MARCOS HERMANSON
FOLHAPRESS
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou nesta sexta-feira (27) que o conflito no Irã e a interrupção temporária das exportações russas de nitrato de amônio estão causando especulações nos preços dos fertilizantes.
Carlos Fávaro, ministro do setor, alertou que é hora de agir com cuidado e evitar comprar fertilizantes quando o preço estiver muito alto de forma artificial.
O ministério está acompanhando atentamente toda a cadeia de fornecimento, conversando com diferentes setores para buscar alternativas logísticas e estratégias para garantir que o país tenha fertilizantes suficientes.
Apesar da situação, o Mapa tranquiliza dizendo que a safra de inverno já está plantada ou quase finalizada, o que reduz a necessidade imediata de fertilizantes. O aumento na demanda deve ocorrer apenas com o início do plantio da safra de verão, que começa geralmente em setembro.
O conflito iniciado em fevereiro, com ataques dos EUA e Israel ao Irã, afetou bastante o mercado mundial de produtos básicos e energia. Como resposta, o Irã bloqueou o estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás natural usados no mundo, sendo este último uma matéria-prima importante para fertilizantes.
Além disso, houve ataques a instalações de petróleo e gás natural, prejudicando ainda mais a produção. Irã e Catar, grandes produtores de fertilizantes, foram diretamente afetados.
Ao mesmo tempo, a Rússia suspendeu temporariamente a exportação do nitrato de amônio, um fertilizante muito usado na agricultura. Essa medida tem como objetivo proteger o fornecimento para a agricultura russa, mas também está relacionada ao uso do produto para fins militares.
A Rússia é responsável por aproximadamente 40% da produção mundial de nitrato de amônio e fornece cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil.

