clínico da dengue, compartilhada com outros estados. O Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi preparado para realizar até 40 mil exames por mês, abrangendo dengue, zika, chikungunya e febre do Oropouche, transmitida pelo maruim.

