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Brasil

Polícia de São Paulo investiga morte misteriosa de empresário com seguro de R$ 85 milhões

Foto: PCSP/Divulgação

ROGÉRIO PAGNAN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A polícia de São Paulo está investigando a morte de um empresário de 31 anos, que aconteceu há quase cinco anos, mas ainda não está claro se foi suicídio ou homicídio. Há também dúvida sobre a verdadeira identidade do corpo enterrado, e o caso envolve seguros de vida que juntos somam cerca de R$ 85 milhões.

José Matheus Silva Gomes foi encontrado ferido no banco traseiro de um carro blindado, um Volkswagen Jetta, em Jandira (SP), no dia 2 de julho de 2021. A cena apontava para uma possível tentativa de suicídio, pois uma pistola estava próxima e havia um único tiro na cabeça, sem sinais de luta.

Ele foi levado para um hospital em Osasco, mas acabou falecendo. O Instituto Médico Legal (IML) indicou que poderia ter sido suicídio, mas não descartou a hipótese de homicídio, já que não havia testemunhas nem imagens para confirmar os fatos. Por isso, a polícia abriu um inquérito.

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Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas em dezembro de 2021 passou a ser investigado como homicídio doloso, mesmo sem suspeitos definidos. Essa mudança permitiu que novas informações fossem analisadas, aumentando as dúvidas sobre o que realmente aconteceu. A seguradora Prudential, que tinha apólices do empresário, é uma das principais interessadas no desfecho.

No Brasil, quando o suicídio ocorre nos primeiros dois anos do contrato do seguro de vida, o beneficiário não tem direito à indenização. Depois desse período, a empresa não pode negar o pagamento apenas por tratar-se de suicídio. Portanto, a mudança do inquérito para homicídio é importante para que a ex-mulher do empresário e beneficiária dos seguros, Nayá de Arruda Singarini, possa receber o valor.

Desde setembro de 2019, José Matheus contratou 14 apólices de seguro com quatro companhias, totalizando cerca de R$ 85 milhões. A Prudential, por exemplo, tem apólices que somam R$ 66,5 milhões, sendo uma delas no valor de R$ 44 milhões. Houve até um pedido para aumentar a cobertura para R$ 100 milhões, que foi recusado.

Documentos indicam também que José Matheus teria sido investigado no passado por tentativa de fraude em seguro, em 1994, quando tentou simular o furto de um veículo para receber indenização, mas não conseguiu concluir o plano. A promotoria arquivou o caso por falta de prejuízo e ele não foi condenado.

A seguradora suspeita que o valor das apólices milionárias possa ter origem em dinheiro ilegal. Há investigações em andamento contra José Matheus e seus sócios, que estariam envolvidos em um esquema de pirâmide financeira. O grupo teria prometido rendimentos altos, cerca de 4% ao mês, e depois desaparecido com o dinheiro, causando prejuízos aos clientes.

Os investidores acreditam que esses recursos teriam sido usados por José Matheus para manter um estilo de vida luxuoso, incluindo carros importados e aluguel de mansões, além do pagamento mensal de cerca de R$ 77 mil pelos seguros.

Há um segundo inquérito em andamento para apurar crimes como lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo os sócios Victor Hugo Conservani Coutinho e Gabriel Pimentel e Silva.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso corre em segredo de justiça e que aguarda o resultado de exame de DNA para confirmar a identidade do corpo. Todas as hipóteses continuam sendo investigadas.

A Prudential disse que acompanha o caso para garantir o correto processamento do sinistro e que suas ações seguem as normas legais e da Superintendência de Seguros Privados (Susep). A empresa reafirma o compromisso com a proteção dos segurados e a rapidez no pagamento das indenizações, após as apurações necessárias.

O advogado da família de José Matheus, Ricardo Sayeg, disse que não há dúvidas sobre a identidade do corpo, confirmada por exame da arcada dentária. Ele afirma que a seguradora tenta atrasar o pagamento da indenização, o que prejudica especialmente uma criança que na época tinha menos de dois anos.

Segundo o advogado, se a indenização é alta, foi porque o pai quis garantir proteção ao filho. As seguradoras aceitaram o contrato e receberam os pagamentos, e não deveriam negar a indenização depois da morte do segurado.

Por sua vez, por meio de advogado, Gabriel Pimentel e Silva declarou não ter cometido irregularidades e se colocou à disposição das autoridades para esclarecimentos.

Victor Hugo Conservani Coutinho não respondeu às tentativas de contato feitas pela polícia e pelos meios de comunicação.

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