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Saúde

Precisamos falar sobre a prevenção do câncer de intestino

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Este tumor está se tornando cada vez mais incidente no público jovem. O Setembro Verde alerta para a importância da prevenção (e do diagnóstico precoce)

As atividades físicas e uma boa alimentação ajudam a evitar o câncer colorretal. (Ilustração: André Moscatelli/SAÚDE é Vital)

Os avanços da medicina, o número de casos e a constante discussão sobre curas e terapias fazem com o que o câncer seja um dos principais temas do universo da saúde. Sei que há inúmeras perguntas importantes a serem respondidas, mas não podemos deixar de, sempre que possível, retornar a uma pauta fundamental: a prevenção. Como estamos no Setembro Verde, eu gostaria de me concentrar no tumor de intestino especificamente.

Considerado o terceiro tipo de câncer mais frequente em homens (após próstata e pulmão) e o segundo entre as mulheres (após o câncer de mama), ele acomete o intestino grosso (subdividido em cólon e reto). E um alerta: essa doença está se tornando cada vez mais incidente na população brasileira. O Instituto Nacional do Câncer estima o surgimento de 17 380 casos novos de câncer de cólon e reto em homens e 18 980 em mulheres para o biênio 2018-2019.

As diretrizes de prevenção no Brasil recomendam que o rastreamento preventivo comece a partir dos 50 anos na população geral e aos 40 anos na população de risco, ou seja, aqueles com histórico familiar de câncer colorretal ou aqueles que já tiveram casos de câncer em outro local do corpo.

Porém, nota-se que o desenvolvimento do câncer de intestino em pessoas abaixo da quinta década de vida vem aumentando com velocidade no mundo. Prova disso está em uma publicação da Sociedade Americana de Câncer, que mostrou que, de 1992 a 2005, a incidência geral dessa doença nos Estados Unidos cresceu 1,5% ao ano em homens e 1,6% por ano em mulheres de 20 a 49 anos. E os maiores aumentos ocorreram em pacientes entre 20 e 29 anos —5,2% e 5,6% ao ano para homens e mulheres, respectivamente .

Outro estudo, dessa vez em países da Europa, indicou que, entre 2004 a 2016, a incidência de câncer de intestino aumentou 7,9% ao ano entre indivíduos de 20 a 29 anos. Já em pacientes de 40 a 49 anos, esse acréscimo ficou em torno de 1,6%. É uma taxa consideravelmente menor.

Estudos clínicos e especialistas se dividem em busca das respostas para esse fenômeno. O consumo de alimentos ultraprocessados, o tabaco, a obesidade e o estresse estão no topo das hipóteses, além da deficiência na ingesta de alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras e cereais e água. Adicionalmente, há um fator extremamente preocupante aqui: em jovens, o câncer de intestino tem sido diagnosticado mais tarde, quando já avançou bastante.

Claro que fatores genéticos contribuem para o desenvolvimento da doença. Quadros sindrômicos, como a polipose ou a Síndrome de Lynch, são exemplos disso.

Mas, com a adoção de uma vida mais saudável, é possível evitar o desenvolvimento do tumor. Investir em uma alimentação saudável adequada e rica em vegetais, controlar o consumo de carne processada ou vermelha e investir na prática regular de atividade física são caminhos para evitar o aparecimento desse tipo de câncer.

Do ponto de vista de diagnóstico precoce, a principal recomendação é não esperar que os sintomas apareçam. Mas fique especialmente atento a sangue nas fezes, que é o principal sinal de alerta para o câncer colorretal. Outras manifestações podem ocorrer, como alterações no hábito intestinal (diarreia, intensa vontade de evacuar ou intestino lento), cólicas abdominais, dor na região anal, fraqueza, anemia e emagrecimento intenso.

Não podemos esquecer que o cuidado com a saúde também consiste na realização periódica de exames preventivos, uma vez que 90% dos casos o câncer de intestino se origina a partir de um pólipo benigno, que ao longo dos anos evolui para um tumor. A colonoscopia é fundamental, porém não é o único. Existe uma alternativa simples e de baixo custo, que avalia a presença de sangue oculto nas fezes.

Informe-se sobre esses exames com o seu médico ou com um coloproctologista, o especialista em doenças do intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus.

O diagnóstico precoce é fundamental, mas as pessoas também precisam saber que o câncer colorretal tem tratamentos cada vez mais modernos e efetivos para diferentes perfis de paciente. Para os tumores menores, por exemplo, as lesões podem ser retiradas por colonoscopia e ressecções locais. Já os maiores contam com opções cirúrgicas, como a cirurgia laparoscópica, robótica ou mesmo as cirurgias abertas, cobertas em cidades do Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Este tratamento, muitas vezes, pode ser multidisciplinar e envolver ainda outras especialidades terapêuticas, como a radioterapia e a quimioterapia. Cada estratégia será escolhida de acordo com o status do paciente, tamanho da lesão e a localização exata do câncer.

É pensando em tudo isso e na conscientização da população que a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) promove o Setembro Verde. Trata-se de um mês de intensa campanha, com o objetivo de trazer informações e gerar o autocuidado. Afinal, informar-se também é uma maneira de prevenir.

Acesse www.portaldacoloproctologia.com.br para obter informações sobre a campanha.

*Dra. Sthela Maria Murad Regadas é coloproctologista e presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia

 

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Saúde

Sírio-Libanês: nove anos de excelência em saúde na capital federal

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Instituição se consolida na história de Brasília com um atendimento que começou na Oncologia e cresceu com a cidade, incorporando um novo centro oncológico, um de diagnósticos e um Complexo Hospitalar

Hospital Sírio-Libanês em Brasília

Quando iniciou sua operação em Brasília com o Centro de Oncologia na Asa Sul, em 2011, o Sírio-Libanês começava uma história inédita em seus quase 100 anos de atuação no país. Era a primeira vez que ultrapassava as fronteiras de São Paulo para se instalar em outra região. A presença foi ampliada em 2014 e 2016, com um novo Centro de Oncologia e o Centro de Diagnósticos. Agora, a instituição celebra o 60º aniversário da capital federal como parte de sua história, comemorando também o primeiro ano de funcionamento de sua nova unidade, um hospital completo que consolida ainda mais seus serviços de excelência em saúde.
“O Sírio-Libanês foi muito bem recebido pelos pacientes e pelos profissionais de Brasília, uma cidade acolhedora feita de gente do Brasil inteiro. Temos aqui um histórico do qual nos orgulhamos muito”, afirma Dr. Gustavo Fernandes, Diretor Geral do Hospital Sírio-Libanês em Brasília. “O começo, em 2011, foi pela Oncologia, uma área forte no hospital. Eu, Dr. Rodrigo Medeiros e Dr. Alessandro Leal éramos médicos muito jovens e crescemos com o serviço aqui na capital. O hospital confiou em nós, apostou e hoje temos um serviço líder no Centro-Oeste. São 15 médicos titulares, todos com doutorado e formações internacionais”, celebra, ao comentar sobre a equipe que atua nas unidades da 613/614 Sul e da QI 15 do Lago Sul.
Depois da Oncologia, vieram outros serviços, como a Radioterapia, em 2013. Com ela, o Sírio-Libanês trouxe para Brasília um dos aceleradores lineares mais moderno do mundo, o TrueBeam STX. Cada equipamento pode atender até 80 pacientes por mês, com uma enorme precisão tecnológica para atingir os tumores, o que torna alguns tratamentos contra o câncer mais rápidos e com menos efeitos colaterais.
Com o tempo, o setor de Oncologia cresceu, incorporando áreas como a Oncogenética e os Cuidados Paliativos. No Departamento de Oncogenética, é investigada a possível influência hereditária em alguns tipos de câncer. Assim, com o conhecimento prévio da predisposição a determinado tumor, pode-se estimular a mudança de hábitos de vida e, por meio de um plano de exames periódicos, detectá-lo precocemente, aumentando as chances de cura.
No Programa de Cuidados Paliativos do Sírio-Libanês, hoje referência nacional, uma equipe multidisciplinar promove a qualidade de vida de pacientes, apesar das dificuldades provocadas pela doença ou pelo tratamento. O programa, desenvolvido conforme definido em 2002 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), teve início na Oncologia, e depois foi estendido para as demais especialidades do Sírio-Libanês.
Centro de Diagnósticos
“Em 2016, foi inaugurado o Centro de Diagnósticos. Um grupo de radiologistas e médicos nucleares, com a liderança do Dr. Edgar Franco Neto, vem construindo uma história muito bonita nessa área, com níveis de satisfação e qualidade muito altos”, destaca Dr. Fernandes.
Com estrutura ampla na 613/614 Sul, equipe especializada e os equipamentos mais avançados do país, o Centro de Diagnósticos oferece desde exames laboratoriais até serviços como PET/CT, tomossíntese (mamografia 3D), ressonância magnética, biópsias e tratamentos guiados por imagem, que podem ser realizados em regime ambulatorial, sem necessidade de internação. Os laudos e resultados ficam disponíveis online, tanto para médicos quanto pacientes, graças a uma solução de última geração para armazenamento de dados.
Complexo Hospitalar
Em fevereiro de 2019, o Sírio-Libanês expandiu mais uma vez sua operação na capital federal, com um hospital geral na 613 Sul. Já referência no diagnóstico e tratamento oncológico, a instituição passou a oferecer em Brasília e região a mesma excelência em outras especialidades médicas, como cardiologia, neurologia, ortopedia e emergências por meio do Pronto Atendimento. O complexo dispõe de centro cirúrgico de última geração, UTIs humanizadas, leitos confortáveis e funcionais, além de corpo clínico e profissionais altamente especializados.
“Saímos de um nicho, que são os pacientes com câncer, e passamos a fazer um nível de atendimento mais complexo e geral. Trouxemos a expertise de São Paulo, utilizando profissionais daqui e adequando à realidade local”, explica Dr. Fernandes. São seis salas de cirurgia equipadas com os mais modernos recursos, além de 144 leitos e 31 UTIs distribuídos em 30 mil metros quadrados.
Os avanços tecnológicos na medicina, unidos a uma equipe capacitada, boa estrutura física e atendimento humanizado garantem, por exemplo, intervenções cirúrgicas menos invasivas. Um exemplo é a cirurgia robótica, com recuperação mais rápida e redução nos riscos de infecções, entre outros benefícios. Outra tecnologia de destaque é a ressonância magnética intraoperatória, que permite monitorar, em tempo real, por meio de imagens, o processo cirúrgico cerebral, mostrando com exatidão as estruturas relacionadas à lesão.
Saúde Pública
A tecnologia empregada no Sírio-Libanês também é usada em prol da saúde pública, um compromisso da instituição desde a chegada a Brasília. Nesse sentido, oferece tratamento radioterápico a pacientes encaminhados pelo Hospital da Criança de Brasília José de Alencar. Em outro acordo estabelecido com o Governo do Distrito Federal, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que necessitavam de radioterapia foram atendidos de forma totalmente gratuita.
O Sírio-Libanês também apoia o desenvolvimento da saúde pública por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), mantido em parceria com o Ministério da Saúde. Um dos exemplos é o suporte ao SUS no combate à covid-19. Com recursos de telemedicina, o Sírio-Libanês atua orientando profissionais de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) na regulação das filas para consultas na Atenção Secundária à Saúde (especialistas).
Covid-19
Ainda em relação à covid-19, antes mesmo de o novo coronavírus chegar ao Brasil, o Sírio-Libanês já havia se preparado para enfrentar a pandemia. “Em São Paulo, começamos a nos preparar um mês antes, ao criarmos um comitê de crise. Então, quando apareceram os primeiros pacientes, já tínhamos protocolo e estrutura”, explica Dr. Gustavo Fernandes.
Desde então, diariamente, o corpo médico do Sírio-Libanês realiza videoconferência para discutir protocolos, atendimento e distribuição de material para o enfrentamento da covid-19. “Deu tempo para Brasília se preparar. Até o momento, tivemos mortalidade é zero. Isso se deve à assistência e à estrutura que não está estressada”, finaliza.
Ampla cobertura de convênios
O Hospital Sírio-Libanês em Brasília ampliou a lista de convênios credenciados e conta agora com quase 50 operadoras cadastradas, como Bradesco Saúde, Mediservice, Unimed Norte Nordeste, Saúde BRB, Allianz, Central Nacional Unimed (CNU), FAPES, Gama Saúde, Plan-Assiste (MPF, MPDFT, CNM, MPT e MPM), STF e TJDFT, além da lista de convênios internacionais que recentemente incorporou as operadoras ASA, Euro Center, Henner e Sunmed. BACEN, Pró Ser STJ, PLA/JMU, Senado Federal e SulAmérica foram as últimas operadoras cadastradas.
Com isso, mais beneficiários podem contar com a infraestrutura completa do hospital e, principalmente, com o Pronto Atendimento adulto, importante porta de entrada para os cuidados emergenciais. Vale ressaltar que a lista de planos atendidos nas duas unidades de Oncologia e no Centro de Diagnósticos permanece a mesma de sempre na capital federal – as coberturas completas podem ser conferidas em http://bit.ly/PlanosHSL-Brasilia.
Inovação: hospital realiza seu primeiro transplante alogênico de medula
A equipe do Hospital Sírio-Libanês está comemorando uma conquista até então inédita para a unidade de Brasília. Na semana passada, teve alta o primeiro paciente a ser submetido a um transplante alogênico de medula. “Esse é um dos procedimentos de maior complexidade na medicina, mas tem potencial de curar uma série de doenças. E o paciente não teve nenhuma complicação”, celebra o Dr. Volney Vilela, onco-hematologista responsável pelo transplante.
Na medicina, há dois tipos principais de transplantes de medula: o autólogo e o alogênico. No primeiro, já realizado outras vezes pelo Sírio-Libanês no DF, são utilizadas as células-tronco do próprio paciente. No segundo, essas células vêm de um doador, idealmente de um irmão ou irmã com composição genética semelhante. “O do nosso paciente foi um transplante alogênico haploidêntico, ou seja, o filho doou para o pai. Nesse caso, a compatibilidade é de 50%. Mas foi um sucesso”, destaca o Dr. Vilela, que é também responsável técnico do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF).
O médico acredita que o Sírio-Libanês em Brasília pode se tornar uma referência para transplantes no Centro-Oeste e também para outras regiões do país.
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Saúde

Mais de 100 pesquisadores contestam estudo sobre hidroxicloroquina

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Os médicos e cientistas questionam o estudo sobre tratamento para o novo coronavírus que envolveu 96 mil pacientes

Cloroquina: medicamento foi suspenso em testes de tratamento para covid-19 pela OMS (Brasil2/Getty Images)

Mais de 120 pesquisadores e médicos de todo o mundo contestam o maior estudo sobre o uso da hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus. Os profissionais se uniram e divulgaram uma carta-aberta ao editor do jornal científico The Lancet, um dos mais respeitados do mundo, criticando o estudo que envolveu mais de 96 mil pessoas, entre as quais 15 mil receberam a droga. A pesquisa foi usada pela Organização Mundial da Saúde para suspender os testes do medicamento em pacientes com covid-19, bem como da variante cloroquina.

Apoiada pelos presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, a droga é usada contra malária, lúpus e artrite reumatóide.

O jornal The Guardian publicou uma reportagem informando que dados do estudo coletados na Austrália não batem com os registros de departamentos de saúde ou bancos de dados.

A carta aponta 14 pontos questionáveis do estudo, como a dosagem mais alta do que o recomendado e o fato de o código do software usado para analisar os dados não ter sido revelado. A carta critica, também, que não foram informados os nomes dos institutos de origem das informações.

Os pesquisadores que assinam a carta-aberta pediram para ter acesso aos dados, o que não foi possível devido a acordos feitos com governos e hospitais. Eles pedem que a Surgisphere, a companhia americana que detém os dados da pesquisa, emita um comunicado defendendo o estudo sobre a hidroxicloroquina. A empresa informou que trabalha apenas com institutos de primeira linha e que, como na maioria das corporações, o acesso a dados individuais de hospitais é controlado.

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Saúde

Uma das maiores farmacêuticas do mundo prepara vacina para covid-19

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A Merck entra na corrida pela vacina contra o novo coronavírus ao lado de empresas como Moderna, Pfizer e Johnson & Johnson

Vacina: empresas preparam projetos de vacina contra coronavírus (Francesco Carta/Getty Images)

A Merck, uma das maiores empresas do ramo farmacêutico no mundo, entra na corrida para desenvolver uma vacina contra a covid-19, causada pelo novo coronavírus.

A companhia americana anúnciou seus esforços para a criação de uma vacina meses depois de seus concorrentes, como Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson.

A vacina é baseada em um recombinante de vírus da estomatite vesicular, abordagem também usada na vacina contra o vírus ebola. Trata-se de uma versão enfraquecida do vírus que ajuda o sistema imunológico humano a desenvolver defesas contra a infecção que causa da covid-19. Os esforços de criação de uma vacina da Merck são feitos junto à companhia científica sem fins lucrativos IAVI.

Nesta semana, a Merck anunciou a compra – por um valor não revelado – da austríaca Themis Bioscience, que tem um projeto de vacina contra o novo coronavírus. A medida colocou a companhia na disputa pela vacina mais aguardada pelo mercado global nos últimos anos. Esse projeto de vacina também usa a abordagem de injetar em pacientes saudáveis uma versão enfraquecida do vírus.

Remédio contra covid-19

A farmacêutica também prepara um remédio para tratar a covid-19 junto com a companhia Ridgeback Biotherapeutics. A droga oral visa reduzir a carga viral em pacientes infectados ao evitar que o vírus se replique no organismo.

“A covid-19 é um desafio global e requer soluções globais”, afirmou o presidente da Merck, Kenneth C. Frazier, em comunicado. “A Merck pretende tornar qualquer vacina ou medicamento que desenvolvemos para essa pandemia amplamente acessível e disponível globalmente, e estamos trabalhando agora para atingir esse objetivo o mais rápido possível.”

A Organização Mundial da Saúde lista 124 projetos de vacinas em desenvolvimento para combater a pandemia do novo coronavírus. Até o momento, nenhuma venceu todas as etapas necessárias para chegar à produção em massa e que possa barrar a infecção de forma segura e eficaz.

Apesar de avanços em pesquisas com medicamentos como o remdesivir e drogas para a doença de Gaucher, nenhum tratamento medicamentoso foi aprovado pela OMS para a covid-19.

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Saúde

ECMO: o aparelho que ajuda a salvar vidas na pandemia de coronavírus

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A tecnologia é utilizada em casos gravíssimos e funciona como um pulmão artificial

Um paciente com Covid-19 é é tratado em UTI do Centro ECMO em um hospital de Moscou, na Rússia. Reprodução/Reuters

A Covid-19 é uma doença sistêmica, ou seja, afeta várias partes do corpo. Entretanto, sua ação inicial e principal é nos pulmões. Em muitos pacientes, o vírus danifica o órgão de um jeito em que a pessoa não consegue respirar sozinha. É nessa fase que entram os equipamentos de suporte, como a cânula de oxigênio e o respirador.

O problema é que o ventilador mecânico apenas ajuda o paciente a respirar ao facilitar a entrada de oxigênio até os pulmões e a retirada do gás carbônico na expiração. Mas, em alguns casos, os alvéolos – pequenos sacos de ar responsáveis pela troca gasosa que oxigena o sangue – estão tão afetados que nem o ventilador mecânico é suficiente.

Nesses casos, há um último recurso: o ECMO, sigla em inglês para o procedimento chamado oxigenação por membrana extracorpórea. “Esse procedimento é usado em casos extremos, quando o doente não respondeu a nenhum recurso disponível anteriormente e esse é um dos últimos ou o último para mantê-lo vivo. Ele não é a cura, mas ajuda a manter a pessoa viva até que a doença passe”, explica o cirurgião cardíaco pediátrico do Incor Luiz Fernando Caneo, ex-presidente da Organização para Suporte Vital Extracorpóreo (Elso, na sigla em inglês) latino americana, responsável por interligar centros que oferecem o ECMO na América Latina.

O equipamento pode exercer simultaneamente a função do pulmão e do coração em pacientes em que um desses órgãos ou ambos – perdeu temporariamente a capacidade de realizar estas funções. “O equipamento tem uma bomba, que faz a vez do coração e um oxigenador que faz a vez do pulmão.”, Caneo.

Essa tecnologia já era usada em serviços de saúde de referência pelo Brasil e pelo mundo, mas era utilizada em situações específicas, como em cirurgias cardíacas, operações de grande porte ou durante transplantes de pulmão e coração. Agora, o equipamento ganhou nova importância e está sendo usado com frequência em pacientes com Covid-19 em serviços como o Hospital Albert Einstein, o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital das Clínicas. Estima-se que cerca de 50 pacientes com Covid-19 tenham sido submetidos ao procedimento em todo o Brasil.

O Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pelo diagnóstico do primeiro caso brasileiro do novo coronavírus em fevereiro e referência no tratamento da Covid-19 no país, adquiriu recentemente mais três equipamentos de ECMO. “São equipamentos de alta tecnologia e de grande complexidade. […]  Estes não estão presentes em todas as UTIs — nem do mundo, nem do nosso país. Já tínhamos algo semelhante, mas agora estamos ainda mais preparados para poder oferecer aos pacientes mais graves pela Covid-19 ou por outra doença que deteriore o pulmão uma chance maior de recuperação”, explica Sidney Klajner, presidente da instituição.

Como funciona

Praticamente, é como se a máquina “respirasse” pelo paciente. Ela drena o sangue de uma veia, remove o dióxido de carbono, acrescenta oxigênio, aquece o sangue e depois retorna o sangue para uma artéria. Ao oxigenar o sangue externamente, a máquina permite que o pulmão se recupere e o paciente tenha possibilidade de melhora. “O ventilador mecânico não substitui a função do pulmão do paciente, ele só fornece um fluxo de ar para o interior dos pulmões. Já este equipamento funciona como um pulmão adicional”, explica Celso Freitas, diretor médico da LivaNova, empresa global de tecnologia médica, que forneceu os novos equipamentos ao Hospital Albert Einstein.

Tão importante quanto o equipamento, é o treinamento dos profissionais de saúde em sua utilização. É necessário um cirurgião para inserir os dispositivos no pacientes, uma equipe clínica altamente treinada para operar a máquina e equipe de suporte para monitorar o paciente o tempo todo. “O maior problema hoje é a demanda aumentada por esses dispositivos e o treinamento das equipes multiprofissionais para usarem essa tecnologia. Isso não é uma coisa que pode ser feita da noite para o dia, tão pouco por centros que não se prepararam para oferecer esse tratamento antes da pandemia”, afirma Caneo.

Por ser um procedimento complexo e invasivo, sua principal indicação é para pacientes jovens, com lesão pulmonar grave. E é um tratamento longo. Os pacientes costumam ficar pelo menos 15 dias nesse suporte.

“A ECMO ocupa hoje um importante papel no aumento da sobrevida dos pacientes. Em todas as pandemias anteriores, a ECMO surgiu como apoio para pacientes com insuficiência respiratória aguda grave. Na pandemia de H1N1, por exemplo, hospitais que ofereceram ECMO ao paciente tiveram maior taxa de recuperação do que aqueles sem essa tecnologia.”, diz o cirurgião cardíaco Luiz Caneo.

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Saúde

O impacto da pandemia nos hábitos de vida

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Talvez esse momento seja oportuno para rever o estilo de vida, reorganizar a alimentação e por em prática a antiga meta de uma vida mais saudável

5- Planeje sua alimentação iStockphoto/Getty Images

A preocupação com o peso e doenças como diabetes, hipertensão e dislipidemia sempre foi um tema “chato” para os pacientes durante as consultas com o endocrinologista. O enfoque ou é muito voltado para a parte estética ou muito às solicitações do profissional de saúde por uma qualidade de vida melhor. Insistir em um controle de peso, alimentação saudável e exercícios físicos parece um discurso repetitivo dos médicos, mas que obviamente está embasado em dados de morbidade e mortalidade que essas patologias causam. Doença cardiovascular (infarto e acidente vascular cerebral), câncer, doenças respiratórias são as doenças que mais matam no mundo (mais que o Covid-19) e têm relação com o estado metabólico do indivíduo (peso, níveis glicose e colesterol, pressão arterial).

A pandemia de coronavírus tornou esse tema ainda mais real à medida que os estudos observacionais identificaram um risco maior de mau prognóstico e mortalidade nos indivíduos obesos, diabéticos, hipertensos e com síndrome metabólica. Em algumas regiões, 20-50% dos pacientes com Covid-19 têm diabetes mellitus tipo 2 e 89.3% têm uma ou mais das seguintes condições: hipertensão arterial (49.7%), obesidade (48.3%), doença pulmonar (34.6%), diabetes mellitus (28.3%) e doença cardiovascular (27.8%).

Paradoxalmente, nas últimas guerras, as pessoas que mais sobreviveram à fome e escassez foram as com maior reserva energética. Hoje, esse excesso de adiposidade, níveis de glicose e lipídeos elevados são fatores negativos para sobrevida.

Conhecidamente essas doenças têm uma fisiopatologia que leva a uma lesão do endotélio vascular e menor resposta do sistema imune a uma agressão externa, que quando associado a infecção pelo Covid-19 agrava as lesões vasculares em múltiplos órgãos concomitantemente com uma menor resposta imunológica. Em outras palavras, pacientes que já estão com suas patologias causando um processo inflamatório crônico nos tecidos são agravados pela presença do vírus. Subitamente o tema vida saudável passou a ter uma relevância ainda maior na nossa vida.

Justamente num momento em que as pessoas se encontram em isolamento, com limitações de suas atividades físicas, sob intenso estresse psicológico e econômico, deparando com notícias frequentes do número crescente de óbitos, elas também precisam se preocupar com sua saúde física. Talvez esse momento seja oportuno para rever hábitos de vida, reorganizar sua alimentação (dentro das suas condições e preferências), valorizar e iniciar uma atividade física aeróbica, equilibrar o emocional e por em pratica a antiga meta de uma vida mais saudável, entendendo que saúde física e mental nem sempre são sinônimos de corpo esbelto e magro, e vida saudável não significa dietas restritivas ou limitadas.

Voltamos a falar do velho equilíbrio e bom senso. Boa alimentação é mais do que ingerir nutrientes. Envolve como eles são combinados e preparados, o modo de comer e seu conteúdo simbólico, cultural e social. Aprender a gerenciar as escolhas com autonomia e cuidado, cozinhando refeições saborosas e balanceadas, usando todos os grupos de alimentos, criando regularidade e ambientes apropriados, em companhia (quando possível), reservando um momento para que as refeições sejam feitas com atenção. É hora também de treinar habilidades culinárias e trocar experiências.

Nesse aspecto, pessoalmente acredito que as preocupações e cuidados familiares devem estar mais voltados para nossas crianças e adolescentes. Momento útil para as famílias pensarem nos futuros adultos que precisam ter um sistema imune mais eficaz e mais preparados para envelhecer com mais qualidade de vida. Nossos jovens nunca foram tão sedentários, pobres em qualidade e variedade alimentar, procurando métodos milagrosos e rápidos de perda de peso, associando sempre prazer com excessos (comida ou restrições, álcool, cigarros, drogas). Curiosamente os jovens foram os que mais aderiram ao isolamento social e ao medo de contrair o Covid-19. Por que não aproveitarmos esses momentos para estimular novos hábitos e rotinas?

Claudia Cozer Kalil
Ricardo Matsukawa/Veja.com

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Saúde

Coronavírus: Novavax começa a testar vacina em humanos

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Estudo contará com 130 participantes e deve ter primeiros resultados conhecidos em julho deste ano

3D art based in microscope images of the corona virus from the 2020 outbreak in Wuhan, China Reprodução/Getty Images

A empresa de biotecnologia Novavax anunciou na segunda-feira, 25, a primeira fase de testes em humanos para uma vacina experimental do novo coronavírus.

Esta primeira fase clínica será controlada por placebo e terá a participação de aproximadamente 130 participantes saudáveis com idades entre 18 e 59 anos em duas regiões na Austrália. A avaliação demandará duas aplicações.

“Administrar nossa vacina aos primeiros participantes desta fase clínica é um feito significante, nos leva um passo a frente à conquista de uma necessidade fundamental na luta contra a pandemia da Covid-19“, disse Stanley Erck, CEO da empresa.

“Estamos planejando divulgar os resultados clínicos em julho, se a resposta for positiva, logo iniciaremos a fase 2 do desenvolvimento”, apontou.Já a segunda etapa deve incluir diversos países, como os Estados Unidos, e avaliará o nível de imunização, segurança e redução de casos da Covid-19 em uma faixa mais ampla de idade, descreveu a empresa em comunicado.Em testes pré-clínicos, a vacina da Novavax demonstrou alto nível de imunidade à doença e de anticorpos neutralizadores.

Esses resultados, diz o laboratório, são evidências de que esta candidata a antídoto terá grande eficácia em humanos ajudando a controlar o avanço do novo coronavírus.A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou na sexta-feira, 22, que dez vacinas experimentais estão sendo testadas em humanos, incluindo a da Novavax.

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