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quarta-feira, 04/03/2026

Preço do petróleo cai após chegar perto de US$ 85

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O preço do petróleo iniciou o dia próximo de US$ 85, com um aumento superior a 2%, mas durante a quarta-feira (4), começou a cair. O barril Brent, referência mundial, passou a apresentar queda no período da tarde.

Às 12h50 (horário de Brasília), o contrato para abril estava em US$ 81,18 (R$ 426,24), uma redução de 0,25% em relação ao dia anterior. Pela manhã, às 5h30, o preço atingiu o pico do dia, chegando a US$ 84,47 (R$ 443,51).

Nos dois dias anteriores, devido a conflitos no Oriente Médio, o preço do petróleo subiu rapidamente, atingindo US$ 85,10 na segunda-feira (2), seu maior valor desde julho de 2024.

O barril WTI, referência nos Estados Unidos, também começou o dia em alta, mas caiu à tarde e estava cotado a US$ 74,29 (R$ 388,57), uma queda de 0,36%.

Esse movimento ocorreu em um dia em que a Guarda Revolucionária do Irã declarou ter “controle total” da passagem marítima entre o golfo Pérsico e o golfo de Omã. Posteriormente, o presidente Donald Trump afirmou que a Marinha dos EUA pode escoltar navios e que forneceu seguros a preços razoáveis para transporte na região, o que aparentemente acalmou os mercados.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que os estoques de petróleo bruto nos EUA estão bem abastecidos. Ele afirmou em entrevista à CNBC que há centenas de milhões de barris armazenados em alto-mar, além de anúncios importantes que serão feitos.

Empresas de navegação relataram embarcações paradas e revisões de rotas após ataques a petroleiros e ameaças de bloqueio. Além dos riscos logísticos, a guerra já está causando paralisações pontuais na produção e no fechamento de instalações energéticas no Oriente Médio, aumentando o temor de uma crise global de energia.

Analistas indicam que o preço sustentado acima de US$ 80 dependerá da duração e intensidade das interrupções. Estoques estratégicos altos em países da OCDE e na China, além de volumes expressivos em trânsito e em armazenamento flutuante, atuam como amortecedores no curto prazo.

Consultorias internacionais projetam que o Brent pode permanecer em torno de US$ 80 em março e cair para cerca de US$ 70 nos meses seguintes. Em um cenário extremo com destruição significativa da infraestrutura, não se exclui a possibilidade de um pico acima de US$ 100.

O preço do petróleo pode pressionar a inflação no Brasil, embora os especialistas afirmem que ainda é cedo para avaliar os impactos. O país exporta mais da metade do petróleo produzido, o que gera entrada de dólares e melhora as receitas públicas e o saldo externo. Ao mesmo tempo, o Brasil depende da importação de diesel e gás de cozinha, o que eleva os custos internos.

“O petróleo alto tem dois efeitos. Aumenta a arrecadação e a entrada de divisas, mas também pressiona os combustíveis”, explica Décio Oddone, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis.

Antes da recente alta, o diesel já estava defasado. Segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), no início do dia 3 o preço do diesel nas refinarias da Petrobras estava R$ 0,83 por litro abaixo da paridade de importação, valor próximo ao registrado antes do último reajuste em janeiro de 2025.

A Petrobras afirma que evita repassar volatilidades momentâneas e ajusta preços apenas quando mudanças estruturais ocorrem. Porém, se o Brent se mantiver acima de US$ 80 por longo período, a pressão para reajustes deve aumentar, principalmente para o diesel, cujo preço internacional já está subindo mais que o da gasolina.

Economistas apontam que o maior risco não é um aumento imediato da inflação, mas a permanência de preços elevados do petróleo em um cenário global de incertezas geopolíticas e comerciais. Em ano eleitoral, o impacto sobre os combustíveis ganha maior relevância política.

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