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Por que a Europa enfrenta uma 3ª onda de Covid? Entenda

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Países como Alemanha, França e Itália passam por nova onda de contágio, que já afetou o Reino Unido recentemente. Velho Continente patina com vacinação lenta, impõe novas medidas de restrição e ameaça bloquear exportações de doses.

Foto mostra a Fontana di Trevi seca e sem público no centro de Roma nesta segunda-feira (15) — Foto: Tiziana Fabi/AFP

Em meio a uma vacinação lenta contra a Covid-19, diversos países da Europa começam a enfrentar uma terceira onda de contágios e voltam a adotar medidas mais restritivas para tentar frear o número de casos e mortes causadas pelo novo coronavírus.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou nesta quinta-feira (18) que o nível de vacinação do continente ainda é muito baixo para retardar a transmissão, que as infecções aumentaram nas últimas três semanas e que mais pessoas estão morrendo da doença do que há um ano.

Foram mais de 1,2 milhão de novas infecções por coronavírus e mais de 20 mil mortes na semana passada, segundo o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, que alertou: “A vacinação por si só, não substitui as medidas de saúde pública e sociais”.

Nesta reportagem você vai ver:

  • A Europa está passando por uma 3ª onda da Covid-19?
  • Qual é a causa do crescimento nos números de casos, mortes e hospitalizações?
  • Qual é o impacto das novas variantes no atual surto?
  • As medidas de restrição não surtiram efeito? O que os países estão fazendo?
  • E a vacinação contra Covid? Ela não deveria diminuir o número de casos e mortes?

3ª onda de contágios

O Reino Unido já passou pela terceira onda em janeiro e, com um lockdown rigoroso e a aceleração da vacinação, conseguiu derrubar a curva de casos e mortes desde então. Mas o fenômeno começa a ocorrer em outros países do continente, como Alemanha, França. e Itália.

Nós temos sinais claros: a terceira onda na Alemanha já começou”, afirmou na sexta-feira (12) Lothar Wieler, chefe do Instituto Robert Koch para doenças infecciosas, responsável por divulgar os números de casos confirmados e mortes por Covid-19 no país.

A Alemanha registrou na quinta-feira (18) o maior aumento de casos em quase dois meses. Foram 227 mortes e 17.504 novos infectados, a maior alta desde 22 de janeiro.

Pedestre passa por hotel e restaurante fechado na parte velha da cidade de Colônia, na Alemanha, nesta quinta-feira (18) — Foto: Martin Meissner/AP

Pedestre passa por hotel e restaurante fechado na parte velha da cidade de Colônia, na Alemanha, nesta quinta-feira (18) — Foto: Martin Meissner/AP.

As hospitalizações na França estão nos níveis mais altos desde novembro, e os leitos de UTI estão quase no limite, mesmo com o país sob toque de recolher das 18h às 6h há dois meses. Restaurantes, bares, cinemas, museus, teatros e academias estão fechados há quase cinco meses.

A França entrou, a partir da meia-noite desta sexta-feira (19), em seu terceiro confinamento em um ano, anunciou o primeiro-ministro Jean Castex. A medida, desta vez menos restritiva, atinge 16 departamentos do país, incluindo Paris, para tentar conter a terceira onda de Covid-19.

“Vamos tomar as decisões que precisam ser tomadas”, afirmou o presidente Emmanuel Macron ao visitar um hospital a leste de Paris. Macron afirmou que as medidas são “pragmáticas, proporcionais e direcionadas”.

O presidente da França, Emmanuel Macron, conversa com profissionais de saúde da UTI em hospital perto de Paris na quarta (17) — Foto: Yoan Valat/Pool via AP

O presidente da França, Emmanuel Macron, conversa com profissionais de saúde da UTI em hospital perto de Paris na quarta (17) — Foto: Yoan Valat/Pool via AP.

Segundo país mais afetado pela Covid-19 na Europa, a Itália registrou 502 mortes na terça-feira (16), o número mais alto desde o final de janeiro, um dia após as restrições serem intensificadas em todo o país.

Mais da metade da população retornou à “zona vermelha”, a mais restritiva, e haverá uma paralisação total no país durante três dias na Páscoa, entre 3 e 5 de abril, inclusive nas áreas menos afetadas.

Na Europa Central e nos Bálcãs, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Klugee, diz que os novos casos, hospitalizações e mortes estão entre as maiores do mundo.

Qual é a causa da nova onda? E as variantes?

O Instituto Robert Koch, da Alemanha, diz que a terceira onda é impulsionada por uma flexibilização das restrições que ocorreu nas últimas semanas, além das variantes do novo coronavírus, que são mais transmissíveis, e prevê um grande salto no número de casos nas próximas semanas.

Partes do país começaram a reabrir no começo do mês, após um longo bloqueio. Estabelecimentos não essenciais estão funcionando e alguns alunos começaram a retornar às escolas em turnos. Agora, restaurantes e hotéis esperam poder reabrir na segunda (22), segundo o jornal “The Guardian”.

Mas o instituto alemão alerta que o número de casos diários pode atingir entre 30 mil e 40 mil na Páscoa (foram 17 mil na quinta) se as medidas de restrição forem relaxadas em um momento tão crítico. Em alguns hospitais, segundo o “Guardian”, a média de idade dos pacientes está 20 anos abaixo da registrada na segunda onda.

Os especialistas também atribuem o recrudescimento da pandemia às variantes. “A história se repete”, afirmou Massimo Galli, um dos principais virologistas da Itália, ao jornal “Corriere della Sera” na segunda-feira (15). “A terceira onda começou e as variantes estão funcionando”.

O ministro da Saúde italiano, Roberto Speranza, diz que mais da metade das novas infecções foram causadas pela variante britânica. “A variante do Reino Unido se espalha de 35 a 40% mais rápido e representa 54% do total de casos”.

Speranza afirmou também que “a variante sul-africana também está presente, principalmente na região de Bolzano, e a brasileira está [presente] principalmente no centro da Itália”.

Na França, a variante britânica é responsável pela maioria dos casos. Na Polônia, o ministro da Saúde, Adam Niedzielski, também afirmou que a cepa identificada no Reino Unido já é responsável pela maioria dos mais de 25 mil casos registrados na quarta (17).

Um dia antes, o governo polonês anunciou três semanas de restrições, a partir deste fim de semana, que inclui o fechamento total de escolas, shoppings centers, academias e piscinas (os restaurantes já estão fechados).

As medidas de restrição não surtiram efeito?

Especialistas afirmam que a vacinação lenta e o relaxamento da população podem ter levado à escalada de casos, hospitalizações e mortes por Covid.

“O lockdown foi interrompido muito cedo, para permitir que as pessoas fossem às compras para o Natal”, disse a epidemiologista francesa Catherine Hill à emissora americana CNN. “A admissão em UTIs tem [aumentado] regularmente, e a situação agora é crítica em várias partes do país, incluindo a grande Paris”.

Josh Michaud, diretor de política de saúde global da Fundação da família Kaiser em Washington, disse ao “The Guardian” que “o rápido relaxamento da Europa nos requisitos de distanciamento em muitos lugares, combinado com as populações baixando a guarda, enquanto olhavam para a luz no fim do longo túnel da pandemia, ajudou a preparar o terreno para os surtos atuais”.

Na segunda (15), a diretora do CDC (Centro para Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos, Rochelle Walensky, citou países europeus como “exemplo”, dizendo que eles “devem ser sinais de alerta para todos nós”.

Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, Walensky exibiu imagens de jovens em praias lotadas da Flórida e implorou aos americanos que não baixassem a guarda:

“Cada um desses países teve seu ponto mais baixo [de infecção] como o que estamos tendo agora”, afirmou a diretora do CDC americano. “Eles simplesmente tiraram os olhos da bola. Estou implorando pelo bem da saúde de nossa nação”.

“Infelizmente todos nós tivemos a ilusão de que a chegada das vacinas reduziria a necessidade de fechamentos mais drásticos”, afirmou o virologista Massimo Galli ao “Corriere della Sera”. “Mas as vacinas não chegaram em quantidade suficiente”.

No Reino Unido, um estudo divulgado na quinta (18) aponta que ter atrasado o lockdown de inverno no país causou 27 mil mortes a mais.

O país, que passou uma terceira onda de Covid-19 em janeiro, é o mais afetado do continente (e o quinto do mundo), com mais de 126 mil mortes segundo balanço da Universidade Johns Hopkins.

“Começar de forma tímida e atrasada nos lockdowns tem sido um desastre, causando milhares de mortes evitáveis”, afirmou Mike Brewer, economista-chefe da fundação responsável pelo estudo.

“Além disso, atrasos nas restrições fizeram com que elas precisassem ser mais rígidas e duradouras do que em outros países, agravando os danos econômicos”, segundo Brewer.

A vacinação não vai parar a 3ª onda?

A União Europeia tem enfrentado uma vacinação lenta em quase todos os países e uma série de atrasos no recebimento dos imunizantes. Como resposta, tem ameaçado bloquear a exportação de doses produzidas no continente.

Idosos descansam em centro de vacinação na Bélgica após serem imunizados com a vacina contra a Covid-19 de Oxford/AstraZeneca em 17 de março de 2021 — Foto: Francisco Seco/AP

Idosos descansam em centro de vacinação na Bélgica após serem imunizados com a vacina contra a Covid-19 de Oxford/AstraZeneca em 17 de março de 2021 — Foto: Francisco Seco/AP

Enquanto o Reino Unido já aplicou mais de 27 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 (o equivalente a quase 40 doses para cada 100 habitantes), União Europeia administrou menos de 12.

Os Estados Unidos, outro país que tem visto o número de casos e mortes caírem com o avanço da vacinação, já aplicaram 113 milhões de doses (mais de 33 vacinas administradas a cada 100 habitantes).

Referência mundial na aplicação de vacinas, Israel foi o primeiro país a ver o impacto de seu programa de vacinação, mas precisou imunizar uma parte significativa da população e levou várias semanas. O país já aplicou 110 doses a cada 100 habitantes e segue entre os que vacinam mais pessoas por dia.

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Merkel apoia ideia de “confinamento nacional curto” na Alemanha

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O número de pacientes em UTIs “aumentou 5% em um dia”, advertiu a porta-voz do governo

(crédito: AFP / POOL / Markus Schreiber)

A chanceler Angela Merkel é favorável à aplicação de um “confinamento corto e uniforme” em toda Alemanha, para frear o aumento dos contágios por covid-19, afirmou nesta quarta-feira (7/4) a porta-voz do governo.

“O sistema de saúde está submetido a uma pressão ameaçadora”, advertiu Ulrike Demmer em uma entrevista coletiva. “Por isto se justificam os pedidos de um confinamento curto e uniforme”, afirmou a porta-voz.

O número de pacientes em UTIs “aumentou 5% em um dia”, advertiu a porta-voz do governo.

A taxa de incidência de sete dias alcançou na quarta-feira 110,1 na Alemanha, com 9.677 casos registrados oficialmente e 298 mortes em 24 horas, segundo o Instituto Robert Koch de vigilância sanitária.

“Precisamos de uma incidência inferior a 100”, argumentou Demmer, antes de alertar que os dados atuais provavelmente são parciais devido ao fim de semana prolongado da Páscoa.

Um dos possíveis candidatos a suceder a chanceler, o líder do partido conservador CDU, Armin Laschet, defendeu nos últimos dias um confinamento de “duas ou três semanas” para reduzir a taxa de incidência até que a campanha de vacinação tenha efeito.

Mas ele não explicou as modalidades do eventual confinamento, especialmente no que diz respeito a possíveis novos fechamentos de escolas e creches.

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Deputados birmaneses entregarão à ONU relatório sobre violações dos direitos humanos

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Desde o golpe de Estado de 1º de fevereiro foram contabilizados quase 2.700 pessoas detidas e muitas que estão desaparecidas

(crédito: Handout / FACEBOOK / AFP)

Um grupo de deputados depostos do partido de Aung San Suu Kyi entregarão à ONU dezenas de milhares de provas de violações dos direitos humanos “em larga escala” em Mianmar, enquanto o comandante da junta militar prometeu resolver a crise “democraticamente”.

Quase 600 civis, incluindo mais de 40 crianças e adolescentes, morreram vítimas da repressão desde o golpe de Estado de 1º de fevereiro, que derrubou o governo de Suu Kyi, segundo a Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP).

Desde o golpe, quase 2.700 pessoas foram detidas e muitas estão desaparecidas – as famílias e os advogados não têm notícias

“Nosso comitê recebeu 180.000 elementos (…) que mostram violações em larga escala dos direitos humanos por parte dos militares”, afirmaram os deputados do Comitê para a Representação da Pyidaungsu Hluttaw (CRPH, na sigla em inglês), o nome do Parlamento birmanês.

As denúncias incluem execuções extrajudiciais, torturas e detenções ilegais.

As provas serão enviadas ao mecanismo de investigação independente sobre Mianmar da ONU, indicou o CRPH, formado por deputados destituídos da Liga Nacional para a Democracia (LND), partido de Aung San Suu Kyi, que entraram na clandestinidade.

Nesta quarta-feira aconteceu uma reunião sobre o tema, tuitou o dr. Sasa, enviado especial do CRPH para a ONU.

– “Crimes contra a humanidade” –
O principal especialista independente com mandato da ONU, Tom Andrews, já havia denunciado prováveis “crimes contra a humanidade” em meados de março.

O comandante da junta, Min Aung Hlaing, declarou que resolverá a crise “de forma democrática”, de acordo com declarações publicadas pelo jornal Global New Light of Myanmar, controlado pelo Estado.

O movimento de desobediência civil, com dezenas de milhares de trabalhadores em greve contra o regime militar, “pretende destruir o país (…) paralisando o funcionamento de hospitais, escolas, estradas, escritórios e fábricas”, disse.

O general citou apenas 248 mortes entre os manifestantes desde o golpe e afirmou que 16 soldados faleceram nos protestos – outros 260 ficaram feridos.

Ao mesmo tempo, as forças de segurança prosseguem com a violenta repressão.

Pelo menos três pessoas morreram depois que foram atingidas por tiros e várias ficaram feridas nesta quarta-feira na cidade de Kalay (noroeste). O exército abriu fogo contra os manifestantes que estavam escondidos atrás de barricadas improvisadas.

Os militares “utilizaram lança-foguetes e o número de vítimas pode ser maior”, disse à AFP um membro da associação Women For Justice, que não revelou sua identidade por temer represálias.

O acesso à internet permanece bloqueado para a maior parte da população desde que a junta ordenou a suspesnsão dos dados móveis e as conexões wifi.

Mais de 100 personalidades – cantores, modelos, jornalistas – têm ordens de detenção pela acusação de difundir informações que poderiam provocar motins nas Forças Armadas.

“Quando não encontra as pessoas que procuram o exército toma os parentes como reféns”, afirmou a AAPP. “Muitas pessoas são assassinadas durante os interrogatórios”, completou a ONG.

Apesar da violência, a mobilização pró-democracia não perde força.

Em Mandalay, segunda maior cidade do país, os grevistas protestaram nesta quarta-feira e fizeram o gesto com três dedos, um símbolo da resistência e retirado da série de livros e filmes “Jogos Vorazes”.

Além disso, vários grupos étnicos armados declararam apoio ao movimento pró-democracia.

Mas os generais ignoram as críticas e se aproveitam das divisões da comunidade internacional.

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Imprensa da Jordânia acata ordem de silêncio sobre suposto complô contra o rei

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Na terça-feira o procurador Hassan al Abdalat, proibiu a publicação de qualquer informação relativa à investigação “dos serviços de segurança sobre o príncipe Hamza e outros”

(crédito: KHALIL MAZRAAWI)

O suposto complô contra a monarquia jordaniana, protagonizado pelo príncipe Hamza, meio-irmão do rei Abdullah II, desapareceu completamente da imprensa local nesta quarta-feira (7/4), um dia depois de uma ordem que proibiu a publicação de informações sobre a investigação do caso.

Em uma tentativa de acabar com o episódio inédito na história do reino, que abalou profundamente os jordanianos, o procurador de Amã, Hassan al Abdalat, proibiu na terça-feira (6/4) a publicação de qualquer informação relativa à investigação “dos serviços de segurança sobre o príncipe Hamza e outros”.

Depois de ocupar durante três dias as manchetes, os jornais não publicaram nada nesta quarta-feira (7/4)  sobre o “complô” para desestabilizar o trono nem fizeram qualquer referência sobre “a camarilha” que tentou abalar a segurança do reino. Tampouco mencionaram a detenção dos supostos conspiradores.

A visita do chanceler saudita Faisal Bin Farhan, que transmitiu uma mensagem de apoio do rei Salman, a proibição de informar sobre o tema e a epidemia de covid-19 eram os principais temas dos jornais.

Para Mustafah al-Riyalat, chefe de redação do jornal estatal Ad-Dustour, o silêncio da imprensa se justifica porque o assuntou “chegou ao fim”.

“Graças a Deus as coisas voltaram ao normal”, declarou à AFP.

“Todos os jordanianos agora estão tranquilos, como se nada tivesse acontecido”, completou para explicar o silêncio da imprensa, embora admita que esta não é a única razão.

“Existe a decisão do procurador de proibir a publicação de qualquer assunto relacionado com o príncipe Hamza”, disse.

“Também de publicar sobre os detidos. Devemos esperar um anúncio oficial sobre o tema antes de publicar”, explicou.

O príncipe Hamza negou as acusações das autoridades sobre sua participação em uma tentativa de sedição e na segunda-feira (5/4) anunciou que era leal ao rei Abdullah II.

“Uma solução foi alcançada dentro da família real”, opinou Ahmed Awad, diretor do Centro Phenix de Estudos Econômicos e Informáticos.

“Mas a verdadeira crise política não terminou e continuará até que sejam adotadas reformas democráticas”, completou.

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Coágulos devem ser considerados efeitos colaterais raros da vacina AstraZeneca

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Mesmo com a estimativa do efeito colateral, Ema considera os benefícios superam riscos

(crédito: ROB ENGELAAR)

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) estimou nesta quarta-feira (7/4) que os coágulos sanguíneos sofridos por pessoas vacinadas com o imunizante anticovid da AstraZeneca devem ser considerados um efeito colateral “muito raro” do medicamento.

A EMA estabeleceu “uma possível ligação com casos muito raros de coágulos sanguíneos incomuns, juntamente com níveis baixos de plaquetas sanguíneas”, pelo que considera que o balanço entre riscos e benefícios permanece “positivo”, de acordo com um comunicado.

Na terça-feria (6/4) uma fonte da EMA confirmou “um vínculo” entre a vacina da AstraZeneca e casos de trombose registrados em pessoas que receberam o fármaco, afirmou  em uma entrevista ao jornal italiano Il Messaggero.

A agência reguladora de medicamentos britânica (MHRA) informou na última sexta-feira (2/4) que já havia identificado 30 casos de coágulos sanguíneos após a aplicação da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca, mas ressaltou que o risco é “muito baixo”, após ter administrado 18,1 milhões de doses do imunizante.

A Universidade de Oxford anuncia na terça-feira (6/4) pausa nos testes da AstraZeneca em crianças
“Embora não haja preocupação em torno da segurança do teste clínico pediátrico, aguardamos as informações complementares da MHRA (agência reguladora britânica) sobre os casos raros de trombose em adultos reportados”, explicou a universidade

* Com informações da France Presse

 

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Reguladora europeia nega relação entre vacina da AstraZeneca e coágulos

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Após publicação de um jornal italiano, a EMA disse nesta terça-feira que não foi possível ainda encontrar relação entre casos de coágulo e a vacina da AstraZeneca

Vacinação em Londres: reguladora do Reino Unido também deu aval à vacina da AstraZeneca e negou relação com coágulos (Hollie Adams/Bloomberg)

A EMA, reguladora de medicamentos da União Europeia, negou nesta terça-feira, 6, que tenha chegado a conclusões sobre uma possível relação entre casos de trombose e a vacina contra o coronavírus de Oxford/AstraZeneca.

Em comunicado, a EMA disse que “não chegou a uma conclusão ainda e que a revisão está em andamento”. A expectativa é que as descobertas sejam divulgadas ainda nesta semana, até quinta-feira, 8, segundo a nota.

A EMA se pronunciou após o jornal italiano Il Messaggero publicar que, segundo um diretor da agência ouvido pelo jornal, já havia sido encontrado “um vínculo” entre a vacina e casos de trombose. A informação foi oficialmente negada pela agência.

Há alguns dias, a diretora executiva da EMA, Emer Cooke, havia afirmado que não era possível traçar um vínculo causal entre os casos e o imunizante. A EMA e entidades como a Organização Mundial da Saúde também fizeram pronunciamentos afirmando que os benefícios da vacina superam os riscos de potenciais efeitos colaterais.

Nas últimas semanas, uma centena de casos de coágulos em europeus levantou suspeitas de que poderia haver alguma relação com a vacina.

Os receios levaram diversos países a suspender temporariamente a aplicação do imunizante em março. A vacinação já foi retomada, embora nações como França, Alemanha, Itália, Espanha, Holanda e Canadá tenham suspendido a administração em pessoas menores de 55, 60 ou 65 anos (a depender do país).

Em março, ao analisar os casos de coágulos encontrados, a EMA disse oficialmente que não foi possível verificar evidência de que a vacina aumenta os riscos de coágulo. Os casos poderiam acontecer naturalmente nos pacientes, sem terem sido impactados pela vacina.

Mais de 20 milhões de pessoas foram imunizadas com a vacina da AstraZeneca na UE e no Reino Unido, e as autoridades afirmam que o número de casos de coágulos encontrado não é maior do que os que já ocorreria normalmente em uma fatia tão grande da população.

As autoridades afirmam também que paralisar a vacinação traria ainda mais riscos, sobretudo se não há vacina substituta. A União Europeia tem registrado cerca de 16.000 mortes por semana relativas à covid-19 e mais de 2.000 mortes por dia.

A vacinação no bloco também tem sido mais lenta do que o esperado, de modo que não seria recomendado excluir um dos imunizantes disponíveis. Além da AstraZeneca, os europeus usam também as vacinas de Pfizer/BioNTech, Moderna e Johnson & Johnson’s, mas o número de doses tem sido insuficiente para acelerar a vacinação no bloco.

 

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Total de mortos pela covid-19 no mundo supera 3 milhões

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As mortes de covid-19 estão aumentando novamente em todo o planeta, especialmente no Brasil e na Índia

Médico em hospital na Bélgica (Yves Herman/Reuters)

O total de mortes relacionadas ao coronavírus no mundo ultrapassou 3 milhões nesta terça-feira, de acordo com uma contagem da Reuters, e a disparada mais recente de infecções de covid-19 está desafiando os esforços de vacinação ao redor do globo.

As mortes de covid-19 estão aumentando novamente em todo o planeta, especialmente no Brasil e na Índia. Autoridades de saúde culpam variantes mais infecciosas que foram detectadas primeiramente no Reino Unido e na África do Sul, assim como a fadiga pública com lockdowns e outras restrições.

Segundo uma contagem da Reuters, demorou mais de um ano para o total global de mortes por coronavírus chegar a 2 milhões, mas o milhão seguinte ocorreu em cerca de três meses.

O Brasil é o líder mundial na média diária de novas mortes relatadas e responde por uma de cada quatro mortes globais a cada dia, de acordo com uma análise da Reuters.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a situação dramática imposta pelo coronavírus ao país, dizendo que o Brasil se encontra em uma condição muito crítica com um sistema de saúde sobrecarregado.

“De fato, existe uma situação muito grave acontecendo no Brasil neste momento, já que temos uma série de estados em condição crítica”, disse Maria Van Kerkhove, epidemiologista da OMS, numa entrevista coletiva nesta terça-feira, acrescentando que muitas unidades de tratamento intensivo hospitalares estão mais de 90% ocupadas.

A Índia relatou um aumento recorde de infecções de covid-19 na segunda-feira, tornando-se a segunda nação, depois dos Estados Unidos, a registrar mais de 100.000 casos novos em um dia.

Maharashtra, o estado indiano mais afetado, começou a fechar bares, restaurantes, cinemas, shopping centers e locais de culto, já que os hospitais estão sobrecarregados de pacientes.

A região europeia, que inclui 51 países, tem o maior total de mortes — quase 1,1 milhão.

Cinco países europeus, Reino Unido, Rússia, França, Itália e Alemanha, constituem cerca de 60% do total de óbitos continentais relacionados ao coronavírus.

Os Estados Unidos acumulam 555.000 mortes, o maior número de qualquer país do mundo, e representam cerca de 19% de todas as fatalidades mundiais de covid-19. Os casos aumentaram nas últimas três semanas, mas autoridades de saúde acreditam que a campanha de vacinação rápida pode evitar um aumento de mortes. Um terço da população já recebeu pelo menos uma dose de uma vacina.

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segunda-feira, 12 de abril de 2021

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