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Economia

quedas fortes nas ações das casas bahia após pedido de recuperação financeira

Foto: Shutterstock

MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS

As ações da Casas Bahia caíram 24% por volta das 13h20 desta segunda-feira (17) na bolsa de valores, após a empresa solicitar recuperação judicial no domingo (16) à noite.

Durante o pregão, as ações chegaram a cair até 36%, atingindo o valor de R$ 0,42. Essa foi a maior queda entre as ações do Ibovespa, o principal índice do mercado acionário brasileiro, que teve uma leve queda de 0,10%, aos 166.760 pontos.

Outras empresas do setor não tiveram quedas tão fortes, como Lojas Renner e C&A que caíram entre 0,27% e 1,13%, enquanto Magalu teve alta de 5%. Isso diferiu do que aconteceu após o resultado do segundo trimestre do Magazine Luiza, quando todas as ações do setor caíram depois que a empresa registrou prejuízo.

Alexandre Pletes, chefe de renda variável da Faz Capital, acredita que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia não representa um risco para as outras empresas do varejo.

“A situação da Casas Bahia é bem específica e reflete altos níveis de dívidas, estrutura financeira pressionada e dificuldades que a empresa já enfrentava”, explicou.

Ele salientou que investidores podem ficar preocupados com empresas do varejo que tenham perfis financeiros semelhantes, como maior endividamento, menor geração de caixa ou dependência de crédito.

Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, afirmou que o cenário para investidores é desafiador. “É esperado que o valor das ações continue caindo até que a situação se estabilize, e esse processo deve demorar até que a recuperação fique clara.”

Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, disse que o processo de recuperação da Casas Bahia já vem ocorrendo há algum tempo. “Não é só a Casas Bahia, mas todo o setor que sofreu. Cresceram muito na pandemia e se endividaram, mas o cenário mudou: temos juros mais altos, crescimento mais lento e maior concorrência.”

Para ele, a solução da empresa envolve diminuir seu tamanho e renegociar dívidas com credores.

“Infelizmente, essas empresas precisam reduzir suas operações, o que também diminui as receitas. Agora, precisam negociar com os credores para encontrar um acordo.”

Ele também considera possível que parte das dívidas seja convertida em participação acionária, com alguns credores se tornando acionistas no futuro próximo.

A XP destacou que a empresa teve um trimestre difícil e avançou na reestruturação em um cenário econômico mais complicado.

“O risco do plano não ser executado aumenta em dois aspectos: fornecedores podem apertar as condições devido à notícia da recuperação judicial, afetando a disponibilidade antes do quarto trimestre; e os sindicatos preparam uma ação coletiva”, informou a instituição, assinada por Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer.

A XP colocou as ações da Casas Bahia sob revisão até conseguir mais informações sobre os resultados e alternativas financeiras.

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo na noite de domingo (16), declarando dívidas de R$ 17,3 bilhões.

O pedido envolve dez empresas da holding, incluindo as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o ecommerce Extra.com, a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de logística e tecnologia.

O grupo informou também a demissão de cerca de 3.000 trabalhadores, de um total de mais de 30 mil funcionários, e o fechamento de quase 300 lojas.

O prejuízo fez o patrimônio líquido da Casas Bahia ficar negativo em R$ 8,1 bilhões, insuficiente para cobrir as dívidas mesmo com venda de ativos. A recuperação judicial cita falta de capital de giro, juros e inflação elevados, aumento da inadimplência e concorrência digital.

No domingo (16), a empresa anunciou perda de R$ 10,1 bilhões no trimestre, ante prejuízo de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior. Esse foi o oitavo trimestre consecutivo de perdas para a Casas Bahia.

Júlio Moretti, CEO da Neot, empresa especializada em processos de insolvência e recuperação judicial, disse que o prejuízo é principalmente por baixas contábeis.

“Há créditos tributários, contratos que não foram conforme o esperado e o fechamento de lojas. São perdas reconhecidas por não haver lucro no curto prazo, o que dificulta recuperação de tributos.”, explicou.

Moretti também comentou as demissões anunciadas: “Fechar lojas e desligar funcionários cria dívidas trabalhistas, de aluguel e de fornecedores que nenhum acordo com bancos ou investidores cobre. A recuperação judicial é o único meio que suspende tudo isso de uma vez.”

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