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Pouco mais de 1% do PIB chega aos mais pobres no Brasil

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País destina 18,5% da riqueza a políticas e serviços de proteção social, mas gastos com programa de transferência de renda para a camada mais vulnerável são insuficientes para reduzir a desigualdade. Especialistas apontam a expansão do Bolsa Família como saída

(foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)

O Brasil transfere renda incrivelmente mal. O grosso está indo para a metade de cima, especialmente para os 10% do topo. Do total de transferências, o Bolsa Família representa apenas 0,44% do PIB e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), menos de 1%. Depois vem todo o resto, mas esses dois são as transferências que chegam aos mais pobres”, explica Sergei Soares, pesquisador do Ipea.

Nas últimas semanas, vários estudos divulgados revelaram o aumento e a extensão da pobreza no Brasil, que fomentaram discussões sobre a desigualdade estrutural no país. Na terça-feira passada, a Câmara dos Deputados entrou no debate quando o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) anunciou que vai começar a tramitar projetos para um pacote social. No Brasil, os gastos com proteção social, incluindo serviços públicos, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), aumentaram de 15.5% em 1995 para 18.5%, (último dado disponível), de acordo com o Relatório Global de Proteção Mundial da Organização Mundial do Trabalho (OIT). Mesmo assim, o país amarga a nona posição entre os mais desiguais do mundo, de acordo com a Oxfam.

O dinheiro fica nos andares de cima da pirâmide social e quase não chega à base, afirmam especialistas ouvidos pelo Correio. Eles indicam a expansão do programa Bolsa Família como o melhor caminho para enfrentar o problema; apontam o poder público como promotor da desigualdade, ao alocar recursos de maneira desigual; e veem espaço fiscal para mudar a realidade por meio do remanejamento de gastos e tributos.

De acor com estudo coordenado por Soares, em 2016 e 2017 a proteção social foi fundamental para evitar que os efeitos negativos da crise econômica aumentassem a desigualdade. A participação do salário na renda total da população caiu de 75,3% em 2016 para 74,5% em 2017. No entanto, os rendimentos oriundos de programas de proteção social – previdência, Bolsa Família, BPC e outras fontes, cresceram de 21,1% para 21,8% no período. O coeficiente de Gini apresentou uma queda marginal de 0,18 ponto entre 2016 e 2017: 0,541 para 0,539.

Soares explica que a leve oscilação ocorreu devido às mudanças na composição da renda total, que substituíram, em termos de participação, a do trabalho por outras. “O sistema de proteção foi fundamental para que não aumentasse ainda mais a profunda desigualdade, disse. Em outro estudo, ele propõe a fusão dos orçamentos do Bolsa Família, do Abono Salarial, do Salário-Família e da dedução por dependente para crianças no Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), que somam R$ 52 bilhões, recursos suficientes, para Soares, para formar um único programa mais concentrado com potencial de gerar maior impacto. Sem a pulverização dos programas, ele acredita que os benefícios cheguem a quem realmente precisa por meio de uma eficiente utilização do Cadastro Único para Programas Sociais.

Entusiasta do Bolsa Família, Pedro Ferreira Cavalcanti, da Fundação Getúlio Vargas, considera os programas de transferência de renda eficientes e baratos e defende gastar mais com eles do que com isenções fiscais. “O Bolsa Família não chega a 0,5% do PIB, enquanto os incentivos tributários somam 4% do PIB”, compara

Ele explica que a compensação da desigualdade pode ocorrer pela transferência direta de impostos cobrados dos mais ricos para os mais pobres, via programas sociais, ou gastando mais com serviços utilizados pela classe desfavorecida. “O Brasil faz mal as duas coisas”, avalia. Para ele, um exemplo de desigualdade promovido pelo Estado é manter regimes tributários diferentes para contribuintes com o mesmo potencial contributivo.

Robin Hood às avessas

Recentemente, ao anunciar o Programa Verde e Amarelo, para geração de empregos para jovens, o governo foi na direção contrária da apontada pelos especialistas ao tributar em 7,5% quem recebe o salário desemprego como fonte de receita para oferecer desoneração ao empregador. “Não há evidência internacional de que esse tipo de incentivo tem impacto duradouro no emprego, e tirar de desempregado para transferir para o empregador, me parece um Robin Hood às avessas. Deve haver outras fontes menos regressivas”, diz Cavalcanti.

“Temos outros exemplos, como a isenção tributária da Zona Franca de Manaus até o absurdo de descontar do Imposto de Renda o valor pago a empregados domésticos, subsidiando a vida boa da classe média. Aumentar o valor do Bolsa Família tem um impacto brutal na redução da pobreza. Se dobrasse o benefício, o impacto sobre as pessoas e a economia seria muito grande com reflexo no consumo. Afinal, não é isso que a equipe econômica espera ao liberar saques do FGTS? Por que não aumentar o Bolsa Família?”.

Marcelo Neri, economista da FGV-Social, mostra esse impacto com números. “O Bolsa Família ajuda a girar as rodas da economia e não custa tanto. Aumentar o programa causa impacto econômico, porque os pobres consomem mais da renda do que outros setores da sociedade, portanto o efeito multiplicador é maior. Para cada real gasto com o Bolsa Família, o PIB cresce R$ 1,78. No caso do BPC, o efeito é de cerca de R$ 1,20, já com a Previdência, é de R$ 0,53”, explica.

Sem reajuste, o valor unitário mensal pago pelo Bolsa Família, de R$ 89,00, está abaixo da linha de extrema pobreza estabelecida pelo Banco Mundial, de R$ 145 per capita por mês. “A linha de extrema pobreza e de elegibilidade para o Bolsa Família tem que ser compatível. Atualmente o programa não reflete os indicadores de extrema pobreza, o que é prejudicial. É preciso reajustar os parâmetros”, afirma.

Do pacote com as propostas de combate à desigualdade e à pobreza, anunciado por Maia na terça-feira, consta incluir o Bolsa Família na Constituição e garantir reajustes acima da inflação, além de uma modalidade específica do programa para crianças. O grupo que elaborou a proposta promete apresentar uma PEC na próxima semana com seis projetos de lei que incluem ainda políticas para água e saneamento.

“Colocar o Bolsa Família na Constituição é uma medida extrema, mas o Brasil tem várias coisas na Carta que não beneficiam os mais pobres, então, é importante proteger o Bolsa Família. Talvez fosse bom que nada estivesse na Constituição e que houvesse uma política de Estado que mantivesse o valor do programa”, diz Neri. Para Soares, o foco tem que ser a infância. “No Brasil, infância é igual a pobreza. Temos 53 milhões de crianças, 17 milhões não recebem nenhum benefício e, dessas, dois terços estão na metade de baixo da pirâmide e 50% são o público-alvo do Bolsa Família, que é um superprograma”, opina.

“Não ho sonhos”

Aureliano Vieira da Silva, 63 anos, está desempregado, e uma dor constante que sente nas pernas dificulta que ele consiga trabalho. Morador da Estrutural, recebe um benefício mensal de R$ 91,00. Ele não tem acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que transfere um salário mínimo a idosos em situação de extrema pobreza, a  partir de 65 anos, e a deficientes. “Não consigo me manter com o benefício. Preciso de ajuda. Não tenho muitos sonhos, mas, se pudesse, queria ter uma aposentadoria”, disse Aureliano ao Correio, enquanto aguardava atendimento no Cras, unidade de assistência social na Estrutural.

Ele conta que, às vezes, consegue fazer bicos. “Quando minha saúde permite, eu faço uns bicos de pedreiro. Mas nada muito pesado, pois não dou conta de carregar saco de cimento, areia e subir escadas”, relata.

Mãe de quatro filhos e avó de três, Juciléia Alves de Jesus, de 42 anos, também usuária do Cras, recebe o Bolsa Família. “Não dá para o básico. Falta gás e, muitas vezes, o que comer”, diz. Ela conta que o marido foi embora quando as crianças eram pequenas. Seu sonho: “morar em uma casa que não seja de madeira e que não alague”.

“O arranjo de seguridade social está todo vinculado ao trabalho. Quando se pensou no BPC, foi para pessoas que são estruturalmente vulneráveis, como deficientes e idosos, excluídos do mundo do trabalho. Foi a grande conquista da Constituição de 1988. Nosso grau máximo de civilidade, o entendimento de que há um segmento que o mercado não vai absorver.  E, com o aumento da longevidade e a tecnologia, esse contigente vai aumentar”, diz Ieda Maria Nobre, doutora em política social e ex-secretária nacional de assistência social (2015- 2106).

Conferência da sociedade

Nesta segunda (25/11) e terça (26/11) será realizada a Conferência Democrática de Assistência Social. O encontro, que acontece no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, vai discutir o impacto do teto dos gastos públicos no financiamento da assistência social. Segundo a presidente do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), Aldenora González, pela primeira vez, desde 1995, o governo federal não convocou a conferência. Por isso, o encontro vai acontecer pela iniciativa da sociedade civil. Por meio de nota, o Ministério da Cidadania informou que “os encontros da Assistência Social devem seguir o rito da Conferência Ordinária e a deste ano seria extraordinária, por isso, não foi convocada”.

Segundo Alderina, as conferências ordinárias são realizadas a cada quatro anos e as extraordinárias, a cada dois, desde que o CNAS foi instituído pela Lei Orgânica de Assistência Social (Loas) em 1993. “O CNAS convocou a conferência, mas um dia depois, o ministro Omar Terra baixou uma portaria desconvocando”, disse. “Foi solicitado aprovação de dois terços da plenária do Conselho do CNAS para realizar a conferência. Isso é inédito. Nunca aconteceu. Todos os estados realizaram suas conferências este ano, além de mais de três mil municípios, mas o governo federal não quis realizar o encontro nacional”, lamenta.

Crise na assistência

Para ela, o governo cria dificuldade para o debate justamente quando a assistência passa por uma crise. “Neste momento de aumento de pobreza, desemprego e congelamento de recursos, é muito importante fazer o debate, ouvir sobre o que está acontecendo no Brasil. É angustiante ver o sofrimento dos municípios com a falta de recursos para a assistência”, afirma. Ela conta que, em Umuarama (PR), visitou um sopão, de iniciativa da sociedade civil, que teve 80% de aumento da demanda. “Sem ajuda do Estado, as pessoas recorrerem a esses centro comunitários, que estão sobrecarregados”.

A Loas regulamentou o artigo 204 da Constituição de 1988, que determina o direito à assistência social. Em 2005, foi criado o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) nos moldes do SUS , para organizar a assistência em todo o território em rede com estados e municípios, que recebem transferência da União de fundos constitucionais da seguridade social.

Ainda em consolidação, o SUAS é formado por 8.387 Cras (centro de acolhimento e abordagem a pessoas vulneráveis), 2.720 Creas (especializado em vítimas de violência), 229 centros pop (para população de rua) e 28 centros dias (para idosos). Normalmente, esses centros oferecem café da manhã, alguns oferecem almoço, orientação sobre acesso a políticas públicas e atenção psicológica, alguns oferecem atividades.  Segundo Aldenira, para 2020, o orçamento da assistência social está 46,11% menor se comparado ao de 2018 e 46,43% menor do que 2019.  Ela afirma que são necesários R$ 2,2 bilhões para complementar o orçamento deste ano e R$ 1,1 bilhão para o do ano que vem.

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‘O senhor que me demita’, diz Mandetta em briga com Bolsonaro por telefone

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Em uma dura conversa, ministro da Saúde disse ao presidente que ele deveria se responsabilizar pelas mortes na pandemia

No jantar que teve com Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia na noite desta quinta — como o Radar revelou mais cedo –, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, narrou aos chefes do Legislativo o tenso diálogo que travou com o presidente Jair Bolsonaro pelo telefone.

Durante a ligação, o presidente teria dito ao ministro da Saúde que ele deveria pedir demissão e deixar o governo. Mandetta rebateu de pronto: “O senhor que me demita, presidente”.

A partir desse momento, a conversa teria esquentado ainda mais, ao ponto de o ministro da Saúde recomendar ao presidente que ele se responsabilizasse sozinho pelas mortes causadas pelo coronavírus, que já infectou 8.230 brasileiros e matou 343 pessoas.

Apesar da tensa discussão, Mandetta trabalha normalmente nesta sexta e já participou de uma série de reuniões.

Como o Radar mostrou mais cedo, depois de ser atacado publicamente pelo presidente nesta quinta, o ministro da Saúde foi jantar com os presidentes do Senado e da Câmara na residência oficial do Senado.

Na conversa, o ministro estava inconsolável. Disse aos chefes do Congresso que a situação com o presidente era “insustentável”.

Seguidamente boicotado nos bastidores pelo Palácio do Planalto, atacado nas redes sociais por aliados de Bolsonaro e agora publicamente pelo próprio chefe da República, Mandetta revelou estar no seu limite.

Na conversa, que entrou a madrugada, Mandetta disse a Maia e Alcolumbre que, por ele, está fora do governo. Bolsonaro não mereceria o empenho dele e de seus técnicos. Os chefes do Legislativo apelaram para que ele resistisse o máximo possível no cargo.

Em uma videoconferência do Valor, Maia disse que Bolsonaro “não tem coragem de tirar o ministro e mudar oficialmente a política de enfrentamento à pandemia”.

Bolsonaro deixou claro nesta quinta que teme ficar com a conta das mortes da pandemia no Brasil, se realizar mudanças no plano de combate do ministério e dos governadores. Mesmo assim, bateu duro em Mandetta.

“Mandetta já sabe que estamos nos bicando. Ele está extrapolando. Mas não posso demitir ministro em meio ao combate. Nenhum ministro meu é indemissível”, disse Bolsonaro nesta quinta.

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Farmácias de Alto Custo terão serviço de delivery no DF em meio à pandemia de coronavírus

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Contratação foi publicada no Diário Oficial. Custo será de R$ 10,8 milhões por prazo de seis meses.

Remédios estocados em Farmácias de alto custo do Distrito Federal — Foto: Andre Borges/Agência Brasília

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal abriu processo para contratar serviço de entrega em domicílio de medicamentos oferecidos pelas Farmácias de Alto Custo. A atividade será realizada pelo BRB Serviços a custo de R$ 10,8 milhões, pelo prazo de seis meses, sem prorrogação.

A medida foi publicada no Diário Oficial do DF de quinta-feira (2). Segundo o documento, a empresa terá que:

  • Agendar a entrega dos remédios;
  • Entregar na casa dos beneficiados;
  • Fornecer mão de obra especializada para atividades relacionadas à separação e transporte dos medicamentos.

O objetivo da contratação é evitar a aglomeração de pessoas nas Farmácias de Alto Custo em meio à pandemia do novo coronavírus.

Até a última atualização desta reportagem, a Secretaria de Saúde não havia informado se há previsão de quando o serviço será implementado. Também não disse quais serão os critérios para a escolha dos beneficiados pela medida.

Mudanças nas farmácias

Desde o início da pandemia, o procedimento de distribuição de remédios nas três Farmácias de Alto Custo do DF passou por alterações. A Secretaria de Saúde permitiu que pacientes em grupos de risco para a Covid-19 possam cadastrar cinco outras pessoas para buscar os medicamentos nesses locais.

No mês passado, a Diretoria de Assistência Farmacêutica da pasta também publicou uma portaria com medidas a serem tomadas para evitar o contágio do vírus nas farmácias. Entre elas estão:

  • Evitar a aglomeração de pessoas
  • Manter distância de 2 metros entre funcionários, pacientes e pessoas na fila;
  • Realização de triagens para agilizar atendimento;

A secretaria também estendeu a validade de receitas médicas e permitiu a liberação de doses dos medicamentos suficientes para durar até 120 dias. As farmácias funcionam em horário normal: de segunda a sexta das 7h às 19h, e sábado, das 7h às 12h.

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‘Coronavoucher’ deve começar a ser pago antes da Páscoa, diz Onyx

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Caixa Econômica Federal lançará na terça-feira um aplicativo que permite a autodeclaração de informais fora das bases de dados do governo

O auxílio emergencial a trabalhadores informais afetados pela crise do coronavírus deve começar a ser depositado para os trabalhadores já  na próxima semana, afirmou nesta sexta-feira, 3, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. De acordo com o ministro, a partir de terça-feira, a Caixa Econômica Federal irá disponibilizar um aplicativo para que trabalhadores que não estão em nenhum banco de dados possam fazer sua autodeclaração. O prazo para a validação dos dados é de 48 horas e, após esse período, o crédito será depositado em contas bancárias da Caixa, Banco do Brasil ou entidades privadas. Logo, o dinheiro poderia ser liberado já na quinta-feira, 9, véspera do feriado de sexta-feira santa.

Para quem não tem conta em banco, será feita uma autorização de saque para as lotéricas. Segundo Onyx, há entre 15 e 20 milhões de pessoas que estão fora das bases cadastrais do governo e seriam beneficiadas por essa autodeclaração disponível pelo aplicativo. A aplicação, aliás, não deve ter custo de tráfego de dados e dowloads.

O auxílio emergencial irá disponibilizar 600 reais por pessoa (até 1.200 reais por família) como renda mínima emergencial para trabalhadores que não tem emprego formal e possuem renda familiar de até três salários mínimos (3.135 reais).

Na próxima semana, a Caixa deverá montar um calendário com o pagamento de autônomos cadastrados no INSS, Microempreendedores Individuais e informais na base do CadÚnico. Os beneficiários de Bolsa Família começam a receber o ‘coronavoucher’ no dia 16, data de pagamento mensal do programa assistencial anterior.

O presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, destaca que o banco vem trabalhando para lançar o aplicativo na terça-feira e ressaltou que ainda não há nenhuma aplicação oficial no ar ainda. Segundo ele, é possível que haja uma instabilidade inicial já que muitas pessoas tentarão acessar logo de início as plataformas do programa. “Com certeza será o aplicativo mais baixado do mundo”. Também será disponibilizada uma página da internet e uma linha telefônica para atendimento.

De acordo com o presidente da Caixa, o aplicativo dá a opção para que a pessoa não precise ir à agência, o que facilita a operacionalização em tempos de crise e, principalmente, de distanciamento social. As contas pelo aplicativo devem ser abertas com base no CPF e “no mínimo de dados possíveis”, que não foram detalhados.

O ministro da economia, Paulo Guedes, afirmou que a resposta da crise do Brasil para o pagamento de pessoas vulneráveis à crise é o mais rápido de países emergentes e equiparado a dos Estados Unidos. “Estamos reagindo rápido, porque é uma operação muito complexa”, afirmou.

Quem pode receber

O programa emergencial do governo deve beneficiar cerca de 54 milhões de brasileiros que se encaixam nos seguintes critérios:

– Tenham a partir de 18 anos;
– Não possuam emprego formal;
– Não receba benefício assistencial ou do INSS, seguro-desemprego ou faça parte de qualquer outro programa de transferência de renda do governo, com exceção do Bolsa Família;
– Tenham renda familiar, por pessoa, de até meio salário mínimo (522,50 reais) ou renda mensal familiar de até três salários mínimos (3.135 reais);
– Que não precisaram declarar Imposto de Renda em 2018 (por ter renda tributável menor do que 28.559,70 reais)

Além disso, é preciso se enquadrar em algum dos critérios abaixo:
– Não ter carteira assinada e atuar como informal ou autônomo;
– Exercer atividade como Microempreendedor Individual (MEI);
– Ser contribuinte individual ou facultativo do INSS (nos planos simplificados ou baixa renda);
– Ser trabalhador intermitente;

Para poder receber, é necessário estar inscrito no CadÚnico, um cadastro do governo federal que reúne base de dados de programas sociais, até 20 de março deste ano. Caso não esteja, é necessário fazer uma autodeclaração disponibilizada no aplicativo.

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Governo de Goiás prorroga quarentena e flexibiliza restrições

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As medidas de combate à Covid-19 ficam válidas até 19 de abril

Governador Ronaldo Caiado prorrogou a quarentena em Goiás até meados de abril
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), publicou decreto prorrogando o prazo de quarentena no estado até 19 de abril. Entretanto, o chefe do Executivo goiano decidiu flexibilizar algumas medidas de restrição estabelecidas para combater o novo coronavírus.

De acordo com o novo decreto, alguns estabelecimentos que estavam fechados poderão passar a funcionar. Por exemplo, locais que estejam produzindo exclusivamente equipamentos e insumos para o combate à Covid-19 podem deixar as portas abertas.
Além disso, feiras livres de hortifrutigranjeiros poderão abrir as portas, porém, praças de alimentação e consumo de produtos no local estão vedados. Escritórios, podem funcionar, mas sem atendimento presencial ao público.
Oficinas, borracharias, restaurantes e lanchonetes de postos de gasolina localizados às margens das rodovias também serão abertos. Cartórios extrajudiciais também estão no pacote de serviços que poderão voltar a funcionar. Porém, eles devem seguir as normas editadas pela Corregedoria-geral da Justiça do Estado de Goiás.
Foto – usar foto do Ronaldo Caiado. Temos no sistema, se não me engano!
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Coronavírus: favelas e periferias preocupam autoridades e pesquisadores

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Especialistas dizem que população carente não só terá um papel importante no desenvolvimento da pandemia, mas também irá encarar consequências mais dramáticas

Talita Ribeiro, de 25 anos, tem três filhos e não consegue trabalho. Ela dorme com as crianças e o marido no mesmo quarto, em Sol Nascente
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)

Édina Maria de Souza não sabia o que iria dar de jantar ontem aos três filhos, de 2, 5 e 13 anos. No café da manhã, foi arroz e feijão que sobrou do dia anterior. Para o almoço, repetiu o cardápio, depois de pedir um pouco de arroz à vizinha. Moradora da comunidade Sol Nascente, a segunda maior favela do Brasil, a mulher, de 31 anos, está entre os 13,5 milhões de brasileiros na extrema pobreza – ou seja, com renda mensal per capita inferior a R$ 145.

A situação, que já era difícil antes da pandemia do novo coronavírus, piorou após Édina perder a renda de R$ 500 que recebia para cuidar de três crianças em uma casa. Os pais preferiram dispensá-la durante a quarentena. As doações, que antes conseguia aqui e acolá, pararam de chegar. E ela, agora, vive com os R$ 180 do Bolsa Família, que conseguiu no mês passado.

A entrada do coronavírus nas comunidades mais pobres, como favelas e periferias de grandes cidades, é uma preocupação das autoridades e pesquisadores desde a chegada do vírus ao Brasil. Eles apontam desde as condições alimentares aos tamanhos das casas como pontos de fragilidade que deixam o vírus ainda mais perigoso para esses moradores.

A autônoma Talita Ribeiro, de 25 anos, mora em uma casa de três cômodos ao lado do marido e três filhos, um de 3 anos, um de 8 e uma bebê de 7 meses, na comunidade Sol Nascente. A família toda dorme no mesmo quarto. Asmática e lactante, Talita não parou de trabalhar no início do isolamento. Mas, sem movimento nas ruas, preferiu se resguardar em casa. O marido fez o mesmo. Ambos trabalhavam vendendo película para celulares em pontos de grande aglomeração em Brasília. “Estou esperando o auxílio do governo”, conta. O último dinheiro que tinha – R$ 300 de uma parcela do carro – foi gasto com alimentos. Ainda restam arroz, feijão e um pouco de açúcar na casa. Carne não está no cardápio da família desde a alta no preço.

Moradora da comunidade Sol Nascente, Adriana Dias Nascimento, 29, sobrevive há anos com uma renda vinda do Bolsa Família para sustentar os três filhos. Vez ou outra consegue fazer os pais das crianças ajudarem com alguma coisa, mas nunca é algo certo. A mulher, que relata com naturalidade a falta de alimento, conta que nos últimos dias tem evitado sair, com medo do vírus.

Desigualdade

Ministro da Saúde no governo Lula e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), José Gomes Temporão aponta que as situações de desigualdade vão ter um papel importante no desenvolvimento da pandemia no Brasil. “Tem uma frase sendo muito dita, que é: ‘o vírus não discrimina ricos e pobres’. Infelizmente, essa frase não está correta”.

O médico sanitarista afirma que em regiões pobres, os idosos e doentes crônicos, que têm mais risco de desenvolver um quadro grave da Covid-19, têm dificuldades de controlar suas comorbidades. Isso porque encaram uma deficiência no acesso a serviços de saúde; muitas vezes não conseguem comprar medicamentos ou mesmo cumprir determinações médicas, como uma dieta balanceada e atividade física. “Há uma desigualdade social que faz com que os mais frágeis encarem consequências mais dramáticas”, pontua. O sanitarista destaca que uma boa alimentação é fundamental para o combate ao coronavírus. Assim, pessoas subnutridas, ou sem alimentos de qualidade, com a quantidade ideal de vitamina e proteína, por exemplo, ficarão mais fragilizadas e mais suscetíveis a desenvolver sintomas do coronavírus.

Infectologista do Hospital Brasília, Ana Helena Germoglio afirma que a preocupação com as populações carentes passa pelo tamanho das casas e a quantidade de pessoas que vivem em pequenos cômodos. Além disso, o fator saneamento influencia no combate ao coronavírus: afinal, a maior orientação é lavar as mãos com água e sabão. No Brasil, o atendimento de água chega a 83,6% da população, enquanto a rede de esgoto alcança 53,2%, segundo dados do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS).

“Algumas comunidades lidam com falta de água em casa. E, às vezes, não conseguem fazer o isolamento social, tendo que sair para trabalhar. Aí, voltam para casa e dormem todos em um mesmo cômodo”, ressalta a infectologista.

Pesquisador da Plataforma Científica Pasteur-USP, o virologista especialista em coronavírus Luiz Gustavo Bentim Góes diz ver com grande preocupação a chegada do vírus às favelas, locais com problemas nutricionais, alta densidade de pessoas por residência, baixa educação e ausência de estrutura sanitária. “Todos esses pontos são potencializadores da facilidade de transmissão desse vírus.

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Governo zera imposto de importação de peças para respiradores e máscaras

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Até 30 de setembro, não será cobrado Imposto de Importação sobre 25 insumos, componentes e acessórios

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