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Restrição calórica, longevidade e câncer: o que é verdade?

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A correlação entre dietas restritivas com maior longevidade e menor risco de doenças como o câncer é uma questão relativamente recente

Há alguns dias conheci a historia de Herschel Walker, campeão americano de MMA, que, aos 55 anos, declara (aparentemente apoiado por testemunhas confiáveis) que diariamente faz 1 500 apoios (push-ups), 1 500 abdominais, uma corrida de velocidade seguida de uma mini-maratona, movido a apenas uma saladinha, sopa e pão no jantar. Sem café da manhã, sem almoço, sem barras de cerais ou chocolates. Esta história me soaria como absurda, pois ela afronta a matemática mais básica em termos de calorias ingeridas menos calorias consumidas.

Na minha família, não comer fartamente em uma refeição era sinal de doença. Gordinhos ou fortinhos eram consideráveis o ideal de saúde, algo como um padrão de beleza proveniente dos quadros de Rubens. Foi uma geração que ainda ouvia ecos de escassez. Pragas, secas, pestes, guerras, problemas graves na distribuição e armazenamento de alimentos, explicavam porquê o indivíduo com sobrepeso estava alçado a uma condição de superioridade material nos grupos sociais.

É muito provável que estas pessoas suportassem até melhor os períodos de escassez, que eram a regra, e por isso, tivessem alguma vantagem evolutiva. A correlação entre dietas com restrição calórica e menor índice de massa corpórea, com maior longevidade e menor risco de câncer, diabetes e doenças cardiovasculares, é uma questão relativamente recente.

A relação entre câncer e massa corpórea

No caso especifico do câncer, os estudos associando índice de massa corpóreoe risco para câncer datam dos anos 70 e 80, mas com metodologias muito questionáveis. Eu aprecio, especialmente, os estudos realizados em pessoas portadoras de mutações genéticas que predispõe a câncer. Estas pessoas, como têm um risco elevado de câncer em um futuro mais próximo que a população geral, são candidatos excelentes a experimentos que avaliam o efeito de certos hábitos no desenvolvimento da doença.

Um estudo holandês e um britânico recentes em portadoras de mutação em BRCA1 e 2 (mesma mutação da atriz Angelina Jolie), mostram uma redução de um terço no risco de câncer em indivíduos com peso levemente abaixo ou igual ao IMC esperado. Infelizmente, estes estudos não separam o impacto do aspecto dietético daquele que poderia ser conferido pela atividade física. O que nos parece muito claro hoje é que adicionar fatores de risco genéticos ou ambientais com sobrepeso não parece uma boa combinação no que se refere a câncer.

Os estudos que avaliaram puramente a restrição calórica com risco para câncer são abundantes em animais. E, apesar de dados muito confusos, há uma certa concordância entre pesquisadores (e eu mencionaria uma meta-análise de 2014 que reúne centenas de estudos publicada no periódico on-line PLOS One) , que o risco de câncer reduz-se bastante em animais subalimentados do que naqueles superalimentados.

Restrição calórica e longevidade

No que diz respeito à longevidade, a questão ainda é mais curiosa e um artigo publicado em um periódico obscuro há alguns dias levanta uma hipótese muito interessante, que poderia explicar esta misteriosa associação com dietas restritivas crônicas e inesperados índices da saúde. Agradeço ao geneticista Ricardo di Lazzaro, que me passou a reportagem onde consta a referência deste artigo, bastante lúcida cientificamente e bem escrita no site MedicalXpress.

A hipótese dos pesquisadores de Oklahoma é que indivíduos que se alimentam menos guardariam uma “memória” menor de fome. Esta memória de fome e de uso de diversos componentes calóricos passaria por uma modificação genética promovida pelo próprio ambiente. Algo que chamamos de epigenética. Certos genes responsáveis por ativação de queima calórica fornecida por carboidratos, por exemplo, aliados a outros genes que ativam memória de fome ou saciedade, são completamente reprogramados por meio de mudança de comportamento dietético.

O experimento, para variar, foi feito apenas em camundongos, mas pode nos dar uma pista bem plausível do porquê Mr Herschel Walker, ou minha irmã, ou ainda os gurus hindis conseguiriam manter-se tão saudáveis com dietas tão tristes e cinzentas para um aficionado por comida como eu.

Efeito genético

Os camundongos mantidos em dietas restritivas tiveram seu perfil genético analisado de forma periódica e alguns genes, especialmente o gene do receptor da neurotensina 1, foram detectados em níveis progressivamente elevados. Genes como a neurotensina 1 têm efeitos diferentes em muitas células, mas no cérebro, estes genes são importantes reguladores no hipotálamo, um local-chave para o controle das sensações de fome e saciedade e de processos metabólicos do organismo.

A neurotensina, por exemplo, baixa os níveis de pressão arterial, aumenta os níveis de glicose no sangue e reduz a temperatura corporal. Os autores do trabalho documentaram que nos camundongos em dieta, a regulação genética da neurotensina estava modificada e um excesso desta proteína estava sendo produzida. Os níveis da produção de neurotensina são normalmente mantidos baixos por meio de um processo químico chamado de metilação. Os camundongos jejuadores desmetilam o gene da neurotensina, liberando a sua atividade.

O resultado disso é que estes camundongos adequam-se a dietas cada vez menos calóricas e perdem a memória da fome, o que talvez tenha sido o maior motor de nossa sobrevivência como sapiens sapiens. Em uma era nunca vista de prolongada abundância de calorias de fácil utilização como a nossa, a manutenção dos níveis de neurotensina, entre outros programas genéticos que estimulam a busca constante de nutrientes, talvez seja uma das explicações do aumento dos casos de obesidade e secundariamente, de câncer.

O que nos resta dessa história? Pesquisadores de Vale do Silício, dentro de um projeto chamado Encode, já estão buscando entender melhor sobre como modificar a nossa programação genética, ou epigenética, para poder explicar sobre o efeito de padrões de vida sobre nosso DNA e no futuro desenvolver drogas capazes de tratar doenças produzidas pelo ambiente por meio da manipulação desta programação genética.

Eu espero ardentemente que este dia chegue logo, pois não consigo imaginar minha vida com menos de 2 000 calorias por dia. Para os que conseguem, pode ser uma experiência no mínimo interessante, até de auto-controle, em tempos de abundância.

Ainda que difícil de acreditar, há muitas pessoas que conseguem manter atividades físicas particularmente intensas sem grandes ingestas calóricas, e não precisamos procurar um mosteiro hinduísta para vermos estes casos. Minha irmã, por muitos anos, se alimentou de caldo de feijão duas vezes ao dia, e apenas caldo de feijão, sem perder nenhuma balada noturna. Décadas depois, ela segue com uma dieta frugal e apresenta no seu fichário médico apenas problemas de saúde relacionados ao excesso de atividade física mal supervisionada e acidentes domésticos.

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Começam testes de primeira terapia de anticorpos contra novo coronavírus

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Pesquisadores canadenses estudaram mais de 5 milhões de células de pacientes curados da covid-19 para criar a droga

reprodução/Veja

A companhia canadense Eli Lilly começou os testes em seres humanos de um tratamento com anticorpos contra o novo coronavírus. A droga foi desenvolvida pela empresa junto ao centro de pesquisa sobre vacinas do governo dos Estados Unidos e com a AbCellera.

O medicamento foi criado com base na análise de 5 milhões de células do sistema imune de pacientes que se recuperaram da covid-19.

Os testes serão conduzidos por pesquisadores com um grupo de controle, em que uma parte dos participantes recebe um placebo, enquanto a outra recebe o medicamento. Nesta etapa de testes, 32 pacientes estarão envolvidos. O teste, vale notar, não é o mais cientificamente eficiente devido à baixa amostragem e à ausência de uma técnica mais sofisticada de testagem, como a abordagem chamada duplo-cego, na qual nem pesquisadores nem pacientes sabem qual medicamento é testado.

“Essa é a primeira terapia personalizada apresentada para a covid-19”, afirma, em nota, Carl Hansen, cofundador e presidente da AbCellera, empresa canadense dedicada à pesquisa e inovação sobre terapias e vacinas. Hansen foi anteriormente professor estudando microssistemas e nanotecnologia na Universidade da Colúmbia Britânica. “Devido aos anos de trabalho em nossa tecnologia, especificamente para resposta a pandemias, estávamos em posição de fazer a diferença.”

Até o momento, nenhuma terapia ou vacina tem aprovação clínica ou aval da Organização Mundial da Saúde para ser aplicada especificamente a pacientes infectados pelo novo coronavírus.

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Saúde

O surto do ebola está de volta — mas não deve ganhar o mundo

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Mais letal do que o novo coronavírus, o ebola tem menos tempo para se disseminar porque mata o hospedeiro. Porém, já existe vacina

Ebola: vírus causa febre hemorrágica com alta letalidade para humanos (Getty Images/Getty Images)

Em meio ao combate da pandemia do novo coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou um novo surto do vírus ebola na República Democrática do Congo. O governo informou ter registrado seis casos da doença, que causaram quatro mortes.

“Isso é um lembrete de que a Covid-19 não é a única ameaça de saúde que as pessoas enfrentam. Apesar de muito da nossa atenção estar na pandemia do novo coronavírus, a OMS continua a monitorar e responder a muitas outras emergências de saúde”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. De 2013 e 2016, a febre hemorrágica ebola matou 11,3 mil pessoas no no oeste africano.

Especialistas consultados por exame. afirmam que um surto de ebola não ganhou o mundo no passado porque, diferentemente do novo coronavírus, ele é mais letal e tem um período curto de incubação.

Por isso, logo os sintomas aparecem e as pessoas são isoladas para evitar a disseminação do vírus. Além disso, com as restrições a voos internacionais e as medidas de distanciamento social recomendadas para conter o novo coronavírus, o vírus tem menor risco de se propagar — ainda que mereça a atenção de autoridades de saúde globais.

“Ser letal para o hospedeiro é ruim para qualquer vírus porque ele precisa se reproduzir. O ebola é assim mata mais e tem tempo de incubação curto. Não dá tempo de a pessoa infectar outros hospedeiros e, por isso, o vírus fica contido na África”, afirma o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

De acordo com Luiz Vicente Rizzo, diretor de pesquisa do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, não é intuito de qualquer vírus matar o hospedeiro. “Ele nem sabe que a gente existe. Para o vírus, somos depositários para se replicar. Não há interesse biológico em matar. 7% do nosso genoma é de vírus. Ele um dia foi vírus e agora se embutiu na gente. Não é efetivo para o vírus ser mortal”, disse.

Diferentemente do que acontece com o novo coronavírus, já existe uma vacina contra o vírus ebola. Desenvolvida e oferecida em tempo recorde, em cinco anos (considerando um período de 20 anos de pesquisas), a vacina já foi aplicada a mais de 200 mil pessoas e foi aprovada tanto pelos Estados Unidos quanto pela União Europeia por suas respectivas agências de saúde. “A autorização de comercialização da Comissão Europeia para a Ervebo é o resultado de uma colaboração sem precedentes, da qual o mundo inteiro deve se orgulhar”, afirmou, no fim de 2019, Ken Frazier, presidente da americana Merck (conhecida no Brasil como MSD), em um comunicado.

Uma vacina também é apontada por especialistas como a principal arma contra o novo coronavírus. Com ela, a população global poderá atingir o que se chama de imunidade de rebanho, um conceito de erradicação de doenças infecciosas devido à imunização de grande parte da população com vacinas e de uma pequena parcela que foi infectada e sobreviveu. Para Eduardo Medeiros, professor de infectologia da Unifesp, o novo coronavírus não pode ser comparados a outras doenças do ponto de vista de imunização da população. “A única solução para conter a covid-19 é a vacina, não há outra. Se você esperarmos pela imunidade de rebanho, teremos milhões de mortes. A mortalidade necessária para isso seria um absurdo”, disse Medeiros.

 

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Saúde

OMS deve retomar ensaio com hidroxicloroquina na luta contra covid-19

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OMS havia interrompido estudo do medicamento usado para tratar malária contra a covid-19 devido a temores de que aumentasse as taxas de mortalidade

Hidroxicloroquina: especialistas da OMS recomendaram a continuação de todos os ensaios de medicamentos contra o novo coronavírus (George Frey/Reuters)

A Organização Mundial da Saúde deve retomar seu ensaio clínico com a hidroxicloroquina para uso potencial contra o novo coronavírus, disse nesta quarta-feira o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, depois que os testes foram suspensos devido a preocupações com a saúde dos pacientes.

A OMS havia interrompido seu amplo estudo do medicamento usado para tratar malária contra a covid-19 devido a temores de que aumentasse as taxas de mortalidade e os batimentos cardíacos irregulares em pacientes.

Mas Tedros disse, em entrevista online a jornalistas, que os especialistas da OMS recomendaram a continuação de todos os ensaios clínica de medicamentos contra o novo coronavírus, incluindo com a hidroxicloroquina –que tem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como grande defensor.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonarp também defende o uso da cloroquina e o Ministério da Saúde passou a recomendar a utilização do medicamento desde os sintomas iniciais da Covid-19, por pressão do presidente.

As autoridades da OMS também disseram na entrevista estar especialmente preocupadas com surtos na América Latina e no Haiti, um dos países mais pobres do mundo, onde as infecções estão se espalhando rapidamente.

O coronavírus já infectou quase 3 milhões de pessoas nas Américas.

 

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Distância de 2 metros reduz disseminação do coronavírus, diz estudo

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A transmissão da covid-19 tem maior risco de acontecer quando as pessoas estão a um metro ou menos de distância

Coronavírus;: o vírus se propaga de pessoa para pessoa, mas também pode permanecer em superfícies (Taechit Taechamanodom/Getty Images)

 

Para evitar o disseminação do novo coronavírus, é mais eficaz manter-se a dois metros de distância de outras pessoas do que apenas um. Ao menos, é isso que mostra um novo estudo publicado no jornal científico The Lancet.

Os pesquisadores analisaram um total de 172 estudos feitos em 16 países para chegar à conclusão.

A cada metro de distância que uma pessoa fica distante de outra infectada, o risco de disseminação cai.

Os pesquisadores citam um exemplo: a um metro de distância, o risco de transmissão é de 13%, enquanto a dois metros o número passa para apenas 3%.

O modelo analisou distâncias de um a três metros entre pessoas saudáveis e infectadas pelo novo coronavírus.

A pesquisa também mostrou que máscaras e proteções para os olhos reduzem os riscos de disseminação do vírus.

As máscaras diminuem o risco de 17% para apenas 3%. Já a proteção para os olhos mostrou uma redução de 16% para 6%.

O estudo pode servir de referência para estabelecimentos comerciais que consideram uma reabertura segura para seus clientes.

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Proteínas no sangue de quem tem covid-19 podem prever gravidade da doença

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“Marcadores” poderiam levar ao desenvolvimento de um exame que ajudaria a prever o quão grave um paciente pode ficar quando infectado

 

Profissionais de saúde em um hospital de campanha em Niterói, no Rio de Janeiro, durante a pandemia de coronavírus (Luis Alvarenga/Getty Images)

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Uso de antibióticos na pandemia está deixando bactérias mais resistentes

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O aumento do uso de antibióticos para combater a pandemia de covid-19 pode provocar mais mortes, advertiu a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Coronavírus: uso de medicamentos para tratar a doença pode trazer efeito colateral (Jasni Ulak / EyeEm/Getty Images)

O aumento do uso de antibióticos para combater a pandemia de covid-19 aumentará a resistência bacteriana e em última instância provocará mais mortes durante a crise sanitária e depois, advertiu nesta segunda-feira (1º) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse que há um “número preocupante” de infecções bacterianas que estão se tornando cada vez mais resistentes aos remédios usados tradicionalmente para combatê-las.

A agência sanitária da ONU se declarou preocupada de que o uso inapropriado de antibióticos durante a crise do coronavírus contribuirá para isto.

“A pandemia de COVID-19 levou a um aumento no uso de antibióticos, que provocará níveis maiores de resistência bacteriana e repercutirá no lastro da doença e nas mortes durante a pandemia e depois”, disse o diretor-geral em uma coletiva de imprensa virtual da sede da OMS em Genebra.

A OMS considera que só uma pequena parte de pacientes com COVID-19 precisa de antibióticos.

A organização emitiu um guia para que os médicos não administrem antibióticos ou profilaxia para os pacientes com formas brandas de COVID-19 ou a pacientes com forma moderada da doença sem que haja uma suspeita clínica de infecção bacteriana.

Tedros disse que as recomendações deveriam permitir fazer frente à resistência antimicrobiana, salvando vidas.

A ameaça da resistência antimicrobiana é “um dos desafios mais urgentes do nosso tempo”, advertiu.

“Está claro que o mundo está perdendo a capacidade de usar medicamentos antimicrobianos fundamentais”.

Alguns países recorrem a um uso “excessivo” de antibióticos, enquanto nos de baixa renda, estes medicamentos essenciais não estão disponíveis, o que leva a um “sofrimento desnecessário e à morte”.

Enquanto isso, alertou a OMS, a prevenção e o tratamento de doenças não transmissíveis foram seriamente alterados desde o início da pandemia de COVID-19 em dezembro, como demonstra um estudo feito em 155 países.

“Esta situação tem especial importância, já que as pessoas que vivem com estas doenças estão mais expostas à forma mais grave de covid-19 e à morte”, disse.

O estudo, feito durante três semanas em maio, concluiu que os países com renda mais baixa são os mais afetados.

Cerca de 53% dos países reportaram interrupção parcial ou total dos serviços para o tratamento da hipertensão, 49% no caso dos tratamentos para diabetes, 42% no câncer e 31% no caso das emergências cardiovasculares.

As razões mais comuns para a interrupção ou a redução dos serviços foram as anulações dos tratamentos previstos, um declínio do transporte público disponível e a falta de pessoal porque os trabalhadores sanitários firam realocados para o tratamento de casos de covid-19.

 

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