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terça-feira, 03/03/2026

Polícia Civil investiga 86 casos de violência doméstica contra agentes entre 2020 e 2025

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Na metade da década passada, Joana* casou-se com um agente de segurança. Eles oficializaram a união na igreja e no cartório. Cinco meses depois, começaram as agressões. Joana, que pediu para não ser identificada por segurança, conta que não podia trabalhar, nem participar de eventos sociais, e que as roupas que usava eram controladas por ele, que tinha ciúmes constantes. Num incidente, ele rasgou suas roupas antes de um evento. Ela lembra que durante o namoro, havia carinho e respeito, mas após o casamento a situação mudou.

O marido, policial civil, passou dois anos praticando violências físicas, psicológicas e materiais. Ele andava armado em casa e usava sua autoridade para impedir que Joana buscasse ajuda. Ela relata que o fato de ele ser policial dificultava ainda mais sair dessa situação de violência.

Esta situação não é única. A Polícia Civil do Distrito Federal abriu 86 inquéritos contra agentes da corporação entre 2020 e 2025 por violência doméstica, segundo informações oficiais. Além disso, existem 53 sindicâncias relacionadas ao mesmo tipo de denúncia.

Segundo fontes internas, embora exista uma legislação antiga, a instituição tem evoluído, especialmente com a criação da Divisão Integrada de Atendimento à Mulher (DIAM), ligada à Direção-Geral. A DIAM também se preocupa com agentes da corporação que são vítimas de violência doméstica.

Tiro no pé

A delegada Karen Langkammer, atual diretora da DIAM, foi vítima de violência quando um agente da polícia tentou agredir sua companheira e acabou atirando no pé dela. O agressor foi condenado a três anos de prisão, mas ainda responde recurso e permanece na instituição em atividades administrativas, sem permissão para andar armado.

Karen Langkammer destaca que poderia ter desistido após o ocorrido, mas a experiência lhe deu ainda mais força. Ela enfatiza que, se as agressões anteriores tivessem sido punidas, o ataque contra ela poderia ter sido evitado.

Panorama

Joana precisou deixar o país em 2017 por segurança, retornando depois de mais de um ano longe da família, que foi essencial para sua recuperação. Ao voltar, sentiu medo novamente, pois o agressor a procurou e usou sua condição de policial para intimidá-la.

Atualmente, Joana ajuda mulheres em situação de vulnerabilidade devido à violência doméstica. Dados oficiais revelam que, desde 2015, 236 feminicídios foram registrados no Distrito Federal, sendo que a maioria das vítimas foi morta dentro de casa, muitas eram mães, e a maioria dos agressores possuía antecedentes criminais e histórico de violência doméstica.

Joana acredita que é fundamental que quem comete violência contra a mulher seja punido rigorosamente para evitar a repetição de crimes.

Seis por uma dúzia

Em 2025, no primeiro semestre, o número de atendimentos a mulheres vítimas de violência quase igualou o número do ano anterior inteiro, com 988 atendimentos nos primeiros seis meses contra 1.102 em 2024.

Para Karen Langkammer, esse aumento pode refletir maior confiança das mulheres na polícia e melhoria no acesso ao registro de ocorrências. A cultura dentro da corporação também tem mudado, com menor corporativismo em relação a casos de violência doméstica e maior empenho em punir os responsáveis.

*Nome fictício por solicitação da personagem

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