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sexta-feira, 16/01/2026

Real é a segunda moeda emergente que mais valoriza em dia de otimismo no mercado

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O real, após ter sido a moeda emergente com pior desempenho no dia anterior, recuperou-se e ficou em segundo lugar entre suas concorrentes, que em geral também valorizaram em relação ao dólar, atrás apenas do peso mexicano. A diferença nas taxas de juros entre Brasil e Estados Unidos incentivou operações de carry trade. O otimismo global foi sustentado após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que não pretende substituir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e também pela diminuição das tensões no Oriente Médio, especialmente no Irã.

A confirmação da candidatura de Ratinho Jr. à presidência da República pelo PDT gerou expectativa positiva, pois abre possibilidades para uma reforma fiscal.

O dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,61%, cotado a R$ 5,3681, acumulando baixa de 2,20% no ano de 2026. O dólar futuro para fevereiro também recuava, a R$ 5,389 no final da tarde. O câmbio não foi afetado pela valorização do dólar frente a moedas fortes, como evidenciado pelo índice DXY, que subiu 0,26%.

Segundo o economista Guilherme Souza, da Ativa Investimentos, o movimento cambial parece refletir um ajuste técnico mais do que mudanças estruturais. A taxa de juros elevada no Brasil, aliado a uma postura cautelosa do Fed, favorece a valorização do real.

Dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de novembro indicaram crescimento de 1% no varejo restrito, acima das expectativas do mercado. Apesar de muitas projeções indicarem flexibilização da taxa básica de juros (Selic) somente a partir de março ou abril, o resultado das vendas sugere uma economia aquecida.

A queda inesperada nos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA reforçou a percepção de que o mercado de trabalho americano está robusto, diminuindo as expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Fed no curto prazo.

O operador de câmbio Fernando César, da AGK Corretora, destaca o atrativo da Selic elevada em 15% ao ano, fator que mantém operações de carry trade ativas. Além disso, a menor tensão geopolítica no Irã e a manutenção de Powell no Fed abriram espaço para maior apetite por risco. O índice Ibovespa atingiu novo recorde intradiário ao ultrapassar os 166 mil pontos.

O mercado também reagiu positivamente à possível viabilidade da candidatura de Ratinho Jr., já que seu apoio poderia unir mais partidos de centro-direita e facilitar reformas. Investidores estrangeiros recomendam investimentos em mercados emergentes, especialmente na renda variável, o que contribui para o bom desempenho do real.

Desempenho da Bolsa

O Ibovespa fechou novamente acima dos 165 mil pontos, marcando 165.568,32, alta de 0,26%, e durante o pregão atingiu a máxima intraday histórica de 166.069,94 pontos. O volume financeiro foi relevante, alcançando R$ 27,8 bilhões. No acumulado da semana, o índice avançou 1,35%, e no mês, 2,76%.

Apesar da queda das ações da Petrobras, o índice seguiu em alta, impulsionado pelo setor financeiro e outras blue chips como Bradesco. As ações de empresas como Vamos, Magazine Luiza e Multiplan tiveram forte valorização, enquanto Smart Fit, Vivara e C&A recuaram.

Segundo o estrategista-chefe Luciano Rostagno, a liquidação extrajudicial de algumas instituições financeiras que atuavam em câmbio não gerou impacto negativo, mostrando que o Banco Central está atuando de forma técnica para preservar a confiança do mercado. Entretanto, decisões do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União geram preocupação e ruídos.

O analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, ressaltou que a volta parcial dos ganhos do Ibovespa após abertura positiva reflete alguma incerteza sobre o cenário dos juros americanos, embora a economia dos EUA continue sólida.

João Duarte, da ONE Investimentos, observa que o real tem se beneficiado do fluxo para ativos de risco e da alta taxa de juros local, permitindo ajuste favorável do câmbio, mesmo com valorização do dólar global.

Nos EUA, os principais índices de ações também encerraram o dia em alta: Dow Jones (+0,60%), S&P 500 (+0,26%) e Nasdaq (+0,25%).

Dados divulgados pelo IBGE indicaram crescimento superior ao esperado das vendas no varejo em novembro, mostrando uma economia interna aquecida apesar dos juros altos. Isso impulsionou ações com forte exposição ao consumo doméstico.

Juros

Os juros futuros na B3 subiram moderadamente, influenciados pela curva dos Treasuries americanos e pelo resultado positivo das vendas no varejo nacional. As taxas intermediárias e longas atingiram máximas intradiárias, acompanhando a evolução dos títulos americanos e as boas notícias econômicas dos EUA.

O principal aumento no trecho curto da curva a termo foi motivado pela surpresa positiva na PMC de novembro, indicando setores ainda aquecidos da economia.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027, 2029 e 2031 exibiram elevações modestas no fechamento.

A pesquisa do IBGE mostrou que o varejo restrito cresceu 1% em novembro, superando a mediana das expectativas. As vendas ampliadas também avançaram, reforçando o comportamento positivo do consumo, mesmo com a influência de promoções da Black Friday.

Setores como tecidos, vestuário e automóveis tiveram redução nas vendas, enquanto outros segmentos continuaram apresentando crescimento.

Os economistas da Kínitro Capital reconheceram a recuperação do varejo, impulsionada por renda familiar resiliente e eventos de consumo sazonais, apesar do cenário de juros elevados.

Marcos Praça, da Zero Markets Brasil, ressaltou que os próximos cortes na taxa Selic dependerão dos dados domésticos, já que o mercado de renda fixa internacional tem seguido a curva dos Treasuries. Ele acredita que o primeiro corte ocorrerá em abril, considerando as evidências de resiliência econômica.

Cálculos do economista-chefe Flávio Serrano, do banco BMG, indicam uma baixa probabilidade de corte da Selic em janeiro, mas maior chance para março e abril, variando entre 0,25 e 0,5 ponto porcentual. A Selic está prevista para encerrar 2026 em 12,65%.

Fonte: Estadão Conteúdo

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