A Polícia Civil deseja acessar os dados dos celulares dos homens acusados de um estupro coletivo ocorrido com uma adolescente de 17 anos em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Até o momento, nenhum dos acusados entregou seus aparelhos à polícia. Por isso, a investigação solicitará à Justiça a quebra do sigilo telefônico para obter essas informações, já que o processo corre em segredo de justiça.
No último sábado (28), durante uma operação para capturar os suspeitos que ainda estavam foragidos, a polícia tentou recuperar os celulares em todos os endereços vinculados aos acusados, sem sucesso.
Além das prisões, a polícia pediu autorização para realizar buscas e apreensões, mas ainda não obteve uma decisão judicial sobre esses pedidos.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Ângelo Lage, a demora na decisão judicial pode ter dificultado a coleta de provas importantes. Inicialmente, o plantão judiciário não considerou o caso urgente, o que atrasou a concessão dos mandados de prisão e apreensão dos celulares. O processo foi transferido da vara de violência doméstica para a especializada em crimes contra crianças e adolescentes.
Ângelo Lage acredita que, se a urgência tivesse sido reconhecida logo na primeira semana, a polícia poderia ter surpreendido os envolvidos, evitando que fugissem ou eliminassem provas.
Os acusados Vitor Hugo Simonin e Bruno Felipe Alegretti, ambos com 18 anos, se entregaram recentemente à polícia. Eles completam o grupo de quatro jovens presos, incluindo Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, ambos de 19 anos. Eles responderão pelo crime de estupro e aguardam o andamento judicial. O adolescente de 17 anos responderá por ato infracional semelhante.
A defesa de João Gabriel nega a ocorrência de estupro, afirmando confiança de que a Justiça investigará os fatos de forma justa. O advogado de Vitor Hugo também nega o envolvimento do cliente no crime, mencionando que ele estava presente no local, mas sem participação nas agressões.
A vítima, acompanhada pela mãe, procurou a polícia declarando ter sido violentada por cinco pessoas em um apartamento de Copacabana no dia 31 de janeiro. Segundo o relato, um adolescente que tinha um relacionamento com a jovem a convidou para um encontro, onde outras quatro pessoas entraram no quarto sem o consentimento dela. A jovem tentou resistir, mas foi agredida fisicamente durante o ataque.
Após o ocorrido, a vítima sofreu lesões e foi orientada por um dos envolvidos a não mostrar os hematomas à mãe. Horas depois, o agressor enviou uma mensagem para a jovem com tom de ironia.
Como denunciar violência sexual
Quem sofre violência sexual pode buscar atendimento médico e psicológico sem necessidade de boletim de ocorrência. Entretanto, para realização do exame de corpo de delito, que pode ser uma prova importante no processo judicial, a ocorrência deve ser registrada. É recomendado que esse exame aconteça o quanto antes para preservar provas.
Em casos de emergência, a polícia militar pode ser acionada pelo número 190. Também é possível denunciar através do Ligue 180, que oferece orientação e encaminhamento para serviços de apoio.
As vítimas de estupro têm direito a atendimento médico em hospitais com serviço de ginecologia e obstetrícia para prevenção de infecções, apoio psicológico e interrupção legal da gravidez, conforme previsto em lei, embora nem todas as unidades ofereçam esses serviços.
