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Aconteceu

Rede clandestina abastecia laboratórios ilegais de anabolizantes

Reprodução

A chamada “Conexão Paraguai” foi descoberta como o principal eixo de uma grande rede de produção e distribuição ilegal de anabolizantes no Brasil. Essa operação funcionava através de uma estratégia na fronteira que abastecia laboratórios clandestinos em várias regiões do país. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou uma ação nesta quarta-feira (12/8) para desarticular essa megarede criminosa.

No centro dessa rede internacional está Elisangela Pereira Acosta, apontada como a principal fornecedora dos medicamentos e insumos proibidos. Moradora de uma mansão de alto padrão em Foz do Iguaçu, no Paraná, Elisangela é sócia clandestina de Jorge Luiz Roa em uma das maiores lojas especializadas na venda dessas substâncias em Ciudad del Este.

Para evitar a fiscalização, o grupo escondia os insumos e matérias-primas, importados da Índia, China e Paraguai, no interior de peças mecânicas de motocicletas. Após a passagem pela fronteira, esses materiais eram reembalados em Foz do Iguaçu e enviados para diversos estados brasileiros por meio de plataformas de comércio eletrônico, Correios e transporte clandestino pago.

O marido de Elisangela, Ricardo Mombach, também foi alvo de mandado de prisão.

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Em outra etapa da operação, Jorge Luiz foi preso no Paraguai ao lado de Roberto Carlos, conhecido como “Jiraya”, responsável pelo laboratório clandestino New Science. A prisão aconteceu graças a uma cooperação internacional entre a PCDF, Polícia Federal e autoridades paraguaias.

“Jiraya” coordenava suas atividades a partir do Paraguai, com uma receita estimada em R$ 500 mil por mês, mantendo viagens a hotéis de luxo e financiando atletas e influenciadores digitais para promover os produtos ilegalmente.

Para ocultar o dinheiro do tráfico internacional de esteroides, os líderes do esquema usavam uma rede de doleiros localizados no Paraguai e em Foz do Iguaçu. Estes operadores indicavam contas de “laranjas” em várias regiões do Brasil para receber os pagamentos dos compradores.

Durante a investigação, outros envolvidos foram identificados, incluindo um casal dono de casa lotérica, um comerciante de materiais de construção, um engenheiro agrônomo e trabalhadores autônomos, que cediam suas estruturas financeiras para ocultar a origem criminosa dos valores.

As contas de empresas de fachada, consultorias e estabelecimentos comerciais eram utilizadas para lavar dinheiro. Durante a operação, a Justiça decretou a prisão preventiva dos sócios da loja paraguaia e das pessoas envolvidas na lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Essa estrutura transfronteiriça foi desmontada pela Operação Narciso, considerada a maior ação do ano no combate ao comércio ilegal de anabolizantes. Foram cumpridos 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 32 milhões e bloqueio de sigilos bancários.

O esquema abrangia pedidos no Distrito Federal e em oito estados, resultando no fechamento de mais de 20 estabelecimentos, apreensão de veículos de luxo de marcas como Porsche, Audi e Mercedes, e o derrube de mais de 30 sites de vendas ilegais.

As investigações que levaram ao desmantelamento da rede começaram em fevereiro do ano anterior com a Operação Béquer, que revelou um laboratório clandestino em um apartamento, onde eram produzidos anabolizantes em parceria entre Carlos Henrique Rodrigues de Abreu, Fellipe Dias e Felipe Semani – criadores de marcas clandestinas.

A operação também identificou uma cadeia de fornecedores, gráficas, entregadores e laboratórios, todos alvo das medidas judiciais.

As substâncias ilegais eram produzidas de forma artesanal, em locais improvisados e sem controle sanitário, usando óleo de cozinha e outros elementos não apropriados para aumentar os lucros. Alguns produtos continham substâncias perigosas como clembuterol, sibutramina e fluoxetina.

Esse processo levou a graves problemas de saúde, incluindo mortes causadas por infecções e outras complicações.

Além dos riscos à saúde, a organização empregava métodos sofisticados para lavar dinheiro, incluindo o uso de casas de apostas virtuais para movimentar grandes valores.

Estabelecimentos como a loja Performance Nutrição Esportiva funcionavam como fachada e pontos de venda, contando com o apoio de profissionais como nutricionistas e veterinários.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, os envolvidos não apenas comercializavam esteroides, mas administravam um submundo com alto padrão de vida, devendo responder como traficantes de drogas.

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