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sábado, 07/03/2026




Brasileiros com voos cancelados enfrentam falta de suporte e alertas sobre golpes

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Em Brasília

GABRIELA CECCHIN
FOLHAPRESS

Passageiros cujos voos foram interrompidos devido ao fechamento do espaço aéreo em algumas regiões do Oriente Médio têm relatado dificuldade para conseguir assistência das companhias aéreas. Nas redes sociais, consumidores expressam incerteza sobre novas reservas e os custos extras para retornar aos seus destinos.

No Brasil, as duas operadoras com voos diretos de São Paulo para o Oriente Médio são a Qatar Airways e a Emirates.

A Qatar Airways orienta os passageiros a verificarem as atualizações sobre seus voos pelo site oficial ou aplicativo e a entrar em contato somente se a viagem ocorrer nas próximas 48 horas. Agradecem a paciência enquanto trabalham para solucionar o problema.

A Emirates informa que a central de atendimento está muito sobrecarregada, com um volume de chamadas acima do normal, e que fará o possível para responder em até 48 horas. Recomenda que os clientes consultem as atualizações em seu site oficial e verifiquem seus e-mails antes de irem ao aeroporto.

Cuidado com golpes

Golpistas têm aproveitado o congestionamento dos canais oficiais para enganar consumidores. Utilizando perfis falsos que imitam os das companhias aéreas, eles respondem aos comentários das pessoas para roubar dados pessoais, como nome, e-mail e telefone.

A Emirates alerta seus clientes para tomarem cuidado com contas falsas, apontando seus únicos perfis oficiais no X (ex-Twitter), reconhecíveis pelos selos de verificação dourados. A recomendação é não interagir ou clicar em links compartilhados por outras contas e, em caso de necessidade, enviar mensagem direta pelo canal oficial.

A Qatar Airways também alerta sobre contas fraudulentas que pedem informações pessoais, reforçando que nunca solicitarão senhas, códigos ou dados bancários por redes sociais e que os clientes devem usar apenas canais oficiais verificados.

Impacto dos cancelamentos para passageiros em escala

Os cancelamentos não atingem apenas quem viaja de ou para países do Oriente Médio, mas também quem faz escalas na região. Por exemplo, motoristas da Fórmula 1 enfrentaram dificuldades para se deslocar da Europa até a Austrália para competições.

Um caso relatado é do empresário Emiliano Caetano Pereira, 45 anos, que teve sua volta da China ao Brasil afetada após alterações na malha aérea. Ele tinha um voo da Qatar Airways de Xangai a São Paulo com conexão em Doha, que foi cancelado devido ao fechamento do espaço aéreo.

Emiliano conta que, por conta de um atraso em voo doméstico na China, perdeu o horário do balcão e foi informado do cancelamento dos voos. A companhia inicialmente ofereceu duas diárias de hotel, mas depois faltou comunicação sobre próximos procedimentos. Ele enfrentou dificuldades no atendimento e não recebeu informações sobre reembolso das passagens não usadas, precisando pagar nova hospedagem e adquirir outras passagens para retornar ao Brasil.

Segundo ele, o maior problema não foi o cancelamento em si, mas a ausência de suporte e coordenação, o que prejudicou seus compromissos empresariais e decisões comerciais.

Direitos dos consumidores

Mesmo que os cancelamentos ocorram por motivos fora do controle das companhias, como conflitos geopolíticos, estas continuam obrigadas a ajudar os passageiros, segundo Gabriel Britto, diretor jurídico do Ibraci (Instituto Brasileiro de Cidadania).

Ele explica os direitos conforme o tempo de atraso do voo:

  • Após 1 hora: direito à comunicação (internet, telefone etc.)
  • Após 2 horas: direito à alimentação (voucher ou refeição)
  • Após 4 horas: direito à hospedagem e transporte de ida e volta

Em caso de atraso superior a 4 horas ou cancelamento, o passageiro pode escolher entre reacomodação em outro voo o mais rápido possível, inclusive por outra companhia, reembolso total ou crédito para viagem futura.

Se as companhias não oferecerem essa assistência, o consumidor pode buscar o Juizado Especial Cível para requerer seus direitos sem custo, mesmo sem advogado para causas até 20 salários mínimos, embora seja recomendado acompanhamento jurídico.




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