Advogado e criador do perfil Taguatinga da Depressão disputa uma vaga de deputado distrital pelo Novo e tenta transformar alcance digital, atuação comunitária e identificação regional em votos
Conhecido nas redes sociais pelo perfil Taguatinga da Depressão, Ricardo Castro entra na disputa por uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal em 2026 tentando levar para as urnas uma presença construída ao longo dos últimos anos no debate sobre os problemas de Taguatinga.
Advogado, nascido em Brasília e com forte identificação com Taguatinga, Ricardo Fellipe Silva Vale Castro, de 33 anos, é candidato a deputado distrital pelo Partido Novo, com o número 30222. Dados da Justiça Eleitoral confirmam sua candidatura na disputa deste ano.
Seu principal diferencial está fora da política tradicional: uma audiência digital já consolidada e uma atuação pública fortemente associada a uma das regiões mais importantes do Distrito Federal.
Taguatinga da Depressão tornou Ricardo conhecido na cidade
Ricardo é o criador e administrador do Taguatinga da Depressão, página que reúne notícias, reclamações de moradores, fiscalização do poder público e conteúdos sobre o cotidiano da região.
O perfil no Instagram alcançou cerca de 164 mil seguidores, uma audiência expressiva para uma página de caráter essencialmente regional.
Ao longo dos últimos anos, Ricardo passou a aparecer não apenas como administrador da página, mas também como personagem das próprias pautas. Em reportagem do Correio Braziliense sobre insegurança no centro de Taguatinga, por exemplo, foi apresentado como líder comunitário, nascido e criado na cidade, defendendo medidas para melhorar a segurança e recuperar a atividade comercial da região.
Essa relação direta com problemas locais passou a formar a base de sua entrada na política eleitoral.
Segurança, comércio e problemas urbanos estão no centro do discurso
Boa parte da projeção de Ricardo Castro foi construída em temas que afetam diretamente moradores e empresários de Taguatinga.
Segurança pública, deterioração de áreas comerciais, infraestrutura, atuação da Administração Regional e impactos de políticas sociais sobre o centro da cidade aparecem com frequência em suas manifestações públicas.
Um dos debates que mais ampliou sua exposição foi a defesa da realocação do Centro Pop de Taguatinga. Ricardo argumenta que o modelo atual provoca impactos sobre a segurança e a atividade econômica da região e defende uma política de acolhimento em outro formato e localização.
A posição também provocou forte repercussão e críticas. Em 2024, a Defensoria Pública do DF questionou publicações da página relacionadas à população em situação de rua. Ricardo negou discriminação e afirmou que sua atuação tinha como foco a segurança da cidade.
O episódio ajudou a tornar seu nome ainda mais conhecido para além do público que acompanhava originalmente o perfil.
Do ativismo digital para a candidatura
Em abril de 2026, Ricardo confirmou o projeto de disputar uma cadeira na CLDF pelo Novo.
Antes de ingressar definitivamente na legenda, chegou a anunciar filiação ao PSDB, mas deixou o partido poucos dias depois. Ao Brasília Capital, justificou a decisão por divergências ideológicas e afirmou possuir maior identificação com o Novo.
A candidatura passou a adotar uma mensagem bastante direta: Taguatinga precisa eleger um representante ligado à própria cidade.
Esse discurso explora um sentimento comum em eleições proporcionais: a busca de regiões administrativas por deputados que mantenham atuação territorial e direcionem atenção política para problemas locais. A própria comunicação da campanha passou a usar expressões como “Taguatinga vota em Taguatinga”.
Presença digital é o principal ativo eleitoral
Ricardo Castro chega à eleição sem o mesmo histórico de mandato de muitos adversários, mas possui algo que candidatos estreantes normalmente gastam tempo e recursos para conquistar: reconhecimento de nome e um canal próprio de comunicação com milhares de pessoas.
Os 164 mil seguidores do Taguatinga da Depressão não podem ser convertidos automaticamente em votos. Parte da audiência pode morar fora da região, seguir a página apenas pelo conteúdo ou não ter identificação política com Ricardo.
Ainda assim, o alcance representa uma vantagem concreta de comunicação.
Outro ponto favorável é a existência de uma base geográfica clara.
Taguatinga está inserida em uma das áreas de maior concentração eleitoral do Distrito Federal. A 15ª Zona Eleitoral, que abrange Taguatinga Sul, Taguatinga Centro, Águas Claras e outras localidades, está entre as maiores do DF e reúne mais de 180 mil eleitores cadastrados.
Para uma candidatura distrital, conseguir transformar influência regional em votação concentrada pode ser um fator importante.
Quais são as chances de Ricardo Castro?
Neste momento, não há pesquisa pública confiável capaz de medir individualmente suas chances na disputa para deputado distrital.
A análise, portanto, precisa ser feita pelos ativos eleitorais disponíveis.
Ricardo possui forte presença nas redes sociais, associação direta com Taguatinga, discurso voltado a problemas concretos da cidade e capacidade de gerar repercussão, características que podem ajudá-lo a construir uma candidatura competitiva.
O desafio será transformar engajamento digital em voto.
A eleição para a CLDF é proporcional, o que significa que o resultado depende tanto da votação individual quanto do desempenho do partido. Além disso, a competição será ampla: o Distrito Federal registrou cerca de 420 pedidos de candidatura para deputado distrital em 2026 para apenas 24 cadeiras na Câmara Legislativa.
Para Ricardo Castro, a campanha de 2026 será justamente o teste dessa transição: saber se uma liderança construída nas redes e nas demandas de uma região administrativa consegue se converter em representação parlamentar.
Com uma audiência digital expressiva e uma identidade fortemente vinculada a Taguatinga, Ricardo surge como um dos nomes novos que merecem atenção na disputa pela CLDF em 2026.
