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Regra sobre Coronavac na Alemanha frustra brasileiros com passagem comprada

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Por seis dias, informação da embaixada permitia entrada no país europeu dos que haviam recebido o imunizante. Agora, alguns que visitariam parentes são obrigados a rever planos. Governo alemão não esclarece a mudança.

Avião é visto durante entardecer no Aeroporto Internacional de Frankfurt, na Alemanha — Foto: Michael Probst/AP

Em 17 de setembro, brasileiros vacinados com a Coronavac que queriam viajar para a Alemanha receberam uma boa notícia: estava liberada a entrada no país europeu para visitas ou turismo apenas com um teste de covid-19 com resultado negativo. Em consequência, alguns compraram passagens para se reencontrar com familiares, após a pior fase da pandemia ter ficado para trás.

Seis dias depois, em 23 de setembro, veio um balde de água fria. Brasileiros vacinados com a Coronavac, na verdade, só poderiam viajar à Alemanha se comprovassem um motivo urgente. Voltava a valer a regra anterior, que permitia a entrada para visitas ou turismo apenas de brasileiros vacinados com os imunizantes aprovados pela União Europeia (UE): Pfizer-BioNTech, AstraZeneca e Janssen, aplicados no Brasil, e o da Moderna, não utilizado no território brasileiro.

A embaixada da Alemanha no Brasil e os ministérios alemães do Exterior, Saúde e Interior foram questionados pela DW Brasil sobre a razão da mudança de regra em tão pouco tempo, mas o motivo não foi esclarecido.

O Conselho da União Europeia recomenda aos países-membros que autorizem o ingresso para visitas ou turismo dos de fora do bloco vacinados com os imunizantes aprovados pela UE. O órgão também indica aos países que eles podem, se assim desejarem, permitir a entrada de inoculados com os imunizantes aprovados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Coronavac foi aprovada pela OMS no início de julho, e alguns países europeus, como Holanda, Finlândia e Espanha, já permitem a entrada de quem se vacinou com ela.

‘Foi um choque’

Uma que comprou passagem para Alemanha e reservou hotel logo após a informação de que a entrada estava liberada para os vacinados com a Coronavac foi Monica Pedro, de 62 anos, aposentada e moradora de São Paulo. Sua filha mora em Stuttgart, e o filho, em Nurembergue, e ambos trabalham em empresas alemãs.

O plano era ir para a Alemanha no início de dezembro para reunir a família e conhecer o neto, que nasceu há um ano, e voltar ao Brasil em janeiro. Ela e seu marido compraram a passagem em 17 de setembro, no mesmo dia em que a embaixada comunicou a flexibilização das regras – o comprovante das reservas foi enviado à DW.

“Uma semana depois, saiu a reportagem de que a Alemanha já tinha voltado atrás. Foi um choque”, disse. “Estamos há dois anos tentando ir para lá, quero ver meus filhos, conhecer meu neto, e por causa dessa pandemia não pudemos ir.”

Atualmente, a Alemanha permite a entrada de avós não vacinados (ou vacinados com a Coronavac) para visitar netos recém-nascidos, mas apenas por até seis meses após o nascimento.

Monica e seu marido cogitam esperar até meados de novembro antes de cancelar a passagem, “na esperança de que eles mudem as regras”.

‘Restrição não faz sentido’

Cristina* (nome fictício, a entrevistada pediu que seu nome não fosse divulgado), 35 anos, especialista em investimentos e moradora de São Paulo, também estava aguardando com expectativa a liberação para viajar à Alemanha. Ela tem uma irmã mais velha e uma afilhada de quatro anos de idade que moram em Colônia.

Vacinada com a Coronavac, ela comprou a passagem em 21 de setembro para si e o marido – os comprovantes foram enviados à DW. Dois dias depois, a flexibilização das regras foi revista. “Compramos assim que abriu a oportunidade de ir para lá, não imaginávamos que eles iam voltar atrás.”

Ela afirmou que a mudança das regras a fez questionar se deveria ter recusado o apelo dos especialistas de que “vacina boa é vacina no braço” e que o importante era tomar o imunizante disponível no posto de saúde.

“Quando tomei a Coronavac, sabia que a Alemanha estava com essa restrição, mas minha médica falou que não faria sentido escolher vacina. E acabei tomando, na regra de que o que importa é a vacina no braço. Mas hoje em dia teria escolhido, se soubesse que teria esse preconceito.”

Cristina afirmou ter recebido com “indignação” a notícia de que a Coronavac não seria mais aceita pela Alemanha, pois “a restrição não faz sentido”. “Independentemente da vacina, você pode pegar o vírus. Qual é o sentido em quem está vacinado com as [vacinas] aprovadas poder ir sem a necessidade de fazer o teste PCR, e quem está com a Coronavac não poder ir nem com o PCR?”, questionou. Para os vacinados com os imunizantes aprovados na UE, a Alemanha não exige a apresentação de um teste negativo de covid-19 para entrar no país.

Abaixo-assinado de imigrantes para autoridades

A brasileira Ana Carolina Burghi, 30 anos, engenheira e moradora de Stuttgart, participa de uma iniciativa de imigrantes com pais e avós de nacionalidade de fora da UE que busca sensibilizar as autoridades alemãs para o problema da proibição de entrada de parentes imunizados com vacinas não aprovadas no bloco.

Ela relata muitos casos de famílias que moram na Alemanha e que estão privadas das visitas de pais e avós de países da América Latina, onde a Coronavac foi bastante usada, e da Rússia, que desenvolveu a Sputnik V, também não aprovada pela UE.

Inspirados pelo movimento “Amor não é turismo”, que pressionou autoridades alemãs a autorizarem a entrada durante a pandemia de parceiros de residentes alemães que não eram casados ou tinham residência na Alemanha e teve sucesso, uma mãe colombiana criou a página “Family is not tourism Germany”, da qual Burghi participa.

O grupo fez um abaixo-assinado online pedindo ao Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão) atenção para o tema, e reuniu pouco mais que 100 assinaturas. Nesta sexta-feira, eles receberam uma resposta de que a petição havia sido rejeitada, porque já havia outra de tema semelhante tramitando. O coletivo também pediu às crianças que desenhassem o que gostariam de fazer com os avós se eles pudessem visitá-los, e compartilhou os resultados em redes sociais.

“Durante a pandemia, criaram o grupo ‘Love is not tourism’ e foi aberta exceção para que os parceiros pudessem entrar. Mas, no caso de parente, só é possível em caso de nascimento, casamento ou morte”, disse Burghi.

“É triste ver que liberam as entradas por motivos profissionais, como vir para uma conferência e se encontrar com centenas de pessoas, quando o risco seria muito maior, mas não permitem que meus familiares possam vir me visitar e ficar na minha casa, mesmo com quarentena.”

O que os órgãos alemães dizem

A DW Brasil tentou esclarecer por qual razão a regra sobre os brasileiros vacinados com a Coronavac, indicada na página da embaixada da Alemanha em Brasília, mudou em tão pouco tempo, mas não houve resposta conclusiva.

A reportagem enviou a pergunta à embaixada, que encaminhou a questão ao Ministério do Exterior da Alemanha. Este informou que os sites das embaixadas oferecem informações sobre os requisitos básicos para entrar no país, e indicam a consulta a sites de órgãos públicos na Alemanha para as regras detalhadas, em especial às páginas dos ministérios do Interior e da Saúde.

Sobre o caso brasileiro, a pasta informou somente que “as informações no site da embaixada [da Alemanha no Brasil] foram atualizadas em 24 de setembro, tendo em vista informações que estavam sendo particularmente solicitadas no local”.

A DW Brasil também perguntou aos ministérios do Interior e da Saúde sobre as regras para brasileiros vacinados com a Coronavac entrarem na Alemanha, e as respostas de ambas as pastas indicam que não pode ser descartada a hipótese de que o vai e vem em um prazo tão curto tenha sido resultado de um mal-entendido entre diferentes órgãos públicos alemães.

Em sua página, o Ministério do Interior informa que apenas residentes de uma lista que tem hoje 18 países, além das nações da UE, podem viajar para a Alemanha sem restrições – o Brasil não consta nessa lista. Para residentes em países fora da lista, é necessário estar vacinado com um imunizante aprovado na UE ou ter um motivo urgente.

Questionado pela DW sobre os brasileiros vacinados com a Coronavac, o Ministério do Interior informou à reportagem que havia discutido o assunto com o Ministério da Saúde, que enviaria a resposta. A pasta da Saúde, então, informou que, como o Brasil não era mais considerado área de variante de vírus ou área de risco alto, era possível viajar do Brasil à Alemanha sem ter sido imunizado com uma vacina aprovada pela UE, desde que fosse apresentado um comprovante de teste negativo para covid-19 – mesma informação que havia sido disponibilizada pela embaixada alemã no Brasil em 17 de setembro.

A reportagem, então, pediu uma nova confirmação às duas pastas, diante da informação conflitante com a disponível no site do Ministério do Interior.

Em seguida, o Ministério da Saúde respondeu que tinha havido um mal-entendido, e que a regra do site do Ministério do Interior era a que valia para a entrada na Alemanha. Caso a entrada a partir de determinado país fosse permitida segundo as regras do Ministério do Interior, aí aplica-se também a regra do Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde alemão disse ainda que, antes que uma vacina contra a covid-19 possa ser considerada, ela deve ser avaliada segundo o marco regulatório em vigor na UE, e que a Coronavac está em análise. O processo de avaliação da Coronavac pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) foi iniciado em maio de 2021 e não há previsão de quando será concluído.

Quais são as regras para viajar à Alemanha

Segundo as regras em vigor na última sexta-feira (8), podem entrar na Alemanha para visitas e turismo os brasileiros completamente vacinados com os imunizantes aprovados na UE.

É considerado complemente vacinado quem tomou a segunda dose (ou a dose única, no caso da Janssen) há pelo menos 14 dias. As duas doses devem ser de imunizantes aprovados na UE.

No caso de quem teve a doença há até seis meses e se recuperou, basta ter recebido uma dose de uma das vacinas aceitas na União Europeia.

Brasileiros não vacinados ou vacinados com a Coronavac não podem ingressar na Alemanha, no momento, exceto em alguns casos indicados no site da embaixada da Alemanha em Brasília.

Entre as exceções estão, por exemplo, viajantes de negócios ou parentes de até segundo grau de cidadãos com direito de residência na Alemanha, em caso de nascimento ocorrido há até seis meses, casamento ou funeral.

Antes de planejar uma viagem, é recomendável checar as regras nas páginas das autoridades alemães.

Certificado para quem tomou vacinas diferentes

Brasileiros imunizados com as vacinas aprovadas pela UE que decidem ir à Alemanha para visitas ou turismo podem comprovar sua imunização usando o certificado de vacinação emitido pelo aplicativo Conecte SUS nos idiomas inglês ou espanhol, que são aceitos nos aeroportos alemães. O próprio aplicativo do SUS já permite a emissão do documento nesses idiomas.

Porém o Conecte SUS não permite a emissão do certificado para quem tomou as duas doses de vacina de fabricantes diferentes, como a primeira dose da AstraZeneca e a segunda da Pfizer-BioNTech. Esse regime misto foi adotado em algumas cidades brasileiras devido à falta momentânea da vacina da AstraZeneca para a segunda dose.

O Ministério da Saúde brasileiro afirmou que “busca uma solução para que seja possível emitir o certificado de vacinação no aplicativo Conecte SUS em situações que ocorram intercambialidade de vacinas”. Nesses casos, ainda é possível conferir as duas doses da vacina no aplicativo Conecte SUS, mas as informações aparecem apenas no idioma português e não são indicadas em formato de certificado.

 

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Israel aprova construção de mais de 3.000 casas para colonos na Cisjordânia

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O ministério israelense da Construção anunciou na segunda-feira licitações para outras 1.355 casas para colonos na Cisjordânia

(crédito: AHMAD GHARABLI / AFP)

Israel aprovou nesta quarta-feira a construção de 3.144 casas para os colonos na Cisjordânia ocupada, anunciou o exército do Estado hebreu.

O comitê de planejamento da administração civil deu a aprovação definitiva a 1.800 residências e autorizou outras 1.344 construções, anunciou o porta-voz do organismo militar, responsável pelos casos civis nos Territórios Palestinos.

O anúncio foi feito um dia depois de uma declaração crítica da diplomacia dos Estados Unidos, que expressou “profunda preocupação” com a política israelense de construção das colônias.

Esta é uma das posições mais firmes dos Estados Unidos a respeito da colonização israelense nos Territórios Palestinos desde a chegada do presidente Joe Biden à Casa Branca no início do ano.

As autorizações afetam colônias de norte a sul da Cisjordânia.

O ministério israelense da Construção anunciou na segunda-feira licitações para outras 1.355 casas para colonos na Cisjordânia.

Quase 475.000 colonos residem na Cisjordânia, onde vivem 2,8 milhões de palestinos.

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EUA passam a emitir passaporte para pessoas não binárias

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Dessa forma, país se junta a grupo seleto que reconhece o direito das pessoas que não se reconhecem como masculino ou feminino

(crédito: Jerónimo Roure Pérez/ wiki)

O governo dos Estados Unidos emitiu, pela primeira vez, um passaporte para pessoas não binárias, que não se identificam nem com o gênero feminino e nem masculino. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (27/10) pelo Departamento de Estado.

Agora, além das opções de masculino e feminino, o viajante poderá marcar a opção gênero X, que simboliza neutralidade, quando não se identificar com as outras duas possibilidades.

Em nota, o Departamento de Estado ressaltou que a mudança visa promover a liberdade, dignidade e equidade para todas as pessoas. “O departamento também continua a trabalhar em estreita colaboração com outras agências governamentais dos EUA para garantir uma experiência de viagem o mais tranquila possível para todos os portadores de passaporte, independentemente de sua identidade de gênero”, diz a nota.

A pasta disse acreditar que a atualização estará disponível para todos a partir de 2022.

Pelo mundo, somente alguns países como Canadá, Alemanha, Dinamarca, Argentina e Austrália contam com passaporte para pessoas não binárias. No nosso vizinho sul-americano, a mudança ocorreu neste ano e também vale para o documento nacional de identidade (DNI).

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Primeira aparição pública do filho do mulá Omar, ministro no Afeganistão

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“Nossos irmãos empresários (…) devem investir aqui”, declarou Mohammad Yaqub no principal hospital militar de Cabul, o Sardar Mohammad Dawood Khan

(crédito: Taliban Defence Ministry / AFP)

O ministro da Defesa do Talibã, Mohammad Yaqub, filho do fundador do movimento fundamentalista, mulá Omar, apareceu em público pela primeira vez nesta quarta-feira (27), pedindo aos afegãos que apoiem os hospitais.

A intervenção, na televisão, mostra a evolução midiática dos talibãs, que buscam obter o reconhecimento da comunidade internacional, desde seu primeiro regime (1996-2001) sob mulá Omar, que praticamente nunca se mostrava em público nem permitia a difusão de imagens suas.

“Nossos irmãos empresários (…) devem investir aqui”, declarou Mohammad Yaqub no principal hospital militar de Cabul, o Sardar Mohammad Dawood Khan.

“Se permanecermos sinceros e comprometidos com esse objetivo, podemos esperar que dentro de um ou dois anos alcançaremos nossa meta: que nenhum afegão precise deixar o país para se tratar em outro lugar”, acrescentou ele, em um vídeo divulgado pelo governo talibã.

A economia afegã, prejudicada após décadas de guerra, está parcialmente paralisada desde que o Talibã voltou ao poder em agosto.

De acordo com a ONU, o Afeganistão tem uma das maiores taxas de mortalidade materna e infantil do mundo.

Até o Talibã chegar ao poder, Mohammad Yaqub era o chefe de sua poderosa comissão militar, que decidia os rumos estratégicos da guerra contra o governo afegão.

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Polícia prende 150 pessoas em todo o mundo em uma armação na web escura: Europol

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FOTO: Gerd Altmann da Pixabay

A polícia em todo o mundo prendeu 150 suspeitos envolvidos na compra ou venda de produtos ilegais online em uma das maiores ações contra a dark web, disse a Europol na terça-feira.

A Operação DarkHunTOR também recuperou milhões de euros em dinheiro e bitcoin, bem como drogas e armas. A apreensão decorre de uma armação policial liderada por alemães no início deste ano, derrubando o “maior” mercado de darknet do mundo.

Dark HunTOR, “foi composto por uma série de ações separadas, mas complementares na Austrália, Bulgária, França, Alemanha, Itália, Holanda, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos”, disse a Europol com sede em Haia.

Só nos Estados Unidos, a polícia prendeu 65 pessoas, enquanto 47 foram detidas na Alemanha, 24 na Grã-Bretanha e quatro na Itália e na Holanda, entre outros.

Vários dos detidos “foram considerados alvos de alto valor” pela Europol.

Os agentes legais também confiscaram 26,7 milhões de euros (US $ 31 milhões) em dinheiro e moedas virtuais, bem como 45 armas e 234 quilos (516 libras) de drogas, incluindo 25.000 pílulas de ecstasy.

A polícia italiana também fechou os mercados “DeepSea” e “Berlusconi”, “que juntos ostentavam mais de 100.000 anúncios de produtos ilegais”, disse a Europol, que coordenou a operação junto com sua agência judiciária gêmea, Eurojust.

“O objetivo de operações como esta é alertar os criminosos que operam na dark web (de que) a comunidade policial tem os meios e as parcerias globais para desmascará-los e responsabilizá-los por suas atividades ilegais, mesmo em áreas obscuras web ”, disse o vice-diretor de operações da Europol, Jean-Philippe Lecouffe.

A polícia alemã fechou em janeiro o mercado online “DarkMarket”, usado por seu suposto operador, um australiano, para facilitar a venda de drogas, dados de cartão de crédito roubados e malware.

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Esses são terroristas, não bandidos!

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Bandidos. Foto: BBC

 

Com o último apelo há três dias pelos 36 palestrantes da Câmara sobre o presidente Muhammadu Buhari para declarar “bandidos” como “terroristas e inimigos da nação”, o governo federal deve acabar com suas pretensões sobre o real status de criminosos que saqueadores em muitos estados nas partes centro-norte e oeste da Nigéria. O presidente deve fazer o necessário e atender às chamadas, incluindo uma moção semelhante adotada pelo Senado; e enfrentar diretamente a séria ameaça ao bem-estar do país.

Adotando moção do senador Ibrahim Abdullahi representando o Distrito Senatorial Leste de Sokoto, o Senado exigiu que o Governo Federal classificasse os chamados bandidos como terroristas e, a partir de então, os confrontasse como cabível. Abdullahi tem todos os motivos para gritar porque é diretamente afetado. Seu distrito senatorial, segundo ele, foi invadido por terroristas que escapavam das operações militares no estado vizinho de Zamfara com a consequência de que no final do mês passado, 21 oficiais de segurança foram mortos, incluindo 15 soldados, três policiais móveis e três agentes da Segurança Nigeriana e Corpo de Defesa Civil. Muitos moradores também foram assassinados.

O Presidente da Conferência dos 36 Oradores, Abubakar Suleiman, que também é Presidente do Estado de Bauchi, explicou que a resolução, alcançada no final de sua terceira reunião anual, fazia parte de um comunicado de cinco pontos ao final de suas deliberações de oito horas . Ele disse: “Apelamos ao presidente Buhari para declarar os bandidos como terroristas e inimigos do estado. A conferência observou que todas as atividades realizadas pelos bandidos contêm o mesmo modo de operações usado pelos terroristas. ”

Como um jornal nacional também divulgou recentemente, ” o nome que chamamos de organizações e movimentos violentos pode ter sérias implicações sobre como o governo e a sociedade reagem ou se relacionam com eles ” e que o que está acontecendo no país não é mais apenas banditismo mas o terrorismo desenvolvido, e os perpetradores não são mais apenas “bandidos”.

É muito estranho que o braço executivo do governo precisasse de pregação do legislativo, ou mesmo de qualquer um, para, pelo óbvio bem do país, fazer o necessário, quando o modo operacional dos terroristas se encaixa perfeitamente na definição ampla do terrorismo. Especificamente, as leis existentes são explícitas sobre o que é ‘terrorismo’ e quem é ‘terrorista’.

A Lei de Prevenção ao Terrorismo de 2011 (conforme alterada) define ” ato de terrorismo ” como ” um ato deliberadamente praticado com malícia e que (a) pode prejudicar seriamente ou prejudicar um país ou uma organização internacional; (b) tem a intenção ou pode ser razoavelmente considerado como tendo a intenção de (i) obrigar indevidamente um governo ou organização internacional a realizar ou abster-se de realizar um ato (ii) intimidar seriamente uma população (iii) desestabilizar seriamente ou destruir a política fundamental , estrutura constitucional, econômica ou social de um país ou organização internacional ou (iv) de outra forma influenciar tal governo ou organização internacional por meio de intimidação ou coerção e (c) envolver (i) um ataque à vida de uma pessoa que possa causar danos físicos graves dano ou morte. (ii) sequestro de uma pessoa,

A atitude inacreditavelmente indiferente do partido All Progressives Congress (APC) liderado por Muhammadu Buhari em relação aos atos de terrorismo tão prevalentes na terra desafia a compreensão de todas as pessoas razoáveis. É uma decisão deliberada e, em caso afirmativo, que razão pode concebivelmente justificar isso? O tão suspeitado nepotismo? O muito discutido sobre a agenda da ‘Fulanização’? A amplamente especulada ‘islamização’ da Nigéria? Por que o Governo Federal, com todos os recursos de que dispõe, parece confortável em viver na negação, enquanto nega ao povo a segurança e o bem-estar que é constitucionalmente obrigado a prover? Ao se recusar a designar apropriadamente esses grupos assassinos como terroristas, o governo nega a si mesmo a aplicação plena e sem reservas de medidas militares e outras medidas que as leis internacionais concedem contra o terrorismo e terroristas.

Este governo admite, por meio de seu mais alto oficial de justiça, Abubakar Malami, conhecimento dos financiadores do terrorismo, mas opta por proteger seus direitos constitucionais contra a divulgação pública. O motivo alegado: eles são presumidos inocentes até prova em contrário por um tribunal de justiça. Ore, quão dissimulada ao ponto do ridículo pode ser uma linha de raciocínio! É como dizer, por um lado, que o governo sabe quem está fornecendo armas, pagando salários e outros incentivos e, geralmente, fornecendo todos os recursos para aterrorizar nigerianos, matar e mutilar, estuprar e saquear e violar de forma abrangente os direitos fundamentais de inocentes cidadãos. Mas, por outro lado, o mesmo governo encontra ‘razão’ para proteger os direitos e a privacidade dos infratores!

Foi corretamente observado que os terroristas estão ficando mais descarados a cada dia: eles estão adquirindo e instalando equipamentos mais poderosos e sofisticados; das florestas estão fazendo incursões em áreas urbanas. Ocasionalmente, eles estão tão confiantes a ponto de lançar uma ofensiva contra formações militares; até se suspeita que tenham adquirido canhões antiaéreos que, especulou-se, foram usados ​​para abater um helicóptero militar ainda não encontrado. Mas isso não é surpreendente nem difícil de acreditar. Em fevereiro deste ano, o xeque Abubakar Gumi, que está em contato próximo com esses atores não-estatais bem armados, avisou, após uma visita a eles na floresta de Zamfara, que ‘eles agora estão tentando comprar … mísseis antiaéreos’ com os rendimentos cada vez mais lucrativos de atos de terrorismo. Não é exagero, portanto, postular que o terrorismo doméstico da Nigéria está rapidamente assumindo dimensão internacional. Se as autoridades nigerianas ouviram Gumi, não há nada que mostre que tomaram medidas preventivas.

Curiosamente, o mesmo Gumi alegadamente alertou contra rotular os criminosos como terroristas, com o fundamento de que, se isso for feito, os movimentos jihadistas estrangeiros diretos se moveriam para recrutar facilmente muitos jovens desempregados que ficarão felizes em trabalhar sob eles como jihadistas em vez de meros criminosos. Esta abordagem, sugerimos, é implorável, pois não fornece nenhuma ajuda ou trégua para centenas de nigerianos inocentes sendo dizimados diariamente.

Este governo da APC precisa lembrar mais uma vez que, em seu manifesto de campanha em 2015, prometeu ao eleitorado que ” a APC estabelecerá um Esquadrão de Crimes Graves bem treinado, devidamente equipado e orientado por objetivos para combater o terrorismo, sequestro, assalto à mão armada, militantes, etno choques religiosos e comunitários em todo o país. ”“ Essa foi uma promessa coletiva feita livremente por um corpo de homens e mulheres presumivelmente honrados que buscavam ser confiados a altos cargos públicos. Seis anos depois, os nigerianos se lembram do partido do governo por uma promessa não cumprida. Eles merecem melhor, muito melhor do que tudo isso.

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O mundo perdeu a chance de voltar melhor da covid, diz relatório da ONU

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Novo relatório das Nações Unidas aponta ainda que as metas prometidas pelos países são suficientes para reduzir as emissões somente em 7,5% até 2030, o que é insuficiente

Maciço de Kebnekaise, ao norte da Suécia: promessas de zerar emissões feitas até agora por países e empresas são insuficientes (AFP/AFP)

 

A pandemia do novo coronavírus, além da tragédia que tirou a vida de quase 5 milhões de pessoas, mudou profundamente a forma de consumir e viver no mundo. Para a economia, essa revolução poderia ter sido também uma oportunidade para combater as mudanças climáticas de forma mais efetiva. Não é o que vem acontecendo, aponta relatório das Nações Unidas (ONU)

O documento divulgado nesta terça-feira, 26, traz um alerta de que, pelos compromissos firmados até agora pelos governos, a redução nas emissões de carbono até 2030 será de somente 7,5%.

Para evitar que a temperatura suba 1,5 grau Celsius, seria preciso um corte muito maior, de 45%.

A ONU afirma que o mundo perdeu a oportunidade de “voltar melhor” da pandemia. Ainda que as emissões tenham caído 5,4% no ano passado devido às quarentenas globais, segundo o relatório, só um quinto dos estrondosos gastos voltados à recuperação econômica foram usados para cortar emissões.

“Os países estão jogando fora uma oportunidade massiva de investir os recursos fiscais e de recuperação da covid-19 de maneiras sustentáveis, com bom custo benefício e capazes de salvar o planeta”, disse António Guterres, secretário-geral da ONU.

O relatório é divulgado dias antes da COP26, Conferência do Clima que acontecerá em Glasgow, na Escócia, a partir deste domingo.

A meta de evitar o aumento da temperatura em 1,5 grau será buscada na conferência, mas o alerta da ONU deixa claro que o mundo está longe de chegar lá se metas mais ambiciosas não forem definidas.

Mais de 100 países e uma série de grandes empresas já prometeram zerar as emissões de carbono até metade desde século, por volta de 2050. Mas mesmo esse compromisso não será suficiente, alerta a ONU. Além disso, a organização aponta que muitas das metas de países e empresas para zerar emissões ainda são “vagas”, sem um plano real para serem atingidas.

“A mudança climática não é mais um problema futuro. É um problema de agora”, disse Inger Andersen, diretor executivo do Programa Ambiental da ONU (Unep), segundo reportado pelo jornal britânico The Guardian.

“Para termos uma chance de limitar o aquecimento global a 1,5 grau, temos oito anos para reduzir quase pela metade as emissões de gases de efeito estufa: oito anos para fazer os planos, colocar em prática as políticas, implementá-las e, por fim, entregar os cortes. O relógio está batendo alto”, disse.

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