A gestão de riscos é frequentemente reconhecida apenas quando uma crise acontece. Ricardo Brockveld, diretor da ArqCONAM, apresenta uma visão diferente: instituições que agem antes enfrentam problemas menores comparadas às que só reagem após a crise. Muitas vezes, essa prevenção passa despercebida, já que prevenir não traz visibilidade, enquanto reagir bem a uma crise é muito valorizado.
“Ninguém elogia o problema que não ocorreu. Isso explica por que prevenir é o primeiro investimento a ser cortado, embora seu corte seja o mais caro no futuro”, destaca o executivo.
Prevenção enfrenta dificuldades no orçamento
Os recursos destinados à prevenção competem com projetos que apresentam resultados imediatos. Atividades como compliance, auditorias frequentes e revisão de processos demandam investimento, mas seu benefício está em problemas que não acontecem, o que torna difícil provar seu valor em discussões financeiras tradicionais.
“Nos momentos de aperto financeiro, quando os riscos aumentam, a prevenção é a primeira área a ser afetada. Manter esse investimento exige uma disciplina institucional além do simples orçamento”, explica Brockveld.
Por isso, cortar investimentos em prevenção durante crises financeiras pode aumentar os problemas a médio prazo. Organizações que mantêm esses investimentos mesmo sob pressão costumam evitar crises mais graves, apesar de essa relação não ser sempre clara aos decisores no momento dos cortes.
A importância da experiência na identificação dos riscos
Ricardo Brockveld ressalta que muitos riscos só aparecem quando já causam problemas. Assim, reconhecer sinais de alerta antecipados depende da experiência prática das equipes, que percebem detalhes sutis antes que se tornem falhas evidentes.
Essa percepção ajuda a complementar os indicadores formais de compliance. Equipes experientes identificam pequenas variações rotineiras como indícios de problemas maiores, enquanto sistemas automatizados só detectam riscos já avançados. A combinação dessas abordagens gera resultados mais eficazes.
Como institucionalizar a prevenção?
Brockveld sugere que prevenir deve ir além de regras escritas. É preciso uma rotina constante de revisão, equipes preparadas para identificar riscos em seu trabalho e um ambiente que valorize alertas antecipados em vez de punições.
“Mudar essa mentalidade é mais difícil do que implementar ferramentas. Depende de liderança que valorize a prevenção mesmo sem resultados imediatos”, afirma.
O verdadeiro custo de não antecipar riscos
Não antecipar riscos gera custos que aparecem como falhas acumuladas, retrabalho e decisões feitas sob pressão, que juntos saem mais caros que investir na prevenção. Esse custo é difícil de medir, o que prejudica sua defesa em orçamentos e mantém a ideia errada de que prevenção é gasto desnecessário.
Instituições que conseguem mostrar mesmo uma estimativa desse custo evitado fortalecem o argumento para manter investimentos contínuos em prevenção, mesmo frente a pressões por resultados rápidos, garantindo seu papel estratégico.


