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Quem é o homem que vazou segredos e desafiou a Apple

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Em entrevista , Thomas Le Bonniec conta por que decidiu denunciar a empresa que podia ouvir conversas das pessoas graças à Siri

Apple: empresa entrou na mira de órgãos reguladores europeus após denúncias de que sua assistente de voz poderia gravar áudios (Anadolu Agency/Getty Images)

Thomas Le Bonniec não é uma das pessoas mais queridas por executivos que comandam a Apple. Ele vazou segredos da gigante da tecnologia ao afirmar que a empresa tinha acesso a milhares de gravações de áudio registradas sem a autorização de usuários dos produtos que levam o logo da maçã. Depois de mais de um ano de anonimato, ele decidiu vir a público. “Eu tinha a esperança de que algo mudaria. Mas isso não aconteceu”, afirma. , Thomas explica os motivos que envolveram a Apple em um dos maiores escândalos de privacidade e segurança digital do século.

A história começa em meados de 2019. Baseado em Cork, na Irlanda, Thomas arranjou um emprego como um funcionário subcontratado da Apple prestando serviços de forma terceirizada. Sua função era simples: deveria transcrever e fazer relatórios de arquivos de áudio que continham gravações em francês feitas a partir do acionamento da assistente de voz Siri pelos usuários do Apple Watch, o relógio inteligente da marca. O objetivo era permitir que a empresa usasse os dados para aperfeiçoar a inteligência artificial. “Era um trabalho entediante, cansativo e repetitivo”, diz.

Enquanto trabalhou em Cork, Thomas percebeu que muitos registros sonoros haviam sido gravados de forma acidental pelos consumidores. Isso poderia acontecer caso eles ativassem o assistente de voz dos produtos ao emitir frases com sons semelhantes ao comando “Ei, Siri”. Não é algo incomum. Em 2018, Gavin Williamson, então secretário de Defesa do Reino Unido, foi interrompido pela assistente de voz enquanto discursava a respeito da Síria. “É muito raro ser incomodado pelo seu próprio celular”, disse Williamson na época. O vídeo pode ser conferido no YouTube.

Pouco antes do fim de junho, Thomas decidiu agir tentando provar que a Apple tinha acesso às gravações. E eram muitas. Os funcionários que atuavam no mesmo projeto que ele analisavam entre 600 mil e 800 mil gravações por trimestre. Isso dá pouco mais de 1.000 horas de áudio e essa é apenas uma fração do total já que haviam projetos semelhantes em pelo menos dez outros idiomas. Segundo Thomas, os áudios cedidos para análise representam apenas entre 0,2% e 1% das gravações obtida pela companhia. Isso significa que a Apple pode ter tido acesso a centenas de milhões de áudios.

Para obter as provas necessárias, ele passou alguns dias registrando capturas de tela dos sistemas em que trabalhava. Depois disso, deixou de ir trabalhar e não deu maiores satisfações dos motivos de sua ausência no escritório. “Em algum momento de sua vida você chega em uma encruzilhada e precisa decidir qual caminho seguir. E a partir deste momento, não pode mais olhar para trás”, diz ele. Dias se passaram e Thomas recebeu um comunicado de que havia sido dispensado justamente por suas faltas ao trabalho.

O denunciante sabia que seus próximos passos não seriam mais simples. Mesmo antes de revelar o que a Apple fazia, ele já se colocava em risco. Ao armazenar provas, quebrava um acordo de confidencialidade que o impedia de revelar detalhes de seu trabalho. Por outro lado, ele aparenta tranquilidade ao ser questionado se há preocupação em ser processado. “Eu acredito que eles vão querer manter toda essa situação longe dos tribunais”, afirma. “Mas isso não significa que isso (o processo) não possa acontecer no futuro.”

Enquanto reunia provas, Thomas passou a procurar casos de pessoas que já tinham puxado a cortina de escândalos de privacidade envolvendo a Apple. “Eu descobri pessoas que também estavam falando sobre o que estava acontecendo e decidi que era hora de eu fazer o mesmo”, afirma. Ele, então, procurou a imprensa para contar a história. Uma primeira reportagem sobre o caso, envolvendo relatos de diferentes fontes envolvidas nas revelações, foi publicada pelo jornal britânico The Guardian dias depois. A partir de então, o caso ganhou o mundo.

A reportagem publicada pelo The Guardian contava que a empresa tinha acesso a diferentes gravações que claramente apontavam não terem sido solicitadas pelos usuários. Vale lembrar que os áudios registrados nos comandos de voz da Siri são enviados diretamente para a Apple e não ficam armazenados no dispositivo. Como Thomas disse, essas gravações contam com mais do que apenas solicitações dos usuários à assistente de voz. Principalmente aquelas realizadas acidentalmente.

Nos relatórios em que produziam durante seus dias de trabalho, os ex-funcionários terceirizados que executavam serviço semelhantes ao de Thomas já revelaram que durante seus trabalhos deveriam informar se a Siri aparentava ter sido acionada de forma acidental. Mas isso seria descrito apenas como uma “falha técnica” e o conteúdo das gravações não deveria ser reportado nos relatórios realizados.

Thomas desejava que o caso ganhasse notoriedade suficiente para que houvesse um esforço geral de conscientização da sociedade em torno de temas como segurança digital e privacidade na internet. “As pessoas entenderiam que podem ser espionadas não apenas por governos, mas também por grandes empresas”, afirma. Não foi bem o que aconteceu.

Siri

Siri: assistente de voz foi lançada pela Apple ainda em 2011 como um recurso do iPhone 4S (Getty Images/Reprodução)

Mea culpa

Na época em que o caso se tornou público, a Apple se manifestou informando que apenas uma pequena parcela dos pedidos feitos à Siri era analisada e que a utilização dos dados tinha o objetivo de ajudar no desenvolvimento da assistente de voz para que a tecnologia pudesse entender melhor o que os usuários diziam. A companhia ainda afirmou ao jornal britânico que a parcela de dados que era enviada para análise eram selecionadas ao acaso, representava menos de 1% das ativações diárias do Siri e tinham apenas alguns segundos de duração.

Em agosto do ano passado, a Apple suspendeu seu programa global de análise das gravações da Siri. A companhia afirmou que estava “realizando uma revisão completa” no programa. O porta-voz também informou que, em uma futura atualização do software, os usuários de dispositivos da maçã poderiam optar por não participar do programa. Em outras palavras, não havia nada sobre encerrar de vez a iniciativa.

No mesmo mês, a empresa se desculpou publicamente pelo ocorrido em um texto publicado no site da companhia. “Na Apple, acreditamos que a privacidade é um direito humano fundamental”, diz a mensagem. Nas linhas seguintes, o texto discorre sobre as razões pelas quais a companhia criou a Siri e como investe na segurança digital da assistente de voz. “A Siri foi desenvolvida para proteger a privacidade do usuário desde o seu início”, diz outro trecho.

Mais recentemente, a Apple deu outro sinal de que não pretende desistir de impulsionar a inteligência artificial de sua assistente de voz. No fim de maio deste ano, a companhia adquiriu por valor não revelado a startup canadense Inductiv. Fundada ainda em 2019, a empresa de machine learning vai tentar deixar a Siri mais inteligente. Questionada sobre os motivos que levaram à aquisição, a Apple apenas afirma que “de tempos em tempos compra empresas menores de tecnologia”.

O fato é que a Siri deixou de ser uma referência no setor nos últimos anos. Lançada ainda em 2011, a assistente teve poucas mudanças significativas nos últimos anos e passou a conviver com a concorrência das rivais Alexa, da Amazon, e do Google Assistente, do Google. Compatíveis com uma gama maior de dispositivos de terceiros, os dois assistentes de voz parecem ter superado a inteligência artificial criada pela empresa da maçã. A expectativa é de que Inductiv ajuda a virar o jogo.

O segundo ato

Quase um ano se passou desde que Thomas resolveu seguir os passos de outros whistleblowers e revelar o abuso de privacidade que a Apple cometia com seus usuários. De lá para cá, a fabricante do iPhone atingiu valor de mercado recorde de mais de 1,4 trilhão de dólares. Isso significa que desde que o escândalo se tornou público, a empresa se valorizou mais de 50%. “

Para Thomas, a guerra de privacidade – ou pelo direito de possuí-la – contra as gigantes do mercado não será vencida em uma única luta. “Eu pensei muito antes de tomar essa decisão e não me arrependo. Era o que eu precisava fazer para me sentir feliz, para sentir que estava agindo da forma correta”, diz. “Eu não acredito que apenas porque eu fiz isso, as práticas dessas empresas vão mudar. Será uma longa batalha.”

E seu próximo passo é levar a briga para os tribunais. Ao mesmo tempo que divulgava sua identidade, Thomas também endereçava uma carta para órgãos reguladores da Europa. “Estou extremamente preocupado com o fato de as grandes empresas de tecnologia estarem basicamente interceptando populações inteiras apesar dos cidadãos europeus serem informados de que a União Europeia possui uma das leis de proteção de dados mais fortes do mundo”, diz um dos trechos do documento.

Thomas se refere ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês). No texto enviado para os órgãos reguladores, o denunciante defende que “a aprovação de uma lei não é suficiente: ela deve ser aplicada aos infratores da privacidade”. Na visão dele, o conjunto de normas conta com pontos positivos, mas que não são o bastante. “As empresas eventualmente encontram formas para continuar operando dentro da lei”, afirma.

Implementado desde 2018, o GDPR prevê que empresas e órgãos públicos que não forem transparentes na coleta, na guarda e no uso de dados obtidos pela internet podem sofrer implicações legais e multas ao limite de 20 milhões de euros ou 4% do faturamento anual – o que for maior. Até o momento, porém, o regulamento não mostrou grandes resultados práticos, principalmente contra as gigantes do mercado de tecnologia.

No caso da Apple, os holofotes do GDPR passaram a iluminar a empresa após as denúncias de 2019. Uma vez julgada culpada pelas práticas realizadas com sua assistente de voz, a companhia poderia ter que arcar com uma multa alta até mesmo para seus padrões. Por conta do faturamento de 260,1 bilhões de dólares durante o ano fiscal de 2019, a Apple estaria sujeita a penalidades máximas de pouco mais de 10 bilhões de dólares.

Em todo o caso, o GDPR começa a se fazer presente na Irlanda. Durante o mês de maio desde ano, a Comissão de Proteção de Dados (DPC, na sigla em inglês) emitiu sua primeira multa sob o regulamento de proteção digital. A Tusla, agência estadual que auxilia em causas jurídicas de crianças e de casos de família, foi multada em 75 mil euros por cometer três violações às normas. Nos incidentes, crianças que sofreram abusos e moram em lares adotivos tiveram seus endereços divulgados indevidamente.

Segundo reportagem do TechCrunch, o DPC irlandês está lidando com mais de 20 grandes casos internacionais e que envolvem não apenas a Apple, mas também Facebook, Google e Twitter. No ano passado, a comissária Helen Dixon chegou a afirmar que esperava que as primeiras decisões sobre os casos que ultrapassam as fronteiras geográficas da Irlanda ocorressem ainda nos primeiros meses de 2020. A carta de Thomas serve também para pressionar os órgãos jurídicos por mais agilidade.

Apple: empresa tem uma de suas sedes na Europa localizada na cidade de Cork, na Irlanda (Bloomberg/Getty Images)

Confira abaixo trechos da entrevista com Thomas Le Bonniec:

Como o trabalho era organizado?

O trabalho consiste em escutar usuários, que não sabem que estão sendo gravados, para melhorar aspectos da Siri. Os projetos eram divididos por semestre e cada projeto tinha entre 600 mil e 800 mil gravações, algo em torno de 1.000 horas de áudio. Eu trabalhava na equipe francesa e ouvíamos cerca de 1.300 gravações por dia.

E o que você achava?

Era um trabalho entediante, cansativo e repetitivo. E gravar as pessoas sem permissão delas me soava algo muito problemático.

Como essa história acabou se tornando pública?

Duas ou três semanas depois de sair, eu vi que havia outras pessoas que também haviam revelado o que estava acontecendo com essas gravações na imprensa europeia. Eu decidi que era hora de fazer o mesmo.

Mas você foi o único que revelou sua identidade…

Fui o único. E espero que outros façam o mesmo.

Por que você decidiu fazer isso?

Em algum momento de sua vida você chega em uma encruzilhada e precisa decidir qual caminho seguir. E a partir deste momento, não pode olhar para trás

O que você esperava conseguir com os vazamentos?

Depois que eu falei com a imprensa, a minha esperança era de que algo mudaria. Era de que a Apple seria responsabilizada pelas gravações e que haveria uma conscientização maior sobre como as pessoas podem ser espionadas não apenas pelos governos, mas também por grandes empresas. Mas isso não aconteceu.

A Apple procurou você para conversar ou está te processando?

Não. Ainda não. Eu não estou preocupado. Havia um contrato de confidencialidade, mas eu acredito que eles devem querer manter toda essa situação longe dos tribunais. Mas isso não significa que não possa acontecer no futuro.

Você se arrepende do que fez?

Eu pensei muito antes de tomar essa decisão e não me arrependo. Na verdade, estou feliz. Era o que eu precisava fazer para me sentir, para sentir que eu estava agindo da forma correta.

Você acredita que o que fez fará com que a Apple e outras empresas de tecnologia não repitam esse tipo de prática que atenta contra a privacidade dos usuários?

Não sou ingênuo. Eu não acredito que apenas porque eu fiz isso, as práticas dessas empresas vão mudar. Elas não mudaram no passado quando casos semelhantes surgiram. Será uma longa batalha. E eu estou feliz que existam pessoas que estão prontas para essa luta.

Qual sua opinião sobre o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR)?

O GDPR faz com que as empresas mostrem duas e não apenas uma janela pop-up quando o internauta visita um site. E nesta nova janela há uma mensagem que deixa claro que ele concorda com as formas como seus dados serão guardados e utilizados. O que eu quero dizer é que as empresas eventualmente encontram formas para continuar operando dentro dessa lei.

Você utiliza iPhone, Apple Watch ou algum desses dispositivos para uso pessoal?

Não. E nunca usei. Eu não tenho um smartphone. Eu não gosto e não preciso deles.

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Entenda por que o Google está pagando bilhões de dólares para a Apple

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Acordo entre as duas empresas está causando polêmica entre órgãos reguladores de mercado da Europa

Google: empresa de Mountain View paga bilhões de dólares para a Apple para ser o buscador padrão do navegador Safari (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)

O Google desembolsou 1,5 bilhão de dólares na conta da Apple em 2019. O pagamento foi feito para que a empresa tenha seu buscador como serviço padrão no navegador Safari, presente no iPhone. E isso não está agrando em nada órgãos reguladores de mercado da Europa que estão investigando as duas empresas por ações anticompetitivas.

Conforme reportado pela Reuters, a cifra paga pelo Google para a Apple no ano passado está descrita no relatório compilado pela Autoridade de Competição e Mercados do Reino Unido. O valor exato pago pelo Google para que todas as pesquisas feitas pelos usuários em qualquer área do Safari direcionem para o seu serviço de buscas é de 1,2 bilhão de libras esterlinas.

O relatório critica o acordo entre as duas companhias e diz que negócios deste tipo criam uma “barreira significa para a entrada e a expansão” de competidores do Google. Também há críticas para a Apple, que lucra com este tipo de negócio e é aconselhada a permitir que os usuários de seus produtos possam realizar configurações prévias no Safari para decidirem qual serviço de busca padrão gostariam de utilizar.

Vale lembrar que a gigante de Mountain View lucra bilhões de dólares com anúncios comercializados em sua plataforma de pesquisa pela ferramenta Google Ads. Da receita de 41,1 bilhões de dólares no primeiro trimestre deste ano, uma fatia de 82% veio das receitas com publicidade. O percentual equivale a 33,7 bilhões de dólares.

Essa não é a primeira vez que as duas empresas estão envolvidas em um imbróglio antitruste neste sentido. Segundo a Bloomberg, que teve acesso a documentos judiciais, o Google pagou 1 bilhão de dólares para a Apple em 2014 para ser o buscador padrão do sistema operacional iOS. Analistas entrevistados pelo The Verge estimam que a Apple tenha faturado algo em torno de 9 bilhões de dólares com estes acordos.

O Google é de longe o buscador mais utilizado do planeta. Dados da empresa de pesquisa Statcounter GlobalStats apontam que a companhia foi responsável por 92,06% das pesquisas realizadas na internet durante o mês de maio deste ano. Principal rival, o serviço Bing, da Microsoft, registrou uma fatia de apenas 2,61% das buscas. Em terceiro lugar está o Yahoo com 1,79%.

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Review: Edge+ é volta em grande estilo da Motorola na briga contra iPhone

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O smartphone tem longa duração de bateria e câmera de 108 megapixels

Motorola Edge+: o smartphone tem sistema Android 10 e câmera traseira tripla (Lucas Agrela/Exame)

O Edge+ é o primeiro smartphone da Motorola que almeja o segmento topo de linha, ocupado pelo iPhone 11 Pro Max e pelo Samsung Galaxy S20+. A fabricante americana, que pertence à chinesa Lenovo, voltou seus esforços à linha Moto G e Motorola One por anos, o que a ajudou a recuperar sua lucratividade após dez anos de jejum. Agora, o Edge+ é o retorno em grande estilo da marca na briga contra o iPhone.

Design

O visual e a construção do Edge+ são dignos de um aparelho topo de linha. Com pintura espelhada, o smartphone tem apenas o logotipo e suas câmeras na parte traseira, o que dá refinamento e simplicidade ao dispositivo. A tela de 6,7 polegadas tem o vidro reforçado Gorilla Glass 5, da americana Corning, que aguenta quedas de até 1,6 metro, em 80% das vezes, sem estilhaçar.

O sensor de impressões digitais é posicionado na tela, algo que a Motorola faz pela primeira vez no segmento topo de linha, colocando a marca em pé de igualdade com essa categoria no mercado de celulares Android.

O aparelho tem contorno em alumínio e sua tela tem curvaturas nas duas laterais, assim como acontece com o Galaxy S20+.

Mesmo sendo um produto do segmento topo de linha, como o iPhone, o Edge+ tem conector para fones de ouvido.

No entanto, o smartphone não é resistente à água e poeira segundo a certificação IP68, como acontece com o rival da Samsung. O produto tem proteção contra respingos, mas não contra imersão.

Câmeras

As câmeras do Edge+ são as mais avançadas que a Motorola já ofereceu em um smartphone. O sensor principal capta imagens com 108 megapixels. As informações captadas pela câmera são combinadas para melhorar os resultados de captura de luz e cores, e geram imagens com cerca de 30 megapixels. O nível de detalhamento que a câmera é capaz de oferecer é alto e se mostra dentro da média da categoria. As cores são um pouco mais saturadas do que as vistas em smartphones da Samsung e da Apple.

No total, o Edge+ conta com três câmeras. Além da que tem sensor de 108 megapixels, ele conta com uma que oferece zoom de até 3x com estabilização óptica e outra de 16 megapixels que é ultra grande angular, como uma GoPro. O ângulo de captura dessa câmera é de 120 graus, enquanto o normal é que câmeras captem apenas 80 graus. O interessante dessa câmera é a implementação que a Motorola fez nela: além de capturar imagens amplas, ela também capta imagens como se fosse uma lente macro, ou seja, fotos podem ser tiradas com distância de cerca de 4 centímetros, situação em que a maioria das câmeras não consegue manter o foco ou mostrar detalhes da imagem.

Veja algumas fotos tiradas com o Motorola Edge+:

Foto com o Motorola Edge+ Edge+: Imagem com a câmera de 108 megapixels
Foto com o Motorola Edge+ Edge+: Imagem com a câmera de 16 megapixels no modo macro
 Edge+: Imagem com a câmera de 8 megapixels e zoom de 3x

Para filmagem, o Edge+ é o segundo com a maior resolução disponível, atrás do Galaxy S20+. As imagens podem ser gravadas com resolução 6K, acima do padrão de imagem 4K. O rival da Samsung filma em resolução 8K – o que viabiliza a criação de conteúdo para as suas TVs de igual resolução já vendidas no Brasil.

A câmera frontal registra imagens com sensor de 25 megapixels com abertura de f/2.0, ou seja, quanto mais luz natural, melhores tendem a ser os resultados.

Configuração

Por dentro, o Edge+ é uma máquina potente. Ele tem processador (SoC) Snapdragon 865 octa-core, 12 GB de RAM e 256 GB de memória de armazenamento. Em conectividade, ele vem com os padrões mais avançados do momento, o Wi-Fi 6 e 5G (para quando tivermos essa rede disponível no Brasil).

Nos testes com aplicativos de benchmark, que avaliam o desempenho geral dos smartphones, o Edge+ se manteve na lista dos melhores do mundo.

AnTuTu – 585.781

Geekbench – 3.350 (multi-core)

Bateria

A bateria do Edge+ tem capacidade de 5.000 mAh. O aparelho tem duração estimada pela fabricante de até dois dias de uso.

Considerações finais

O Motorola Edge+ é uma volta em grande estilo da marca ao segmento topo de linha. Ele acirra a competição na categoria e pode deixar o consumidor divido entre comprar um iPhone 11 Pro ou um Galaxy S20+. Ainda assim, a proteção contra a água é algo que faz falta e pode levar a escolha de outro aparelho – especialmente por conta do preço sugerido de 7.999 reais. Por outro lado, o alto tempo de duração da bateria pode ser um ponto determinante na decisão do consumidor. Com isso, o Edge+ é voltado aos entusiastas de novas tecnologias e mostra que Motorola voltou à competição com vontade. Com ajustes, no futuro, a linha Edge poderá se tornar a melhor escolha de smartphone Android.

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Tecnologia

Google vai descontinuar dois smartphones da linha Pixel

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Aparelhos Pixel 3A e 3A XL não serão mais comercializados pela empresa de Mountain View, que irá focar nas vendas do Pixel 4

MOUNTAIN VIEW, CALIFORNIA – MAY 07: The new Google Pixel 3a is displayed during the 2019 Google I/O conference at Shoreline Amphitheatre on May 07, 2019 in Mountain View, California. Google CEO Sundar Pichai delivered the opening keynote to kick off the annual Google I/O Conference that runs through May 8. (Photo by Justin Sullivan/Getty Images) (Justin Sullivan / Equipe/Getty Images)

O Google anunciou nesta quarta-feira (1) que vai descontinuar os smartphones Pixel 3A e 3A XL. Não comercializados no Brasil, tal como os demais celulares da empresa, os dois modelos tinham preços mais acessíveis em relação aos outros aparelhos da linha.

O plano por trás da descontinuidade pode ser impulsionar a venda do Pixel 4. Lançado em outubro de 2019, este é o principal smartphone do Google. Ele conta com processador Snapdragon 730, tela de 5,81 polegadas com display em resolução de 2340 x 1080 pixels e câmeras frontal e traseira de 12,2 e 8 megapixels, respectivamente.

Rumores recentes apontam que a companhia de Mountain View pretende ainda lançar uma versão mais simples do aparelho, chamada de 4A. Vídeos do aparelho sendo testado foram divulgados na internet, mas o Google ainda não confirmou oficialmente seus planos neste sentido.

Para quem ainda estiver interessado em adquirir os modelos descontinuados, o Google informou o site Android Police que os aparelhos ainda podem ser adquiridos em parceiros comerciais da empresa. Foi possível encontrar unidades disponíveis para venda em sites de grandes varejistas americanas, como a Amazon, por exemplo.

O Google não especifica em seus balanços financeiros o quanto fatura somente com a linha de celulares. Os aparelhos são classificados no segmento “Outros”, que engloba ainda a receita obtida com a loja de aplicativos Play Store e a venda de dispositivos como os smart speakers Google Home e Nest Hub.

Em números, a cifra registrada no primeiro trimestre deste ano neste segmento foi de 4,4 bilhões de dólares – alta de 22% em relação ao mesmo período de 2019. A receita total da Alphabet, controladora do Google, no trimestre foi de 41,2 bilhões de dólares, 13% a mais do que o registrado nos primeiros três meses do ano passado.

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Positivo Tecnologia vence licitação da urna eletrônica brasileira

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Empresa competia com a Smartmatic para entregar 180.000 urnas ao TSE

Hélio Rotenberg, presidente da Positivo Tecnologia: empresa venceu licitação de urna eletrônica do TSE (Guilherme Pupo/Exame)

A Positivo Tecnologia atingiu um feito marcante na sua história: pela primeira vez, ela será a empresa brasileira responsável pela fabricação da urna eletrônica eleitoral.

A curitibana fez uma proposta comercial de entregar 180.000 urnas eletrônicas por 799.997.366,01 reais, enquanto a Smartmatic, com sede em Londres e liderada pelo venezuelano Antonio Mugica, fez proposta de 1.726.326.546,33 reais em janeiro de 2020. Atualmente, o TSE conta com 470.000 urnas e as novas devem substituir aquelas que foram fabricadas entre os anos de 2006 e 2008, que somam 83.000 unidades.

O período para entrada com recursos expirou na última terça-feira e a Positivo Tecnologia será anunciada como vencedora da licitação nos próximos dias. As primeiras urnas feitas pela empresa brasileira serão entregues para as eleições de 2022.

O valor do contrato pode aumentar o faturamento da Positivo, que saiu do prejuízo no ano passado e lucrou 20,8 milhões de reais.

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Tecnologia

Pagamento pelo WhatsApp volta quando proteção de dados for provada, diz BC

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Nesta semana, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) voltou a permitir a criação do sistema de pagamentos, mas o BC ainda proíbe

Pagamentos pelo WhatsApp: Banco Central exige comprovação de competitividade e proteção de dados (WhatsApp/Divulgação)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira que os pagamentos pelo WhatsApp serão aprovados pela autarquia assim que for comprovado que o arranjo proposto pela empresa é competitivo e tem a proteção de dados na forma que o BC considera adequada.

Ao participar de evento promovido pelo jornal Correio Braziliense, ele afirmou que o entendimento da autoridade monetária é que um arranjo que começa com 120 milhões de usuários — base do WhatsApp no país — não é pequeno e, portanto, precisa passar pelo mesmo crivo que outros arranjos.

“Em nenhum momento o BC proibiu nada, está disposto a autorizar assim que for seguido o mesmo trilho dos outros arranjos”, disse.

Nesta semana, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu retirar a medida cautelar que impedia acordo para a criação de um sistema de pagamentos no país recentemente lançado pelo WhatsApp com a maior empresa do setor no Brasil, a Cielo. O órgão de defesa da competição afirmou, porém, que vai continuar a investigação sobre a parceria.

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Descobertas “sinistras” sobre o TikTok: o app da moda espiona você?

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Banida na Índia e com falha que gerou cópias em iPhones, rede social vem sendo acusada de insegura. Mas questões geopolíticas podem influenciar a discussão

TikTok: rede social de vídeos rápidos segue crescendo em meio à pandemia do coronavírus (Danish Siddiqui/File Photo/Reuters)

O banimento da rede social de vídeos TikTok na Índia nesta segunda-feira, 29, foi mais um dos recentes episódios de acusações de segurança contra o app chinês, uma das grandes sensações dos últimos meses no Brasil e no mundo e que já chegou a mais de 2 bilhões de downloads.

Além do TikTok, a Índia proibiu ontem outras dezenas de aplicativos chineses, como o WeChat, em meio a tensões geopolíticas entre os dois países. Ao todo, foram 59 apps banidos.

Ao justificar a ação, o governo indiano também citou questões de segurança. Em nota, o Ministério da Tecnologia da Informação disse que os apps eram “prejudiciais à soberania e integridade da Índia, defesa da Índia, segurança do estado e ordem pública”. O Ministério diz ainda que recebeu “muitas reclamações de fontes variadas” sobre apps que estariam “transmitindo informações de usuários” sem sua autorização.

No domingo, 28, artigo do consultor de tecnologia Enrique Dans na revista americana Forbes relembrou acusações contra o app chinês e eventuais problemas de segurança e disse que “por trás de seu exterior divertido está um propósito sinistro”. O artigo vem depois que, na semana passada, uma acusação contra o TikTok surgiu com a atualização do sistema de segurança do iOS 14, novo sistema operacional da Apple para 2020, que avisa o usuário quando o programa que está usando copiou algo.

Nas redes sociais, circularam imagens de que o TikTok estaria copiando palavras digitadas no celular. O TikTok respondeu à Forbes que a função foi criada para identificar comportamento repetitivo e que uma nova versão do app foi enviada à Apple para eliminar potenciais confusões.

Após a denúncia contra o TikTok, mais de 50 apps também foram pegos fazendo o mesmo tipo de cópia no iOS, segundo o especialista Tommy Mysk, o que pode não ter sido intencional — inclusive nomes como os jornais The New York Times e Wall Street Journal ou o aplicativo de clima AccuWeather.

Nos últimos meses, outras acusações contra problemas de segurança do TikTok também surgiram, sobretudo no Ocidente. As Forças Armadas americanas já proibiram seus funcionários de usarem o app, como uma ameaça à segurança nacional. O próprio governo dos Estados Unidos também disse estar investigando o aplicativo.

Outra investigação, da empresa de cibersegurança Check Point, de Israel, disse que o app têm vulnerabilidades e problemas de segurança. O presidente do fórum Reddit, Steve Huffman, chamou o TikTok de um “app fundamentalmente parasita que está sempre ouvindo”.

Na outra ponta, como mostra o caso da Índia, é impossível não envolver questões de geopolítica nas discussões. A Huawei, outra empresa chinesa, também é constantemente criticada por rivais da China no Ocidente e acusada de usar sua tecnologia para espionar usuários e países.

As acusações contra a Huawei já levaram à prisão da herdeira da empresa no Canadá e fizeram o presidente americano, Donald Trump, pedir a aliados, como os países europeus e o Brasil, que não aceitem a infraestrutura de 5G da Huawei (no Reino Unido, que considerava contar com a empresa chinesa na instalação do 5G mesmo após o pedido de Trump, o caso está em estudo).

Um investidor da ByteDance, controladora do TikTok, disse  que as investidas contra o app se baseiam nas mesmas questões geopolíticas dos últimos anos, como um embate entre antigas e novas empresas de tecnologia e um “sentimento anti-chinês”.

Empresas de tecnologia do outro lado do mundo, nos Estados Unidos, também já foram acusadas de possuir dados demais sobre usuários e de uma possível espionagem. Um dos ápices foi o episódio da Cambridge Analytica, em que dados de mais de 80 milhões de usuários do Facebook e do Twitter chegaram às mãos de uma consultoria política que usou as informações para tentar influenciar o referendo do Brexit, no Reino Unido, e as eleições presidenciais americanas que elegeram Donald Trump, ambos em 2016.

Para além das questões de segurança, o TikTok é acusado de praticar censura para seguir a linha do governo chinês, onde fica a ByteDance. Durante os protestos de Hong Kong, relatos nas redes sociais acusaram o TikTok de estar censurando postagens sobre os protestos e não mostrando as imagens quando termos relacionados a Hong Kong eram procurados — os protestos na ilha, que é território autônomo da China, desagradam ao governo central chinês em Pequim.

Startup mais valiosa do mundo

Fundada em 2012, a ByteDance é a startup mais valiosa do mundo, sobretudo graças ao TikTok, mas também opera outras frentes com foco em inteligência artificial — é essa tecnologia que atualiza feeds de redes sociais com base nas preferências do usuário. A companhia terminou o ano valendo 75 bilhões de dólares, segundo ranking calculado pela empresa de inteligência CB Insights, valor obtido após sua última rodada de investimentos, há dois anos.

A agência Bloomberg publicou que, segundo fontes no mercado privado, o valor de mercado da empresa pode ter subido mais de um terço, para mais de 100 bilhões de dólares. O faturamento da ByteDance também saltou de 7 bilhões em 2018 para 17 bilhões em 2019, com lucro de 3 bilhões de dólares, ainda segundo a Bloomberg.

Em 2019, o TikTok foi o terceiro app mais baixado do mundo, e soma mais de 800 milhões de usuários ativos. Em 2020, vem se mostrando resiliente mesmo em meio à crise do coronavírus, tendo aberto milhares de vagas de trabalho e com alta em número de usuários, segundo projeções de consultorias.

Só nos Estados Unidos, o número de usuários únicos usando a ferramenta foi de 27 milhões em outubro de 2019 para 52,2 milhões de pessoas em março de 2020, uma alta de 94%, segundo dados da empresa especializada em métricas digitais Comscore.

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