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Economia

Remuneração variável aumenta em estatais, mas é menor que no setor privado

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Remuneração variável sobe em estatais, mas continua abaixo do setor privado

FELIPE GUTIERREZ
FOLHAPRESS

O pagamento variável para diretores e CEOs de empresas estatais tem apresentado crescimento, porém ainda permanece inferior ao que é oferecido no setor privado. Enquanto a remuneração fixa representa 59% dos ganhos dos CEOs na iniciativa privada, nas estatais essa proporção é idêntica, indicando que o componente variável ainda é menor nestas últimas.

O estudo "Análise e diagnóstico da remuneração de executivos e membros do conselho em empresas estatais no Brasil", realizado em parceria por pesquisadores do Insper e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), revela essa tendência.

Segundo os dados, "há uma tendência de crescimento da remuneração variável para executivos de estatais, possivelmente para aumentar os incentivos de gestão para eficiência e produtividade".

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A partir de 2016, observou-se uma redução em termos reais da remuneração fixa, acompanhada de um aumento do peso da remuneração variável, ao menos nos valores aprovados para pagamento.

Thomaz Teodorovicz, um dos autores do estudo, explica que a remuneração variável serve de incentivo para que gestores atinjam determinadas metas. Em empresas públicas abertas, essas metas geralmente estão ligadas ao retorno financeiro.

Nas estatais, além de objetivos financeiros, especialmente nas de economia mista com ações no mercado, existem também metas associadas a políticas públicas ou interesses políticos, como a soberania em determinados insumos. Este tipo de objetivo costuma ser mais complexo de mensurar.

O estudo também comparou a remuneração de diretores e membros dos conselhos das estatais com seus equivalentes em empresas privadas. Os resultados indicam que os salários médios mensais das estatais são entre R$ 92 mil e R$ 131 mil menores para diretores, e entre R$ 13 mil e R$ 23 mil inferiores para conselheiros.

Considerando empresas do mesmo porte, medido pelo total de ativos, a remuneração dos diretores das estatais é 48,5% menor em relação às empresas privadas abertas.

As remunerações menores nas estatais refletem tanto na parcela fixa quanto nos demais componentes salariais da diretoria.

Teodorovicz ressalta que o objetivo do estudo não é igualar os salários das estatais aos das empresas privadas, mas sim destacar a importância de atrair profissionais qualificados, comprometidos em permanecer e a aumentar a produtividade, fator crucial para a sustentabilidade econômica e o cumprimento dos objetivos sociais dessas empresas. Isso evita maior desgaste do Estado ao manter estatais inviáveis.

Ele compara essa situação com o setor educacional, onde gestores de organizações sem fins lucrativos trabalham por salários razoáveis para garantir a viabilidade dos cursos por meio da captação de alunos.

Além disso, o estudo aponta que CEOs de estatais dos setores financeiro, indústria de transformação e indústria extrativa apresentam remunerações maiores que os de outras áreas.

BID afirmou que o propósito do estudo é oferecer suporte para debates e apresentar uma análise detalhada e comparativa dos modelos de remuneração, além de identificar variáveis importantes para futuras políticas de atração e remuneração de executivos públicos.

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