Na última sessão, o dólar ganhou força enquanto o real teve o menor desempenho entre as moedas de países emergentes e exportadores de commodities, devido a uma correção do mercado combinada com preocupações geopolíticas.
O principal motivo do estresse foi a decisão do Departamento de Estado dos EUA de suspender a emissão de vistos para cidadãos brasileiros. No entanto, a moeda americana perdeu parte dos ganhos quando foi confirmado que a medida afeta outros 74 países e não se aplica à maioria dos vistos de não imigrante.
Apesar disso, as tensões no Irã e na Groenlândia continuaram a gerar instabilidade, fazendo o dólar fechar com alta de 0,46%, cotado a R$ 5,4008. O contrato futuro para fevereiro também subiu 0,33%, a R$ 5,414.
Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, explicou que o real estava valorizado demais e que esse movimento pode ser apenas uma correção. No acumulado do ano, o dólar ainda apresenta queda de 1,61% ante o real.
O principal impacto negativo no real foi a suspensão dos vistos pelo governo americano, que começa a valer em 21 de janeiro, mas o fato de a medida afetar diversos países ajudou a amenizar a reação.
Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Banco Daycoval, comentou que houve uma reação rápida no mercado por meio de operações automáticas assim que a notícia foi divulgada, indicando que os EUA estão se isolando de certos países em aspectos sociais, políticos e econômicos.
As tensões no Oriente Médio e na Groenlândia provocaram uma maior saída do dólar de mercados considerados mais arriscados, aumentando a volatilidade externa.
Após o fechamento do dólar, o presidente americano Donald Trump afirmou que as execuções no Irã foram interrompidas e que não há planos para novas execuções, além de destacar que os EUA não poderão depender da Dinamarca em relação à Groenlândia. Isso fez o preço do petróleo cair mais de 1%, embora não tenha impactado significativamente o dólar futuro para fevereiro.
Mercado de ações
O índice Ibovespa indicou alguma volatilidade, mas encerrou em alta de 1,96%, atingindo 165.145,98 pontos, um recorde histórico. A maior parte do ganho foi impulsionada pelas ações da Petrobras e pela valorização dos setores relacionados ao petróleo, apesar da queda no final do pregão devido às declarações de Donald Trump.
Vale destacou-se com alta de 4,74%, enquanto bancos como BTG, Itaú e Bradesco também registraram avanços expressivos. Setores como energia foram beneficiados por recomendações positivas de grandes bancos de investimentos.
A equipe de análise do Itaú BBA observou que, apesar do recorde intradia, o Ibovespa ainda pode encontrar resistência, mas caso supere os 165 mil pontos, poderá mirar nos 180 mil pontos.
Patrick Buss, operador da Manchester Investimentos, mencionou que a tensão no Oriente Médio contribuiu para o desempenho da Bolsa, especialmente devido ao peso das ações da Petrobras.
Juros futuros
Os juros futuros negociados na B3 aumentaram durante o pregão, indo contra a queda dos títulos do Tesouro americano. A notícia da suspensão de vistos para o Brasil foi o principal catalisador desse movimento.
Pesquisa divulgada no dia mostrou estabilidade no índice de aprovação do governo e apontou o presidente Lula como líder nas intenções de voto, ainda que com menos vantagem que em momentos anteriores.
André Muller, economista-chefe da AZ Quest Investimentos, explicou que a suspensão dos vistos impactou inicialmente o câmbio e os juros, mas à tarde apenas os juros continuaram subindo, enquanto o dólar estabilizou.
Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, afirmou que nenhuma outra notícia além da suspensão dos vistos influenciou os juros nesta quarta-feira.
Nos EUA, os rendimentos dos títulos do Tesouro diminuíram, refletindo uma maior aversão ao risco em razão das tensões globais.
