Preso mandava anabolizantes para marombeiros no DF
O biomédico Eduardo Vieira Euzébio foi preso durante a Operação Narciso, que investigou um esquema de venda ilegal de anabolizantes na capital federal. Conhecido nas redes sociais como o “gigante da estética”, Eduardo possuía uma clínica na Asa Norte e ministrava cursos na área de estética em Brasília e outras unidades da Federação.
Nas redes, ele compartilhava sua rotina de atendimentos e experiências com o grupo chamado “Legendários”, um movimento cristão voltado para homens, fundado em 2015 na Guatemala e presente no Brasil desde 2018. O grupo promove retiros de três dias que combinam esforço físico intenso com pregações religiosas.
Eduardo também estudava medicina na Bolívia, mas as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelaram que ele atuava como intermediário de laboratórios clandestinos underground. Ele comprava medicamentos e anabolizantes ilegais que vendia para sua clientela, majoritariamente feminina, além de aplicar os produtos, mesmo ciente da ilegalidade e dos riscos envolvidos.
A Operação Narciso, considerada a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes no Brasil, prendeu diversas pessoas e fechou vários estabelecimentos. O esquema envolvia desde a fabricação até a venda, passando pela divulgação dos produtos, com ligação em oito estados e no Paraguai. Foram cumpridos 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 32 milhões em ativos financeiros.
As investigações mostraram que a fabricação dos produtos era feita de forma artesanal, em fundos de quintal e cozinhas residenciais, misturando insumos importados com óleos comuns, sem qualquer controle sanitário. Essa prática colocou em risco a saúde de muitos consumidores, causando desde reações alérgicas graves até complicações fatais como embolias, AVC e infecções.
O delegado responsável, Rodrigo Carbone, afirmou que os envolvidos são tratados como traficantes e destacou a gravidade do esquema, que movimentava milhões e ostentava veículos e mansões. O grupo usava casas de apostas, empresas laranjas e lojas de fachada para lavar o dinheiro obtido com as vendas ilegais.
A investigação também revelou uma conexão internacional, com laboratórios clandestinos na fronteira do Paraguai e operações em vários estados brasileiros. Nome como Carlos Henrique Rodrigues de Abreu e Fellipe Dias aparecem ligados a marcas underground de anabolizantes, que patrocinavam atletas e influenciadores digitais.
A Polícia Civil segue atuando para desarticular esse submundo e impedir a circulação desses produtos que colocam em risco a saúde pública.
